13/05/2026
"Nesse dia meu objetivo de oportunidade era um comboio, e eu quase bati no chão durante a recuperação. A essa altura eu já era macaco velho e não havia porque ter acontecido aquilo. Eu cheguei a deixar na estrada de barro aquele rodamoinho de tão baixo que eu fiquei. Aí eu chamei um companheiro para ver se havia alguma coisa com o meu avião e ele disse: “Puxa, você está com uma bomba pendurada!” Foi o excesso de peso da bomba que tinha ficado presa na minha asa o motivo pelo qual eu quase bati. Essa bomba ficou pendurada pelo gancho traseiro, somente com a espoleta ativa, e eu chamei o controle. Disseram então que eu fosse para a área ‘B' , que os barcos estavam indo para lá para me resgatar. No local designado eu fiz de tudo para essa bomba cair: dei estol , piruetas, e ela presa, firme. Num rasgo de pouca inteligência resolvi que iria pousar com ela, até hoje não sei se foi amor ao avião que já me havia trazido tantas vezes de volta incólume, mas eu vim e pousei. A bomba ficou quase raspando no chão, uns 30 centímetros do solo, e eu taxiei. Quando eu cheguei no estacionamento foi um pavor, todo mundo fugindo porque viram o avião com a espoleta ativa e a bomba pendurada. Logo em seguida veio o pessoal e desarmou a bomba, ficando tudo seguro novamente, mas hoje, em sã consciência, eu reconheço que ninguém deve fazer uma coisa dessas. Estava por casualidade o General Comandante da 22ª Força Aerotática, que mandou me chamar e disse: 'Foi o senhor o piloto que pousou com aquela bomba pendurada na asa?'. Eu disse: 'Foi, sim senhor'. Ele então complementou: 'Em primeiro lugar os meus cumprimentos pela sua coragem. Em segundo lugar (de dedo em riste), nunca mais faça uma coisa dessas, porque aviões iguais a esse que o senhor salvou nós fazemos trinta por dia, e um piloto experiente de guerra demora três anos para estar pronto. Então nunca mais repita uma coisa dessas!'. E ele tinha toda a razão, foi um rasgo de pouca inteligência, como eu mesmo classifico. Hoje eu acho graça... ”
(Newton Neiva de Figueiredo, em entrevista ao documentário "Senta a Pua")
Foto: National Archives
via Jambock.com.br