11/06/2026
*SEL CMPA - 114 anos de história*
A Associação dos Amigos do Casarão da Várzea (AACV/APM-CMPA) tem a grata satisfação de cumprimentar a Sociedade Esportiva e Literária (SEL), órgão estudantil do CMPA e parceira de incontáveis iniciativas, pelos 114 anos de profícua existência.
No dia 11 de junho de 1912, a entidade foi fundada com o nome de Sociedade Cívica e Literária. O início de suas atividades se deu, porém, somente no dia 07 de setembro daquele ano.
Esse nome permaneceu até o ano de 1940, quando foi alterado para Sociedade Esportiva e Literária (SEL). Os motivos para tanto foram publicados na Revista Hyloea daquele ano: "Em virtude de um acréscimo em suas finalidades e tendo em vista que o nome de uma sociedade deve expressar, em síntese, ao que ela se destina, resolveu a Assembleia Geral reunida em 10 de setembro findo, aprovar os novos estatutos nos quais mudou-se o nome de então para o de Sociedade Esportiva e Literária". Nessa época, o Velho Casarão da Várzea já sediava, há um ano, a Escola Preparatória de Cadetes que, dois anos após, seria renomeada como Escola Preparatória de Porto Alegre.
No ano de 1953, a entidade trocou de nome, transformando-se em Sociedade Pré-Acadêmica Militar (SPAM). Isso foi feito para ajustar sua denominação à de sua congênere na Academia Militar das Agulhas Negras, que se chamava Sociedade Acadêmica Militar (SAM).
Com o retorno do CMPA, em 1962, voltou também a SEL, que permanece até hoje. Nesse ano, a primeira diretoria tomou posse no dia 24 de maio, sob a presidência do aluno Otelo José da Costa Ortiga.
A partir do início do Séc. XXI, a SEL passou a ter um autoapelido, escolhido por seus integrantes quando da campanha eleitoral: "SEL dos 100 Anos", "SEL Dinâmica", "SEL Qualidade e Inovação", "SELVA 2022", "SELL-E 2023", "SEL ERA 2024", "SEL VIVA 2025" e vários outros.
*Curiosidade histórica*
Em 1923, o presidente da Sociedade Cívica e Literária era o aluno Adalberto Pereira dos Santos, que, em 1974, tornar-se-ia Vice-presidente da República. Na edição de setembro de 1923, a redação da Hyloea fez uma apologia à Sociedade Cívica e Literária com as seguintes palavras:
(Grafia da época) "Onze anos já lá se vão que, entre as quatro parede deste Collegio, surgiu uma plêiade de jovens fortes, francos e decididos, os quaes, no anceio da esperança que os dominava, pondo acima dos interesses pessoaes os interesses da Pátria, fundaram, em Junho de 1912 e inauguraram a 7 de Setembro do mesmo anno, a Sociedade Cívica e Literária, para incluir no seio esperançoso da infancia o amor á Pátria e á Liberdade.
Foi seu primeiro presidente o snr. Tte. Fernando Pires Besouchet o qual não poupou o seu esforço em pról do progresso da sociedade que presidia. Fundada que foi, a C. e Literária era vista com maus olhos por esses espíritos que não sabem comprehender os desvaneios da mocidade. Mas a semente, lançada entre os escolhos, demora, custa, mas vinga, brota e floresce.
E hoje que a nossa Sociedade comemora mais uma escalada na encosta da vida é bem de ver o seu sensível progresso e desenvolvimento. Os nossos Mestres, sempre prontos a nos guiarem na estrada espinhosa que seguimos, não nos abandonam nunca e haja vista a fineza e carinho com que sempre nos têm orientado.
Este anno, tendo na presidência o snr. Adalberto P. dos Santos, foi realisado o mais concorrido Concurso Literário.
Trabalhemos, pois, para a C. e Literária. Caminhemos com fé e com esperança, por que a esperança não morre; a esperança é o amanhã, é o futuro; a esperança é o "até logo" agitado", é o manto das chimeras, é o lenço auri-alvi-verde a nos acenar pela janella do futuro.
Si o bafejo das cousas adversas nos vier açoitar, não esmoreçamos nunca. Prosigamos com fé; fé na grandeza futura da nossa Sociedade; fé na grandeza futura da nossa Pátria; fé na grandeza das nossas Esperanças.
Trabalhemos para o nosso Brasil, para a 'gloria da sua grandeza e para a grandeza da sua gloria'. E como um imposto de tudo o que sente a nossa alma Excutienda damus praecordia".
*Revista Hyloea - órgão oficial da Sociedade Cívica e Literária*
A revista Hyloea (em algumas edições: Hiléia) foi fundada em 1922, como órgão oficial da Sociedade Cívica e Literária. Seu primeiro presidente foi o aluno Heraclides Fontela e teve como diretores e colaboradores alunos que, mais tarde, viriam a ser grandes expressões na vida pública nacional, como Mario Quintana, Vasco Prado, Jarbas Passarinho, Henrique Beckmann Filho, Adalberto Pereira dos Santos, Dirceu Araujo Nogueira e muitos outros.
É relevante ressaltar que a primeira publicação das poesias de Mário Quintana e das gravuras de Vasco Prado foi feita nas páginas da revista Hyloea, em 1922 e 1933, respectivamente.
Nota: as imagens das personalidades são apenas representativas.