02/07/2026
Na década de 1920, como observa Santos (2009), havia um déficit habitacional muito grande e o próprio governo da província autorizava as construções nos morros. Em 1927, a lei municipal 595 permitia a construção de casas de madeira em áreas de periferia desde que elas não fossem visíveis das áreas mais nobres da cidade localizadas no Centro. As plantações também eram permitidas na “zona suburbana” a partir de 100 metros das ruas do limite do perímetro, dessa forma, era possível plantar nas vertentes dos morros.
Nessa época, havia ainda uma diretoria de higiene que inspecionava as moradias. Todas as casas reformadas, alugadas ou fechadas do Centro deveriam passar pela inspeção e caso não estivessem de acordo com os padrões exigidos, deveriam ser feitos reparos e reformas para melhoramentos sanitários. Segundo Santos (2009), essas medidas fizeram com que muitos moradores largassem os cortiços para irem morar nos morros e com isso, ficarem livre das multas e dos aluguéis.
Nessa cidade que se remodela, há uma intensa preocupação com o progresso e nesse sentido é relegado à população mais pobre um lugar de invisibilidade. Como observa Hartog (2006), o século XX foi o que mais invocou a noção de futuro e em nome dele justificou uma série de ações, inclusive de intervenções urbanas. Segundo o autor, no século XX ampliou-se também a noção de presente. Um presente massivo que “fabrica cotidianamente o passado e o futuro do qual ele tem necessidade”.