13/03/2026
21 dias de ativismo contra o racismo
O Projeto Gestarte e a Iniciativa Justiça Reprodutiva lutam contra o Racismo Obstétrico, uma prática que viola direitos e a dignidade de pessoas negras e indígenas e que precisa ser erradicada.
A mulher negra que conta seu relato neste vídeo pediu para não ser identificada (vamos chamá-la de Carla). Ainda assim, ela decidiu compartilhar sua história para que profissionais de saúde se conscientizem sobre práticas racistas e revejam suas condutas, e também para que nenhuma outra mulher negra passe por isso.
De acordo com o Pequeno Manual de Antirracismo Obstétrico, o Racismo Obstétrico é “qualquer tipo de ação referida a uma pessoa e ao seu corpo durante o período da gestação, parto, puerpério ou assistência ao ab**to, que expressa falas e ou ações que caracterizem opressões, discriminações e ou violências, definidas por disparidades de raça”.
O cuidado obstétrico deve respeitar protocolos de avaliação e monitoramento da gestante e do bebê. No entanto, gestantes negras e indígenas frequentemente têm suas queixas ignoradas e passam longos períodos sem avaliação durante a internação nas maternidades. Essa negligência coloca vidas em risco e pode impedir intervenções a tempo em situações graves.
Bebês negros e indígenas também são vítimas de desrespeito e racismo. O racismo obstétrico também atinge recém-nascidos e pessoas acompanhantes.
Além disso, o direito ao acompanhante é garantido pela Lei 11.108/2005 e não pode ser negado pela unidade de saúde ou por profissionais, independentemente da via de parto.
O racismo nem sempre aparece de forma explícita. Muitas vezes ele se constrói em uma sequência de agressões e desrespeitos sistemáticos, até chegar ao racismo verbal escancarado, como aconteceu com Carla e seu bebê.
Combater o Racismo Obstétrico e garantir cuidado com respeito e dignidade para mulheres e pessoas que gestam negras e indígenas, à luz da Justiça Reprodutiva, é nosso compromisso.