Academia Pouso-alegrense de Letras

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Em mais uma homenagem aos 177 anos de Pouso Alegre, recorro a a trechos de uma crônica, agora de um patrono de nossa Aca...
19/10/2025

Em mais uma homenagem aos 177 anos de Pouso Alegre, recorro a a trechos de uma crônica, agora de um patrono de nossa Academia Pouso-alegrense de Letras, cadeira número 7, José Fernandes Filho, conhecido por Tagué)

CÂNTICO À PRINCESA SUL MINEIRA
(Pelos 142 anos da cidade, 1990)
.. Pouso Alegre, quero te oferecer meu CÂNTICO DE AMOR...
AMOR pelos teus luares de brancuras imaculadas, inspiradoras de poetas e seresteiros.
AMOR pelos teus rios: o MANDU que foi quem ouviu os teus primeiros vagidos e que te limpou das impurezas da natividade e que embalou teus sonhos de criança. O SAPUCAÍ, que todos os anos ronca valentia, mas que não passa de um canal de águas pacíficas e comportadas.
AMOR por esses dois veios de águas que se misturam, numa troca de gentilezas capaz de comover, entoando o hino da tua grandeza.
AMOR pelas tuas ruas largas e ensolaradas, pela tua maravilhosa avenida central, pelas tuas ruas ricas e resplandecentes, pelas tuas ruas humildes, pobres e obscuras.
AMOR por toda a tua gente, pelos felizes e desgraçados, pelas fisionomias que porejam venturas e pelos rostos macerados pelos sofrimentos, riscados pelos desenganos, curtidos pelas desilusões.
AMOR, enfim, por ti, que és a reunião disso tudo, o ajustamento do feio e do belo, do triste e do alegre, do desgraçado e do feliz, dessa heterogeneidade que é o poema da tua sedução e da tua bondade.

Que Deus te conserve sempre assim como te apresentas hoje, neste teu aniversário, minha Princesa, que tua gente te ame com o mesmo ardor e a mesma sinceridade que existem neste meu CÂNTICO DE AMOR. (José Fernandes Filho, 1990)

(Abaixo, vistas parciais de Pouso Alegre e de seu rio Mandu. Fotos por Fernando Campanella)

POUSO ALEGRE EM MEMÓRIASPara homenagear Pouso Alegre, que completa 177 anos hoje, 19/10/2025, recorrerei a um legado lit...
19/10/2025

POUSO ALEGRE EM MEMÓRIAS

Para homenagear Pouso Alegre, que completa 177 anos hoje, 19/10/2025, recorrerei a um legado literário, encontrado no acervo da nossa Academia Pouso-Alegrense de Letras. Trata-se de uma carta do acadêmico, Licínio Rios Neto (1952-2002), que ocupou a cadeira número 1, cujo patrono é Jayme Marques de Oliveira.

Licínio fora convidado, em 1990, por Ciomara F. Cascelli, e Jahel Torres Brandão, para participar de um projeto cultural da cidade, intitulado “Poetas Cantam Pouso Alegre”. O acadêmico morava no Rio de Janeiro, na ocasião, e enviou a elas um rico relato de suas memórias da infância e adolescência em nossa cidade.

Eis alguns trechos do relato das memórias de Licínio, com as quais eu e muitos pouso-alegrenses irão, certamente, se identificar:

“Minas melhores recordações são de quando PA era uma cidade pequena, até mais ou menos o fim da década de 60. As ligações mais fortes que tenho são com os lugares, cheiros e personagens da cidade. Na minha cabeça de menino do interior, as Taipas eram incrivelmente longe; a Faisqueira, então, uma aventura de outro continente; e São Paulo uma viagem interplanetária em que a gente, se não me engano, tomava o trem até Campinas e de lá havia uma baldeação que dava a Ouro Fino, Borda da Mata e depois PA. Os trens, aliás, significaram o desejo que eu tinha de sair, ver coisas novas, novos horizontes, o que acabou acontecendo. Adoro os prédios das estações de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí, onde mamãe nasceu. Me impressionava muito o porte gigantesco da maria fumaça da RMV, que silvava estridente; as rodas de aço imensas, mais altas que eu, que engoliam léguas, levando e trazendo gente, novidades, sonhos de mudança.

Também mexi muito com o Rabo Verde, tão folclórico e tão querido ao mesmo tempo, que naquela época ia para o manicômio de Barbacena, mas voltava. Só mais tarde é que fui compreender que havia ternura e sabedoria naquela alienação. Nunca soube de nenhum menino que o Rabo Verde “pegou” de verdade. Ele corria um pouco e ia sentar outra vez no chão em meio aos trapos e suas latas velhas. Me lembro muito de seu paletó preto, as calças pela canela e os sapatos sem cadarços e resgados. Acho que Pouso Alegre nunca soube homenagear seu único herói bufão, seu jogral, seu apaixonante “alienado”, que alegrou tantas manhãs de domingo depois da missa das nove – a missa das crianças –, onde aprendi a flertar com as meninas, numa mistura de vitória e culpa entre o olhar fugidio delas e a figura do Cristo na cruz. Mas aí o flerte continuava no “footing” preguiçoso da avenida e terminava nalgumas tentativas desastradas de namoro nas mesinhas da sorveteria do Luciano. Os copos altos de vaca-preta (Coca-Cola com sorvete de creme) eram uma espécie de “reserva moral” que impedia a aproximação física, num tempo em que o primeiro beijo costumava ser “roubado” aos 14, 15 anos.

O cheiro do pão francês que saía de madrugadinha era uma delícia. Havia uma padaria que ficava na diagonal do Hotel Dias, embaixo do Pouso Alegre Hotel, onde eu e minha avó dávamos “um pulinho”. Eu morava na Marechal Deodoro, 152, ao lado da antiga Telefônica... O cheiro do pãozinho francês se misturava com o cheiro forte e bom de madeira cortada da serraria do Rigotti...
..Comprei muito “sapato social na sapataria do Dante Cincoetti para ir aos bailes do Clube Literário. E quem não se lembra das três irmãs: Fé, Esperança e Caridade Cincoetti?....
.. A casa velha do Grupo Joaquim Queirós, quando funcionou na rua Afonso Pena, esquina com aquele bequinho que dá no Santuário era uma maravilha. Achava a casa imponente, cheia de salas, dos diferentes anos do primário... Sinto saudades da Dona Maria, que preparava a nossa merenda. Havia mingau de fubá com couve, canjica doce e muita coisa gostosa que a gente comia rápido num prato de metal para aproveitar o recreio...
.. Há também “nomes” muito queridos em PA. Pode haver coisa mais bonita que um banco se chamar “Banco da Lavoura”? E a velha Viação São José, em cujos ônibus andei muito? E a espantosa Casa Dragão, a distante Remonta, o CCPA (sigla do Clube de Campo Pouso Alegre, o Aterrado (simbolizado por aquela velha ponte de onde os mais “machos” pulavam em tempo de cheia do rio Mandu), Fátima e sua igrejinha... o aeroclube do tio Piffer e seus dois teco-tecos, as “famosas” Casas Pernambucanas, os pastéis de farinha de milho do Mercado Municipal, a “pioneira” Discoteca do Socó, a “moderninha” Lanchonete Vila Rica, o velho empório do Dandão, o Campinho do Vasco, os grupos escolares “rivais” (o Monsenhor José Paulino era um deles)... o antigo SAPS... Quanta coisa me dá saudade! Meu coração sempre bate diferente quando o carro faz a curva, no meio do caminho entre a cidade e a Brasilinha (assim era chamado o trevo da Fernão Dias), e eu vejo Pouso Alegre inteira...” (Licínio Rios Neto, Rio de Janeiro, 18/04/90)

(Licínio foi jornalista, tradutor, escritor, roteirista e professor. Durante seis anos, integrou a equipe de produção de Jô Soares Onze e Meia, escolhido pelo próprio Jô após uma entrevista. Casado com a pouso-alegrense Dadá Moretti, teve dois filhos, Lucca e Luíza. Faleceu aos 50 anos, em 2002.)

Apesar de tamanha projeção nacional, Licínio foi fiel a suas memórias, nutrindo um grande amor por Pouso Alegre, como vimos nas lembranças acima, muitas delas também minhas.

Que bela homenagem à nossa cidade ele nos deixou!

PARABÉNS, POUSO ALEGRE PELOS 177 ANOS!!!

(Abaixo, foto de um desenho de uma Pouso Alegre muito antiga, também do acervo de nossa Academia.)

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                                     SíLVIO DE ALMEIDA              ...
18/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
SíLVIO DE ALMEIDA
(PATRONO DA CADEIRA NÚMERO 16)

Sílvio Tibiriçá de Almeida nasceu em Pouso Alegre, em 1867.
Cursou o primário em Pouso Alegre e o secundário no Rio de Janeiro.
Transferiu-se para São Paulo, onde bacharelou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. Lá, foi educador, fundador de um colégio, transformado posteriormente no Instituto de Ciências e Letras.
Dedicou-se à Filologia, o estudo de documentos escritos com o objetivo de identificar as mudanças da língua através do tempo.
Fundou a Revista de Filologia Portuguesa e escreveu "O Antigo Vernáculo", que o tornou conhecido no Brasil e em Portugal.
Colaborou como cronista no jornal O Estado de São Paulo.
Foi um dos fundadores da Academia Paulista de Letras, juntamente com sua prima e esposa Presciliana Duarte de Almeida.
Alguns de seus trabalhos literários: "Ephemeras", 1893 e "Estudos Camonianos".
Após seu falecimento, ocorrido em São Paulo, 1924, disseram os jornais paulistas: "O velho cultor das nossas letras, um dos conhecedores mais profundos do nosso vernáculo". (Informações do livro "Pouso Alegre através dos Tempos - Sequência Histórica",
pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, sob a coordenação de Alexandre de Araújo, e a Câmara Municipal e "Encontros Poéticos - poesia, amor e vida", publicado também pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, em 2023).

I

Um soneto de Sílvio de Almeida:

A Miragem

Avistei-te, miragem no deserto,
Oásis floridente e verdejante,
Que te mostraste ao pobre viandante,
Como um retiro sossegado e aberto.

Na areia ardente, caminheiro incerto,
Deixei a marca do meu passo errante,
E tu, oásis, eras bem distante,
Mas eu, coitado! Te julguei tão perto.

Assim, o amor, o desejado asilo!
Feliz daquele que num seio ardente
Pode depor o coração tranquilo!

Feliz de quem, em tudo quanto sente,
Encontra mais alguém para senti-lo,
Numa união de amor, eternamente!
(Sílvio de Almeida, 3 de setembro de 1890, publicado no livro "Encontros Poéticos - poesia, amor e vida", 2023, pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo)

II
Dois versos de Sílvio de Almeida:

Porque na morte é que termina tudo,
E dizem que também tudo começa!
(Sílvio de Almeida)

(A cadeira número 16 foi ocupada por Milton Reis, falecido, e hoje tem o acadêmico Mayke Riceli como ocupante.)

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                          MARIA CLARA DE CUNHA SANTOS               ...
16/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
MARIA CLARA DE CUNHA SANTOS
(PATRONA DA CADEIRA NÚMERO 15)

Maria Clara de Cunha Santos nasceu em Pelotas, em 1866, mas logo mudou-se para Minas Gerais, de onde sua mãe era nativa e seu pai atuava como juiz. Foi ali, em Pouso Alegre, com a amiga e prima Presciliana Duarte de Almeida, que ela participou da produção de um jornalzinho manuscrito chamado O Colibri, uma das primeiras experiências da autora com a escrita. (Fonte: Luiza Antunes, Site "360 medidianos").
Desde cedo, mostrou vocação para as artes. Destacou-se como exímia pianista e compositora de reais méritos, e na poesia como declamadora e poetisa de fina sensibilidade.
Pertencia à Aliança Literária de Pouso Alegre, sociedade cultural que incentivava as artes e a cultura.
Em colaboração com sua prima, Presciliana Duarte de Almeida, também patrona de nossa Academia, publicou o livro de versos "Pirilampos e Rumorejos".
Tinha a alcunha (apelido) de "Mimosa", bem de acordo com a sua rara beleza e talentos artísticos.
De vontade forte, inteligente e decidida, lutou pela emancipação dos escravos, saindo às ruas pregando seus ideais e angariando fundos para comprar alforrias, durante a campanha abolicionista em nossa terra, em 1887.
Colaborou com inúmeros escritos para a revista "A Mensageira", criada e dirigida por Presciliana Duarte de Almeida, em São Paulo, que circulou de 1897 a 1900. ( "A Mensageira" foi uma revista literária dedicada à mulher brasileira.)
Além de sua luta pela libertação dos escravos, Maria Clara também defendeu e emancipação feminina e é considerada uma crítica de arte do século XIX.
Faleceu no Rio de Janeiro, ainda jovem (45 anos), em 1911.

I

Uma pequena crônica da escritora, para a revista "A Mensageira":

Um sábio alemão acaba de prognosticar que o mundo terá fim no dia 13 de novembro próximo futuro. Esse vaticínio tem feito mal a muita gente, que anda nervosa e apreensiva.
A mim... não me abala. Com o gênio comunicativo e alegre que tenho, confesso que não me desagradaria este fim trágico e divertido.
Todos juntos, que barafunda, Santo Deus!!
Seria uma verdadeira festa fim de século e sobretudo muito original.
O Doutor Cruls* afirma que haverá apenas uma notável chuva de estrelas cadentes.
No dia 14 de novembro, não haverá mais dúvidas a respeito e nós teremos então verificado qual disse a verdade, se o sábio da Alemanha, se o sábio do Rio de Janeiro. (Maria Clara da Cunha Santos, revista "A Mensageira", 1898)

* Louis Ferdinand Cruls (Diest, 21 de janeiro de 1848 – Paris, 21 de junho de 1908) foi um astrônomo e geodesista belga que trabalhou a maior parte de sua vida no Brasil, onde se tornou conhecido como Luís Cruls. (Wikipédia)

II

Trecho extraído de uma crônica de Maria Clara sobre a exposição da Escola ao ar livre, de 15 de novembro de 1897:

A maneira do Sr. Cautanheda interpretar a natureza é bem diversa da de seu professor. Assim é que eu compreendo o talento de um artista. Abomino a rotina que entendia que o aluno seria a continuação de seu mestre! Cada um deve pintar como sente, como compreende e como vê a Natureza – a grande mestra. (Santos, 1987a, p. 36- 37)
(Informações encontradas no estudo de Ana Cláudia de Moura Cabral "Desejo pelo “moderno” na arte brasileira: uma análise dos escritos de Maria Clara da Cunha Santos de 1897 a 1900.)

(A cadeira número 15 é ocupada, desde a fundação da APL, por Maria Aparecida Perina Francescatto)

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                                  JORGE BELTRÃO                  (PA...
16/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
JORGE BELTRÃO
(PATRONO DA CADEIRA NÚMERO 14)

Jorge Beltrão nasceu em Varginha, em 1902.
Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Niterói, em 1930. Foi professor no Colégio Brasil, de Niterói, diretor do Col-Egions. Vitórias, em Cordeiro, RJ.
Foi autor de vários trabalhos sobre Direito, convidado para proferir palestras sobre variados assuntos de interesse nacional.
Foi escritor, poeta, trovador, membro de várias Academias de Letras pelo país.
Cidadão carioca e pouso-alegrense.
Comendador da Ordem "Brigadeiro Vieira Couto de Magalhães", Juiz Municipal de Cambuquira, Juiz de Direito da comarca de Pouso Alegre, fundador da Arcádia de Pouso Alegre.
Foi membro da Academia Sul-Mineira de Letras.
Teve obras literárias publicadas, dentre as quais "Meu Brasil" (Verso) e "Cantigas" (Trova)
Foi um dos fundadores, professor e diretor da Faculdade de Direito do Sul de Minas, em Pouso Alegre, MG.
Faleceu em 1987.
(Informações do livro "Pouso Alegre Através dos Tempos - Sequência Histórica" pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, sob a coordenação de Alexandre de Araújo, e Câmara Municipal)

Algumas trovas de Jorge Beltrão:

I
Vitória é nunca chorar
Ter a vida em esplendor;
A felicidade achar
No carinho de um amor!...

II
Eu de saudade chorando
Numa sombra adormeci
E soube que estava amando
Porque em meu sonho te vi.

III
Trova é um grito popular
Que traz tanta devoção;
É a própria vida a cantar
Na festa do coração!...

IV
O amor é flor sem perfume
Que floresce com a mulher,
Só ela lhe pode dar
O perfume que quiser.

(A cadeira número 14 foi ocupada, na época de fundação de APL, por José Aprygio Nogueira, falecido. Hoje é ocupada por Conceição Aparecida Carvalho de Assis.)

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                                            DOM NERY                ...
13/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
DOM NERY
(PATRONO DA CADEIRA NÚMERO 13)

João Baptista Corrêa Nery nasceu em Campinas, SP, em 1863.
Recebeu os primeiros ensinos em escolas públicas, servindo como acólito na matriz de Santa Cruz.
Ingressou no seminário de São Paulo em 1880. Jovem, aos 17 anos de idade, revelou seus dotes pelas artes cênicas, escrevendo o drama “Pai e Filho”. A sensibilidade artística, especialmente o teatro, o distinguiu durante toda a vida e fez dele, já nos tempos de seminário, um grande orador.
Foi ordenado presbítero por Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, então Bispo de São Paulo, em 11 de abril de 1886.
Foi o primeiro bispo das Dioceses do Espírito Santo, Pouso Alegre e Campinas,
Em 20/07/1901, Pouso Alegre recebe a bênção de Dom Nery, como seu primeiro bispo, A recepção foi estrondosa.
Dom Nery impunha-se pela elegância, simplicidade, sem afetação.
Foi um orador de grande eloquência, com uma vivência cheia de trabalhos e abnegações, norteada sempre para a mais pura caridade.
Trouxe grandes benefícios para Pouso Alegre.
Faleceu em 1920.
(Fontes: a) "Pouso Alegre através dos Tempos - Sequência Histórica", pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, sob a coordenação de Alexandre de Araújo, e Câmara Municipal b) Site: Arquidiocese de Campinas)

Trecho da carta pastoral de D. João Baptista Corrêa Nery, saudando aos seus Diocesanos, no dia de sua sagração como primeiro bispo do Espírito Santo, em 1896:

"Ao Clero e Povo da Diocese do Espírito Santo saúde, paz e bênção em Nosso Senhor Jesus Cristo.

... Não desconhecemos as grandes dificuldades, inerentes às novas dioceses; sabemos de deficiência de obreiros do Senhor nessa importante zona; conhecemos a humilde posição, que por escassez de recursos, terá talvez o Bispo dessa Diocese; nada disto, porém, nos desanima.

Muito confiado nas luzes do Espírito Santo e contando com a sua especial proteção, colocado sob o manto protetor de Maria Auxiliadora, guia constante de nossos passos, aceitamos, caros irmãos e filhos muito amados, a direção de vosso destino religioso, não como uma posição de honra, mas sim como um posto de sacrifício. Como o Divino Mestre nós também, ao assumir a Diocese do Espírito Santo, vos poderemos dizer: Non veni ministrari, sed ministrare. (Vim não para ser servido, mas para servir.)

Não vamos buscar o vosso ouro, nem as vossas riquezas; não pretendemos comodidades nem regalias; vamos apenas ensinar-vos o verdadeiro caminho da paz e da felicidade, procurar quanto nos seja possível, imitar a terna e paternal solicitude de Nosso Senhor Jesus Cristo em benefício das almas..." (Dom João Baptista Corrêa Nery)
(Fonte: BPES – Repositório Digital da Biblioteca Estadual do Espírito Santo)

A cadeira número 13 foi ocupada, na fundação da APL, por Lafayete Galvão, depois por Déa Márcia Simões Beraldo e atualmente por Fernando Henrique do Vale.

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS            MONSENHOR ANTONIO FURTADO DE MENDONÇA                   ...
11/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
MONSENHOR ANTONIO FURTADO DE MENDONÇA
(PATRONO DA CADEIRA NÚMERO 12)

Antonio F. de Mendonça nasceu em Pouso Alegre, em 1889.
Em 1908, concluiu o curso de Humanidades. Em 1909, iniciou o curso de Filosofia na Faculdade de Filosofia de São Paulo.
Continuou seus estudos sacerdotais nos seminários de São Paulo e Campinas, sendo ordenado em 1914.
Foi professor em São Paulo e Campinas.
Foi secretário particular de D. Nery em Campinas.
Em 1916, regressou a Pouso Alegre, onde exerceu os cargos de secretário do bispado e cura da catedral.
Em 1918, foi nomeado Cônego Catedrático.
Em 1925, recebeu o título de Monsenhor.
Foi inspetor de ensino escolar de 1919 a 1926.
Foi professor do seminário, do colégio São José e da Faculdade de Direito do Sul de Minas.
Fundou a Vila Vicentina em Pouso Alegre.
Jornalista, poeta, escritor, colaborou em jornais da cidade.
Foi um cultor rigorosa do idioma pátrio.
Faleceu em 1967.
(Informações extraídas do livro "POUSO ALEGRE ATRAVÉS DOS TEMPOS - SEQUÊNCIA HISTÓRICA" , pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, coordenação de Alexandre de Araújo, e Câmara Municipal de Pouso Alegre)

A cadeira número 12 teve como ocupantes Octávio Miranda Gouvêa (fundação da APL), Eduardo Fortes Chibeni Ramos, sendo ocupada hoje pela acadêmica Magda Helena Gomes Teixeira.

Um soneto de Antonio Furtado de Mendonça:

SIÁ MARIA

Era tão expressiva aquela voz, aquela
Que tanta vez soou e me bateu à porta.
Que me parece estar ainda a ouvi-la e vê-la,
A ceguinha infeliz há tanto tempo morta!

A resignação tão sua a imitar me exorta,
Numa atitude assim simpática e tão bela,
Que prontamente acalma, anima e me conforta,
Prontamente minh'alma em meio da procela!

Ouço-a falar então e vejo-lhe a postura
De he***na invulgar no apogeu do martírio.
No martírio maior que atinge a criatura;

E ainda sorri para me consolar!
E seu sorrir em flor, em flor leva-me ao empíreo,
E o céu se me afigura em seu hórrido olhar!...
(Antonio Furtado de Mendonça, jornal A Cidade, 1936)

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                                        TUANY TOLEDO                ...
10/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
TUANY TOLEDO
(PATRONO DA CADEIRA NÚMERO 11)

Tuany Toledo nasceu em Congonhal, em 1893 e faleceu em Pouso Alegre, em 1985.
Como farmacêutico, de 1913 a 1936, dedicou-se a atividades comerciais, sendo um profissional meticuloso e competente.
Residiu em Pouso Alegre a partir de 1936.
Em Congonhal, como político, exerceu vários cargos públicos, sendo eleito vereador distrital em vários pleitos, distribuindo vários benefícios como abastecimento de água, luz elétrica, prédio escolar e a igreja.
Foi inspetor escolar, cooperando moral e materialmente para o desenvolvimento de ensino.
Em Pouso Alegre, foi eleito Presidente da Câmara, em 1936, e Prefeito Municipal em 1937.
Militante no jornalismo em Pouso Alegre, foi inscrito como sócio da ABL. Fundou "O Município", em 1938, atuando brilhantemente na defesa dos interesse do povo, com ideias profundamente democráticas.
Recebeu o Título de Acadêmico do Ateneu e o "Colar Cunhãbebe", pelos elevados méritos.
Foi jornalista e historiador de rara sensibilidade.
Foi também exemplo edificante no campo da educação.
(Informações extraídas do livro "POUSO ALEGRE ATRAVÉS DOS TEMPOS - SEQUÊNCIA HISTÓRICA" , pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, coordenação de Alexandre de Araújo, e Câmara Municipal de Pouso Alegre)

A cadeira número 11 da APL é ocupada, desde sua fundação, por Antônio Lopes Neto.

Excerto do texto "O VALOR DA MÚSICA", de Tuany Toledo, publicado no jornal A LIRA:

Se a arte é o "sal da terra", como dizem, a música é o sal das artes. Realmente, não há festa religiosa ou profana, nem exposição de pintura ou de escultura, nem reunião de caráter literário em que não haja um pouco de música para dar tempero, graça, entusiasmo e alegria. É verdade que a poesia canta todas as artes, mas a música sempre está presente para dar mais vida e mais calor às impressões artísticas. É que a música enfeita todas as artes, porque nela cabem todas as emoções. (Tuany Toledo, A Lira, 1956)

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                        PRESCILIANA DUARTE DE ALMEIDA               ...
07/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
PRESCILIANA DUARTE DE ALMEIDA
(PATRONA DA CADEIRA NÚMERO 10)

Presciliana Duarte de Almeida (1867-1944) foi poetisa, escritora, autora de literatura infantil e de peças de teatro para escolares. Nasceu em Pouso Alegre, em 3 de junho de 1867. Faleceu em Campinas, em 13 de junho de 1944.
Publicou:
POESIAS: Rumorejos (1890); Sombras (1906); Vetiver - Poesias de vários tempos (1939)
OBRAS ESCOLARES: Páginas Infantis (1908); O Livro das Aves (1914)
REVISTAS INFANTIS: Aurora (1903-1904); Alvorada (1909)
JORNAIS E REVISTAS: O Colibri - manuscrito com colaboração de sua prima Maria Vilhena de Cunha Santos - 1886 a 1890; A Mensageira (1897 a 1900) - revista literária dedicada à mulher brasileira; Sul Mineiro; A Cidade; Revista Caiaca; Almanaque Brasileiro Garnier; A Estação (1889-1893); Rua do Ouvidor (1898-1901); Revista da Semana (1893); Tribunal Liberal; A Família; Diário Popular; O Lutador (1892); Educação (1902).
Sua trajetória poética foi marcada pela estética parnasiana da época, quanto à forma, e com retórica romântica, no conteúdo. Apresenta, por vezes, leves vestígios do Modernismo.
Foi a primeira mulher a integrar a Academia Paulista de Letras.

Maria Eunice Duarte Cheberle, nossa presidente-de-honra, ocupa a cadeira número 10 desde a fundação da APL.

DOIS POEMAS DE PRESCILIANA:

I
IDEAL

Entre a dolência acérrima e chorosa
De um sentimento infindo,
Vive a minh'alma - a lira suspirosa,
Que chora, muita vez, cantando e rindo!

Nem me bastara a luz de teu sorriso,
Nem todo o teu amor!
Eu quisera um doirado paraíso,
Onde eu fosse o teu único esplendor!

Quisera uma avenida perfumada
De flores odorantes,
Onde eu brilhasse mais que a madrugada
Aos teus olhares meigos, fascinantes!

Quisera ser o riso, o alento, a aurora,
A luz do teu viver,
Ser tudo o que tua alma aspira e adora,
Anjo da noite e flor do alvorecer!
(Pouso Alegre, 13 de novembro de 1890)

II
EM MINHA TERRA

Não queria morrer sem ver-te ainda!
Carta de liberdade tiro agora...
Um bem-te-vi das árvores me brinda!
Olhar me vejo a rutilante aurora!

Sou eu! A mesma amiga do passado;
O corpo muda, mas a mente nunca!
Nossa alma é o céu profundo e constelado
Que de clarões de sóis os sonhos junca....

Bendita sejas, minha terra linda!
Bendita pelo amor com que te amo!
Não te parece um sonho minha vinda?
Não encontras meu pranto em cada ramo?

Não me deixes ficar mais tantos anos
Sem que teu solo abençoado pise,
Sem que contigo chore os desenganos
E as saudades amargas amenize!

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS                                 AMADEU DE QUEIROZ                  ...
03/10/2025

A ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS E SEUS PATRONOS
AMADEU DE QUEIROZ
(PATRONO DA CADEIRA NÚMERO 9)

Amadeu de Queiroz nasceu em Pouso Alegre em 25/03/1873.
Aos 20 anos, tornou-se sócio do pai na Farmácia Queiroz.
Como farmacêutico, teve contato com a população rural e essas experiências foram, mais tarde, reunidas em sua obra.
Em 1893, publicou as primeiras poesias e histórias em jornais de Minas e de São Paulo.
Em 1899, passou a se envolver em política.
Em 1916, mudou-se com a família para São Paulo, fugindo de perseguições políticas. Lá se dedicou à literatura e tornou-se conhecido nacionalmente.
Publicou seus trabalhos em jornais e revistas de São Paulo. A drogaria Baruel, onde ele trabalhava, passou, então, a ser frequentada por jovens escritores para discutir literatura, pedir conselhos e ouvir as histórias do mestre Amadeu.
Em 1924, escreveu o primeiro romance, publicado em 1927, com o título “Praga de Amor”. A edição se esgotou em seis meses.
Foi eleito para a Academia Paulista de Letras, em 1955, mas não tomou posse, pois faleceu no dia 28 de outubro, aos 82 anos.

Algumas obras de Amadeu de Queiroz: Praga de Amor (romance), Pouso Alegre e sua Imprensa (estudo histórico), O Senador José Bento (estudo histórico), Josias do Timboré (romance), dos 7 aos 77 (memórias), Os Casos do Carimbamba (contos).

(O Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, sob a direção de nosso acadêmico Mayke Riceli, em Pouso Alegre, mantém um rico acervo referente a Amadeu de Queiroz. Esse material foi doado ao Museu pela filha de Amadeu, Margarida Queiroz.

A equipe do Museu, com a Câmara Municipal de Pouso Alegre, publicou, em 2019, o romance “Josias do Timboré”, primeira edição, a partir do manuscrito original do romance, doado por Margarida Queiroz ao Museu, sob a direção de seu fundador, Alexandre de Araújo.)

Excerto de Josias do Timboré:

“Eu sou como aquelas casas cuja construção foi interrompida logo a princípio, por desistência, embargo ou falta de dinheiro. Uma parede levantada à meia altura, outra mais baixa, outras iniciadas. Resto ou começo, coisa que não se sabe se foi ou se deixou de ser.
Mas os que passam aí fora e lançam um olhar para esta lojinha veem apenas um negociante magro, esperando, como quem pesca, com anzol, o freguês que o acaso lhe traga, ou um sujeito sentado, de pernas cruzadas, balançando a de cima compassadamente. Para esses que olham e não enxergam, o balancear de minha perna tanto poderá ser o acompanhamento da pachorra como o vaivém do cochilão. Não sabem eles que é o pêndulo que me comunica e me regula o movimento das ideias, quando o espírito e as recordações me levam para as descompassadas regiões do imaginário, onde mal chega, de quando em quando, a luz baça da minha candeia sem óleo, próxima a apagar-se.” (Josias do Timboré”, Amadeu de Queiroz)

(Informações obtidas no livro “Josias do Timboré”, publicado, em 2019, pela equipe do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo e a Câmara Municipal)

A cadeira número 9, do patrono Amadeu de Queiroz, foi, incialmente, ocupada por Marçal Etienne Arreguy. Hoje, tem como ocupante nossa Presidente-Executiva Maristela Saponara Corrêa.

03 DE OUTUBRO - ANIVERSÁRIO DA APL  (1992....2025)33 anos de literatura, muita arte, promoção da palavra e do espírito a...
03/10/2025

03 DE OUTUBRO - ANIVERSÁRIO DA APL (1992....2025)
33 anos de literatura, muita arte, promoção da palavra e do espírito acadêmico. Rica trajetória de homenagens a grandes vultos de nossa terra, Minas Gerais e do Brasil.
Saraus, trocas de experiências, pesquisas históricas, publicações, lançamentos de artistas e escritores da prosa e da poesia. Trabalho incansável de defesa da língua pátria. Muito diálogo e solenidades memoráveis para guardar na lembrança.
UM VIVA AO TRIGÉSIMO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA POUSO-ALEGRENSE DE LETRAS.

Endereço

Praça Senador José Bento
Pouso Alegre, MG
37550-035

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