13/11/2025
Na Casa IPÊ, durante a COP 30, um debate fundamental sobre o futuro dos territórios e a justiça climática foi colocado em pauta: “Inteligência Artificial e Justiça Climática: Quem programa o futuro dos territórios?”. Com a mediação de Cássio Aoqui e a participação de especialistas como Georgia Nicolau, Gugo e Thiago Nascimento, o painel trouxe reflexões críticas sobre o avanço da IA em um cenário de profundas desigualdades.
Nossa fundadora, Cristiane Sultani, destacou a dualidade da Inteligência Artificial: ao mesmo tempo que pode amplificar soluções para os desafios atuais, também apresenta riscos imensos relacionados à segurança, à perpetuação de preconceitos e ao aprofundamento das desigualdades.
Cris ressaltou o paradoxo brasileiro: somos “heavy users” de tecnologia, mas carecemos de infraestrutura própria e de um sistema educacional que acompanhe a velocidade da transformação digital. A educação, segundo ela, virou uma “colcha de retalhos”, com ações fragmentadas que não resolvem o problema estrutural. A filantropia, nesse contexto, corre o risco de atrapalhar se não tiver uma visão sistêmica e colaborativa.
Um dos pontos altos de sua fala foi a provocação sobre a conectividade como um direito constitucional em um mundo dominado pela IA. Como garantir que a transição digital seja justa, comunitária e regenerativa se uma parcela significativa da população sequer tem acesso à internet?
A reflexão de Cris nos convida a uma discussão mais ampla e integrada. Não podemos falar de IA sem falar de educação, de letramento digital, de proteção de dados e, acima de tudo, de justiça social. É preciso construir uma aliança entre governo, setor privado e sociedade civil para garantir que a tecnologia seja uma ferramenta de empoderamento, e não de exclusão.