A iminência das eleições na República Democrática do Congo tem sido acompanhada do agravamento de repressão política e violência. As estimativas são de que cerca de cem pessoas já foram mortas, quase quatrocentas foram presas arbitrariamente e mais de cem foram feridas nas últimas semanas. Em um país que vive em guerra há duas décadas, o cenário geral é de grave instabilidade democrática, violênci
a indiscriminada e pobreza extrema. Relatórios de Anistia Internacional e Human Rights Watch denunciam violações a direitos de liberdade de expressão e associação, além do insucesso do exército congolês e da força de paz das Nações Unidas em proteger a população civil, que f**a sujeita a mortes, torturas e deslocamento forçado. Grande parte do conflito se relaciona com a riqueza natural do país e a exploração de minérios que ocorre especialmente na região leste, envolvendo atuação de dezenas de grupos armados, exploração de crianças e abusos do direito humanitário internacional. São mais de 6 milhões de mortos. Mulheres e meninas são transformadas em escravas se***is. O Congo é considerado a capital do estupro: o pior lugar para as mulheres viverem. As eleições são a oportunidade para que o povo congolês possa expressar seu desejo por mudança, porém estão sob o risco de serem adiadas indefinidamente. Frente a isso, a diáspora congolesa tem sido um potente movimento de resistência, tanto para as próprias pessoas que fogem -- através da formação de redes de solidariedade -- como para aquelas que f**am no país. Cerca de meio milhão de refugiados deixou o país em busca de proteção e há 640 mil deslocados internos, colocando a República Democrática do Congo como o sexto principal país de origem de refugiados. No Brasil, os congoleses são a quarta maior nacionalidade de refugiados, totalizando quase mil pessoas, de acordo com o último dado divulgado pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE). Frente a esta situação, congoleses estabelecidos no Rio de Janeiro estão se organizando para dar visibilidade à situação do país e convocar maneiras de contribuir pela paz. O objetivo é construir uma rede de pessoas e instituições sensíveis à situação pela qual está passando o povo congolês para a construção de mecanismos de comunicação e incidência. É preciso fomentar a solidariedade internacional em prol de ações efetivas para implementação da paz e para o respeito às regras democráticas no país, bem como para garantir direitos fundamentais, como liberdade de expressão, de organização e oposição.