A Casa de Mato de P**a é considerada a mais antiga casa de Senhor de Engenho de todo o Norte Fluminense. Possui oratório interno que funcionou como Igreja Matriz de Quissamã entre os anos de 1795 e 1815, quando então foi construída a antiga Matriz de Nossa Senhora do Desterro, no centro da Vila de Quissamã, que se formou próxima à Fazenda de Mato de P**a. Foi construída por Manoel Carneiro da Silv
a em 1777 em terras adquiridas por seu pai, João Carneiro da Silva em 1746. Nela nasceu José Carneiro da Silva, 1º Visconde de Araruama, filho de Manoel e Ana Francisca de Velasco Távora, considerado o Patriarca da família. José Carneiro da Silva construiu e mudou- se para a Casa da Fazenda Quissamã, hoje Museu. Seus filhos montaram engenhos e construíram várias sedes de fazendas requintadas e a casa de Mato de P**a permaneceu na família sem grandes reformas e transformações, mantendo o ar “bandeirista”, ampla e simples, único exemplar do séc. Em 1937 a família registrou em cartório que a Casa de Mato de P**a pertenceria, em condomínio perpétuo, aos herdeiros de Mariana Antonia de Castro Carneiro Almeida Pereira, filha de José Carneiro da Silva, 1º Visconde de Araruama. Pelo período de quase duzentos anos a Casa permaneceu habitada (1777/1976) servindo a várias gerações. Em 1983 foi criada a Associação dos Amigos de Mato de P**a com o objetivo de angariar fundos para a conservação e definir usos para a casa. Mais tarde, os herdeiros a doaram para a AMAP. Em 1985 a casa é tombada pelo INEPAC- Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural do Rio de Janeiro. Na época é lançado o livro A Casa de Mato de P**a. O poder público local destinou verbas para a manutenção da casa, que foi considerada de utilidade pública pela Câmara Municipal de Quissamã e recebe visitação dos alunos da rede pública municipal e de outras cidades da região. A Associação promove festas anuais, nas quais expõe o acervo da casa e realiza exposições temporárias, a atual tem como foco os doces presentes em antigos cadernos de receitas com o título “Nossas Doces Receitas”. A abertura da exposição fez parte do 1o Encontro Gastronômico de Quissamã. O desenvolvimento do turismo no município tem transformado a Casa em ponto de visitação, mostrada como o testemunho do início da ocupação da região, com mais de 230 anos de existência. Exemplar de arquitetura rural aparentada às casas bandeiristas, possui varanda entalada, com parapeito de alvenaria e colunas de madeira apoiando o telhado. A fachada em único plano, o vasto telhado de quatro águas em telha canal, o beiral aparente encachorrado reafirmam sua arquitetura simples e colonial. Possui corpo principal retangular e puxado posterior para os cômodos de serviço. O oratório ou capela ocupa cômodo próprio no interior da casa, ligando-se a varanda por uma sala, formando o conjunto que serviu de Igreja Matriz da Freguezia de Quissamã no início do século XIX, antes da primitiva Igreja. As paredes do corpo principal são em pau a pique, adobe e na reforma de 1984 foi utilizado o tijolo furado para reerguer trechos arruinados de paredes externas. A parte de serviço é em tijolo maciço cozido. As portas da varanda e do oratório possuem vergas de arco abatido e folhas em madeira maciça de tabuado corrido com encaixe macho e fêmea. As janelas são em guilhotina externa e em tábuas ou venezianas internamente, muitas com as ferragens antigas. Na parte de serviço não restou ou não possuiu as guilhotinas envidraçadas. Hoje a casa possui caráter mais de uma chácara do que sede de fazenda, tendo desaparecido as dependências próprias do programa rural, como senzalas, casa de farinha, etc. No Plano Diretor do Municipio de Quissamã, aprovado em 2006, foi instituída uma Área Reservada para a preservação da ambiência da Casa de Mato de P**a e de Vila Evelina, chalé construído em 1917 nas terras da fazenda, controlando a ocupação urbana no entorno do conjunto.
2 – JUSTIFICATIVA / OBJETIVO:
Trata-se de um exemplar de notável mérito arquitetônico e histórico, segundo descrição no inventário arquitetônico de Quissamã, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN. Foi tombada em 1985 pelo INEPAC. Alberto Lamego em seu livro “O Homem e o Brejo” (1945) considerou-a a única casa de senhor de engenho ainda de pé em todo o norte fluminense. O estado de conservação da casa requer intervenções restauradoras, tendo em vista a deterioração dos materiais originais, a precariedade das estruturas e instalações, e a necessidade de adequação dos espaços a um uso sustentável, fomentando a conscientização e a disseminação da educação patrimonial em todo o Norte Fluminense. A obra de Restauração e Readequação da Casa de Mato de P**a dará continuidade a iniciativa da AMAP e complementa o circuito histórico cultural de Quissamã.