04/10/2025
O hospital espiritual chamado Umbanda
.. por Caboclo Ventania!
A Umbanda é um grande hospital espiritual. Suas portas estão sempre para aqueles que desejam entrar. Porque quem chega é porque já foi encaminhado, pelos guias. E como todo hospital, não é lugar de passeio nem de distração: é espaço de tratamento, de alívio, de cura e de transformação.
Quando a pessoa adentra o terreiro, entra como paciente. Uns chegam de maca invisível, carregados pelas próprias dores, males do corpo, da mente e da alma.
Outros chegam mancando, outros ofegantes, outros ainda com feridas que não se veem, mas sangram por dentro.
O terreiro acolhe a todos sem perguntar de onde vêm, sem medir a dor, sem comparar o tamanho do sofrimento.
No hospital espiritual chamado Umbanda não se nega atendimento: preto-velho, caboclo, boiadeiro, Ibejada, Exu, pombagira todos são, "auxiliares" desse grande hospital.
Há aqueles que iniciam o tratamento e não conseguem seguir até o fim. Param no meio, acham que já basta, que podem caminhar sozinhos, e vão pelo mundo afora. Às vezes voltam, quando a ferida reabre ou quando percebem que o remédio que receberam ainda não completou o ciclo. Não há castigo por isso, porque no hospital espiritual da Umbanda sempre tem leito reservado pra quem retorna.
Outros, ao contrário, entram, recebem a cura que precisavam e, agradecidos, seguem o caminho e nunca mais voltam.
Não há cobrança, porque cada um tem seu tempo e sua estrada. Há os que se curam e decidem permanecer, não mais como pacientes, mas como servidores: passam a vestir o avental branco da espiritualidade, aprendem a manipular as ervas, a soprar a fumaça, a impor as mãos, e tornam-se auxiliares dos guias, ajudando no cuidado de novos enfermos que chegam. E há também aqueles que f**am eternamente pacientes. Vão toda semana, tomam seu passe, bebem seu remédio, recebem seu conselho, mas nunca se levantam do leito. Permanecem no mesmo ciclo de dores e retornos, porque ainda não compreenderam que a cura pede entrega, mudança e responsabilidade.
Mesmo assim, o hospital não fecha as portas, porque a esperança é que um dia essa alma desperte, levante-se e caminhe com as próprias pernas.
Jefferson Santana.