14/07/2026
O fuzil do poder público que silenciou Lorenzo
Lorenzo Dias Palinhas tinha apenas 14 anos. Trabalhava como entregador para ajudar a família. Em outubro de 2022, foi morto com um tiro de fuzil na nuca durante ação da Polícia Rodoviária Federal no Complexo do Chapadão. O grupo entrou na favela, de noite, após a morte de um PRF na região vítima de latrocínio.
Segundo o Ministério Público Federal, Lorenzo e outro adolescente estavam desarmados, não houve confronto e a operação foi realizada sem planejamento ou ordem formal de missão. Agora, quatro policiais foram denunciados.
Nenhuma sociedade pode aceitar que adolescentes sejam mortos e que suas famílias precisem lutar anos para provar que seus filhos merecem justiça.
Lorenzo tinha nome, história e futuro. A responsabilização dos envolvidos é um passo necessário para reafirmar que nenhuma farda está acima da lei e que toda vida perdida precisa ser lembrada.
Lorenzo não é apenas uma vítima. É uma das mais de 100 crianças e adolescentes, de 0 a 14 anos, mortas por armas de fogo - a maioria bala perdida - na Região Metropolitana do Rio, contabilizadas por nós, desde 2007. Seu rosto também fez parte do nosso memorial na Lagoa, destruído por quem preferiu apagar a memória das vítimas em vez de enfrentar essa tragédia.
A denúncia do MPF é um passo importante. Mas justiça de verdade só existirá quando nenhuma criança tiver sua vida interrompida pela violência do Estado ou pela violência armada.
Justiça por Lorenzo.
Favela não é campo de extermínio.