25/06/2020
Vidas negras importam (e muito)! Leia a carta na íntegra: https://drive.google.com/file/d/1px8hFXq-rzqXMYkL9DF6jOg66MNUiTyM/view?pli=1
Nos últimos dias, o mundo presenciou cenas lamentáveis, as quais nos lembram da terrível mancha de sangue que diariamente acompanha a história humana: o racismo. Nós, do Secretariado do XVII MIRIN, acreditamos que as mortes de George Floyd, João Pedro, Miguel, assim como as muitas outras vítimas de violências diárias acometidas mundialmente contra as populações negras não devem ser ocultadas, minimizadas, ou deixadas de lado!
No entanto, há de se destacar que não se tratam apenas de violências físicas, mas sim de uma enorme estrutura excludente e violenta contra corpos negros, extremamente opressora. Esta, por sua vez, lhes priva de oportunidades, de liberdades, e, como dito, das próprias vidas. Uma estrutura bastante antiga e, infelizmente, ainda muito enraizada na sociedade brasileira (e mundial).
Neste sentido, o MIRIN reitera, por meio desta nota, seu apoio à luta antirra***ta. Prezamos pelo respeito e pela solidariedade às vítimas desse sistema opressor, que há séculos subjuga, mata e exclui pessoas negras, única e exclusivamente, por conta da cor de suas peles. Entendemos que estes tipos de exclusão vão diretamente contra os valores que nosso Modelo se propõe a transmitir: os Direitos Humanos, o diálogo aberto e livre, e o respeito ao próximo. Estes valores, no entanto, são constantemente deixados de lado hoje em nossa sociedade. E é por este motivo que julgamos ser necessário, dia após dia, reendossarmos nosso compromisso com esses ideais, pois ignorá-los seria o mesmo que perdemos nossa essência enquanto simulação diplomática.
O MIRIN, diante disso, nunca deixará de lado o seu papel na tão fundamental luta contra o racismo. Pelo mesmo motivo, achamos ser de extrema importância reconhecer a composição exclusivamente branca do Secretariado que vos fala, o fato de nossa simulação ser realizada em um dos ambientes mais elitizados do meio universitário carioca, a PUC-Rio, e o fato de os Modelos Diplomáticos, em geral, ainda serem ambientes majoritariamente estratificados – fatos que ilustram os reflexos diretos da estrutura ra***ta enraizada na sociedade brasileira.
Contudo, acreditamos que não é por isso que devemos ficar calados. Gostaríamos de usar o privilégio que temos para dar voz a essas vidas e, assim, promover uma maior conscientização do público da Modelândia. Nesse sentido, gostaríamos de propor um espaço em nossas redes para depoimentos de situações de racismo que participantes de simulações já tenham vivenciado. Este se daria por meio da utilização da hashtag .
Em semelhança ao movimento , o qual serviu de maneira exemplar para a exposição anônima de atitudes machistas no âmbito dos Modelos Diplomáticos em 2016, propomos que a hashtag sirva de maneira semelhante. Assim, caso queira compartilhar seu testemunho sobre alguma situação de discriminação que tenha presenciado ou sido vítima, incentivamos que utilize a hashtag nos comentários desta publicação. Caso não se sinta confortável, pode nos enviar via inbox ou caixa de respostas nos stories do Instagram, pois garantimos seu anonimato.
Deste modo, queremos sinalizar a todes que o racismo e a discriminação jamais passarão desapercebidos, tampouco esquecidos, no objetivo de tornarmos o espaço dos Modelos Diplomáticos mais inclusivo e respeitoso. Objetivamos sempre levar à frente nosso compromisso como evento educacional, com a esperança de contribuir, por meio do diálogo, para a formação de cidadãos melhores. Em face disto, o MIRIN vem a público para somar-se às milhões de vozes que mundialmente bradam pelo fim urgente do racismo.
Pelo fim do genocídio contra a população negra!
Com nosso profundo respeito,
O Secretariado do XVII MIRIN