30/07/2026
Dez anos após a inauguração da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), as muitas dimensões de seus impactos ainda são contabilizadas. Em 29 de julho de 2019, uma rebelião no Centro de Recuperação Regional de Altamira terminou com 57 pessoas assassinadas no local e outros 4 durante o traslado. Foi o maior número de mortos em presídio desde o Massacre de Carandiru, em São Paulo, em 1992.
O consórcio Norte Energia, responsável pela usina, assumiu o compromisso contratual de construir o Complexo Penitenciário de Vitória do Xingu como uma medida de "compensação social", para mitigar os impactos na segurança pública gerados pela obra na região.
Ao prever um presídio como condicionante, o Estado e a empresa trataram a explosão da violência como um efeito colateral aceitável e elegeram o hiperencarceramento como a principal resposta governamental aos danos causados pelo projeto, em detrimento de investimentos em saúde, educação ou saneamento.
É justamente essa conexão que evidencia a atualização do relatório da missão da Plataforma DHESCA Brasil sobre Altamira, publicada em 2022 com a participação da Justiça Global. O documento evidencia o racismo como eixo transvesal na condução das decisões e nos impactos vividos por populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e negras, historicamente submetidas à negação de direitos e à violência estatal.
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