08/03/2025
“A mulher deve dizer a sua palavra sobre a casa. Suas demandas não devem ser ignoradas se quisermos alcançar uma arquitetura democrática.”
Assim está escrito no editorial do terceiro número do periódico “A”, publicação dirigida por Lina Bo Bardi, Carlo Pagani e Bruno Zevi em 1946, e que aparece dentre os fatos compilados por Francesco Perrotta-Bosch .pb em “Lina, uma biografia”. No texto, o autor destaca que a reivindicação dessa voz ativa não se encerra, necessariamente, na reconstrução das casas, mas se estende também, de modo abrangente, à reconstrução das cidades italianas e ao país, no contexto do pós-guerra.
Passados quase oitenta anos, é perturbador perceber que, por aqui, ainda insistimos em uma arquitetura e urbanismo excludente, que ignora as reivindicações de gênero e raça, e que contribui no aumento das piores estatísticas na medida em que não considera nossas peculiaridades sociais como condicionantes de projeto.
Portanto, neste 8 de março, convidamos os colegas a refletirem sobre como temos abordado, no nosso campo de trabalho, temas tão fundamentais.
Se é válido dizer que ao construir nossas cidades, nós construímos a nós mesmos, será que temos contribuído para alcançar os objetivos de uma arquitetura e urbanismo, de fato, democráticos?
*detalhe da capa - foto de Federico Patellani