11/07/2026
Justiça por Maicon!
Há 30 anos, Acari perdeu um dos seus bebês para a violência do Estado.
Maicon tinha apenas 2 anos. Era uma criança, como tantas que acompanhamos todos os dias: um bebê que no colo de sua família, afeto, brincadeiras, e uma vida inteira pela frente.
Mas a violência do Estado interrompeu sua infância.
E como se não bastasse matar uma criança de 2 anos, durante anos a versão apresentada para justificar sua morte foi a de que Maicon teria sido atingido enquanto trocava tiros com a polícia, uma narrativa que, na prática, criminalizou um bebê.
Foram 30 anos de espera. Três décadas de silêncio, impunidade e da insistência de um pai que se recusou a deixar que a história do filho fosse esquecida. José Luiz transformou o luto em luta, cobrando incansavelmente verdade, responsabilização e justiça para Maico
Somente em 30 de junho de 2026, três décadas depois do assassinato de Maicon, o Estado brasileiro reconheceu sua responsabilidade internacional e pediu desculpas oficialmente à família. Um gesto importante, construído pela persistência de quem nunca desistiu. Mas um pedido de desculpas não devolve uma infância interrompida, não devolve um filho aos braços do pai e da mãe, nem apaga 30 anos de espera por uma resposta.
O Gestarte nasceu em Acari para defender a vida de mães e bebês do território. Cuidamos e acolhemos gestantes, partos, puerpérios, família e a primeira infância porque acreditamos que garantir um nascimento digno também significa lutar para que essas crianças cresçam com dignidade, protegidas da violência.
Lembrar de Maicon é afirmar que a vida dos bebês da favela importa. Que eles têm direito ao cuidado, à proteção e ao futuro.
Que a memória de Maicon siga viva. Que a luta de José Luiz siga inspirando. E que justiça nunca mais leve 30 anos para começa!
Justiça por Maicon. Ontem, hoje e sempre!