18/05/2026
No dia 18 de maio, lembramos que os manicômios não foram só prédios: foram políticas de exclusão, encarceramento e violência contra pessoas em sofrimento mental.
A partir do final dos anos 1970, trabalhadores da saúde, usuários e familiares denunciaram abusos em hospitais psiquiátricos e passaram a defender uma sociedade sem manicômios. O encontro de Bauru, em 1987, marca essa virada e dá origem ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
Em 2001, a Lei 10.216, conhecida como Lei Paulo Delgado, garantiu direitos às pessoas com transtornos mentais e redirecionou o modelo de atenção em saúde mental, priorizando cuidado em liberdade, serviços como CAPS e a Rede de Atenção Psicossocial em vez de internações longas e segregadoras.
Mas a rua continua sendo o “manicômio a céu aberto” de muita gente. O Brasil tem hoje mais de 350 mil pessoas em situação de rua, e pesquisas mostram crescimento de cerca de 80–90% dessa população nos últimos anos. Uma parte importante vive sofrimento mental sem acesso contínuo a cuidado digno.
Quando o Estado falha em garantir moradia, trabalho, renda, cuidado em liberdade e serviços de saúde mental territorializados, a rua vira cena de expulsão em cima de expulsão: da casa, da escola, do trabalho, da cidade e, muitas vezes, da própria família.
A luta antimanicomial, junto com a luta por direitos da população em situação de rua, lembra que ninguém é “caso perdido”: todo mundo tem direito a cuidado, a vínculo, a cidade, a política pública e a ser visto para além do diagnóstico.
Uma sociedade sem manicômios também é uma sociedade sem pessoas vivendo e morrendo na rua.