28/07/2026
O debate sobre armas de fogo precisa ser guiado por evidências, não por discursos.
Em artigo publicado no Jornal da USP, os pesquisadores Renato Alves e Pedro Benetti, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, analisam dados do Atlas da Violência 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apoiamos, e alertam que a ampliação do acesso a armas não tem produzido os efeitos prometidos pelo discurso armamentista. Pelo contrário: estudos apontam que cada aumento de 1% na circulação de armas de fogo está associado a um crescimento de 1,2% a 2% nos homicídios, sem reduzir os crimes de roubo.
Os pesquisadores também destacam que as armas de fogo seguem sendo o principal vetor da violência letal no Brasil. Em 2024, 29.870 pessoas foram mortas por armas de fogo, o equivalente a 70,1% dos homicídios registrados no país. Além disso, a maior circulação de armas está associada ao aumento dos riscos de violência doméstica, suicídios, acidentes e ao fortalecimento da atuação de grupos criminosos.
Para os autores, enfrentar a violência exige políticas públicas baseadas em evidências, capazes de combinar controle da circulação de armas com ações integradas de segurança pública, saúde, educação e assistência social, considerando as diferentes dinâmicas que produzem violência em cada território.
Leia mais no artigo do Jornal da USP:
Renato Alves e Pedro Benetti comentam dados do "Fórum Brasileiro de Segurança Pública", que atesta ainda que o aumento da circulação de armas não contribui para a diminuição de crimes