Professor Gadini

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Jornalista, doutor em Comunicação, professor, extensionista e pesquisador da UEPG, escritor, colaborador e voluntário na organização de movimentos sociais e populares (sem fins lucrativos) por condições de Vida, Trabalho e Dignidade Humana!

Feliz Dia do/da Estudante! 👏
12/08/2026

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10/08/2026

Você votaria em candidato (vereador) que aprova aumento do próprio salário acima da inflação e sem explicação pública? Prepare-se!

  📖"Colección IIGG-Agencia I+D+i  📖📖 El sur también existeDesigualdades urbanas y ambientales persistentes, comunidades ...
10/08/2026

📖

"Colección IIGG-Agencia I+D+i 📖📖 El sur también existe
Desigualdades urbanas y ambientales persistentes, comunidades resistentes
María Cecilia Zapata y Soledad Fernández Bouzo (editoras)

📝 La ciudad es un territorio en disputa. Hay conflictos y negociaciones. Los procesos de metropolización configuraron nuevos problemas territoriales y ambientales que desnudaron el carácter extractivista de la producción de la ciudad y del hábitat. Las lógicas de acción de los distintos actores sociales, económicos y políticos son distintas y están atravesadas por intereses diversos.
En este marco, El sur también existe. Desigualdades urbanas y ambientales persistentes, comunidades resistentes se pregunta, entre otras cosas, ¿cómo se configuran las disputas por el suelo urbano y sus usos en el corredor litoral sudeste del conurbano bonaerense? ¿Qué rol juegan el ambiente, la especulación inmobiliaria, las desigualdades socio-territoriales, etc.?
La obra, que se inscribe en el campo de los estudios urbanos y ambientales, busca comprender los efectos de las disputas en la configuración territorial del área (local y metropolitana) y la producción de desigualdades socio-territoriales en el período 2003-2020. Los diferentes capítulos ofrecen una visión multifacética de las complejas dinámicas urbanas y ambientales en el AMBA, con un enfoque particular en Quilmes y Avellaneda, donde se observa una convergencia en la identificación de la urbanización informal como un proceso generador de profundas desigualdades socio-territoriales y ambientales.
El sur también existe. Desigualdades urbanas y ambientales persistentes, comunidades, además, es fruto del esfuerzo colectivo entre el sistema científico nacional, la universidad pública, organizaciones sociales de base y los habitantes del territorio."

Acceso 👉 https://repositorio.sociales.uba.ar/items/show/4733

Fonte: Instituto de Investigações Gino Germani, 9/08/2026.

Roberto Leher defende autonomia e financiamento das Universidades Públicas, inclusive as Estaduais do Paraná, sem arroch...
06/08/2026

Roberto Leher defende autonomia e financiamento das Universidades Públicas, inclusive as Estaduais do Paraná, sem arrocho salarial!

As Universidades Públicas brasileiras precisam de investimento planejado e não de emenda parlamentar para um projeto ou outro isolado. "Quem paga a conta de energia para um novo laboratório de pesquisa? Empresas e também a agricultura têm programas de apoio para custear energia, mas porque a Universidade precisa pagar a conta integral da energia consumida, como se fosse uma residência particular?".

A reflexão é do ex-reitor da UFRJ e ex-presidente do Andes/SN, Roberto Leher. A íntegra da fala e as respostas aos questionamentos de professores que participaram do debate está disponível no link abaixo. O evento foi organizado pelo Comando Sindical Docente (CSD) das seções sindicais das Universidades Estaduais do Paraná, com apoio do Sindiprol/UEL e Andes/SN.

Tribunal Superior Eleitoral divulga mapa preliminar de quem são os/as candidatos/as às eleições de 4 de outubro/2026. Co...
06/08/2026

Tribunal Superior Eleitoral divulga mapa preliminar de quem são os/as candidatos/as às eleições de 4 de outubro/2026. Confira algumas discrepâncias entre o perfil populacional na República e as inscrições até agora registradas no TSE.
A arte é da reportagem da CNN Brasil, 6/08/26.

📚🏆 DITADURA MILITAR | Obra do historiador Jacob Blanc recebeu o principal prêmio da Academia Canadense para estudos sobr...
06/08/2026

📚🏆 DITADURA MILITAR | Obra do historiador Jacob Blanc recebeu o principal prêmio da Academia Canadense para estudos sobre América Latina e Caribe.

Leia a notícia no H2FOZ!

06/08/2026

"Conheça o homem que os EUA querem como embaixador de Trump no Brasil: um advogado lobista ligado a interesses privados, sem nenhuma relação com a diplomacia de carreira" (Leandro Demori, 5/08/2026).

Indicado de Trump ao Brasil advogou para emissora que espalhou desinformação eleitoral

Por Paulo Motoryn, 5 de agosto/2026

Declaração financeira de Daniel Perez indica pagamentos de empresas como a Newsmax, que difundiu desinformação sobre a eleição dos EUA, e o Airbnb, hoje no centro de disputas regulatórias no Brasil.

"Eu imagino que você tenha lido que, nesta terça-feira (4), o governo Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo a imprensa, a medida ocorreu em resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément — autorização diplomática necessária para a nomeação de embaixadores — a Daniel Perez, escolhido pela Casa Branca para comandar a Embaixada dos EUA em Brasília. É, sem dúvida, um dos episódios mais preocupantes da escalada de tensão entre os dois países às vésperas das eleições presidenciais brasileiras.

Poucas horas após a divulgação da revogação do visto, o jornalista João Paulo Charleaux, que tem ótimo trânsito no Itamaraty e acesso a fontes diplomáticas extremamente graduadas, escreveu no UOL que Brasil fez “corpo mole” para aprovar a indicação de Daniel Perez porque o nome dele foi anunciado por Trump antes das consultas diplomáticas de praxe. Não duvido de sua apuração. Pelo contrário. Mas, depois que li sua reportagem, fiquei curioso para entender, em detalhes, quem é o homem escolhido para representar os Estados Unidos no Brasil.

Em algumas horas de pesquisa, descobri informações que jamais circularam na imprensa brasileira, apesar de amplamente reportadas nos EUA. Pela urgência do tema, mudei meu plano original e escolhi esta brevíssima reportagem para inaugurar a newsletter 'Noites Húngaras'. Faço isso porque está cada vez mais evidente que a eleição presidencial deste ano não é uma disputa entre o presidente Lula e seu principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro. Mas, sim, entre Brasil e Estados Unidos. Portanto… Vamos aos fatos.

Quem é (e a quem serve) Daniel Perez?

É verdade que uma busca rápida no Google mostra que não faltam textos com o título “Quem é Daniel Perez” em sites do Brasil. No entanto, quase todos eles se limitam a reproduzir informações biográficas básicas sobre o presidente da Câmara dos Representantes da Flórida e a observar que sua indicação para a embaixada foge ao perfil tradicional de um diplomata. Pouco, porém, é dito sobre sua atuação como advogado, seus clientes privados ou os interesses econômicos e políticos que cercaram sua carreira — justamente os aspectos mais relevantes.

Advogado e uma das principais lideranças republicanas do estado, Perez conciliou durante anos a presidência de uma das Casas Legislativas mais importantes dos Estados Unidos com uma intensa atividade na advocacia privada. Segundo uma declaração financeira apresentada durante seu processo de indicação ao cargo no Brasil, Perez recebeu cerca de US$ 1,1 milhão por sua atividade privada no último ano. Entre os clientes listados no documento, estão empresas envolvidas em temas politicamente sensíveis tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, como a emissora ultraconservadora Newsmax e a plataforma Airbnb.

O formulário identifica todas as empresas que pagaram mais de US$ 5 mil ao advogado nos dois anos anteriores à nomeação, mas não informa quais serviços jurídicos foram prestados nem se a atuação estava relacionada a assuntos perante o governo da Flórida. Em resposta à imprensa norte-americana, Perez afirmou que sua atividade profissional esteve restrita a transações entre empresas privadas e a assuntos fora do estado da Flórida.

Cliente espalhou mentiras sobre a eleição

Entre os clientes privados de Perez está a Newsmax, canal de televisão ultraconservador que se tornou um dos principais difusores das falsas alegações de fraude eleitoral após a derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020. A emissora foi processada pela Smartmatic, empresa fornecedora de tecnologia eleitoral, que alegou ter sido falsamente acusada de manipular a votação americana. Em 2025, a Newsmax concordou em pagar US$ 67 milhões para encerrar o caso.

A declaração financeira não informa se Perez participou de qualquer caso relacionado ao litígio ou às alegações sobre a eleição. O único dado conhecido é que a empresa figurava entre seus clientes privados.

AirBnB enfrenta desafios no Brasil

Outro nome listado no documento é o Airbnb, empresa que tem interesses bilionários em jogo no Brasil. A plataforma acompanha diretamente discussões regulatórias relevantes no Brasil. Em maio deste ano, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, o STJ, decidiu que a exploração econômica de imóveis por meio de plataformas digitais pode depender da aprovação de dois terços dos condôminos quando houver alteração da destinação residencial do edifício.

O Airbnb participou do julgamento como terceiro interessado, defendendo que a locação por temporada não deve ser equiparada à atividade hoteleira. Além desse julgamento, seguem em discussão no país propostas envolvendo tributação, regras para aluguel de curta duração e regulamentação das plataformas digitais, temas com impacto direto sobre o modelo de negócios da empresa.

Política como balcão de negócios

A declaração financeira também mostra que a maior parte da renda anual de Perez vinha da advocacia privada. Aproximadamente três quartos dos rendimentos declarados tiveram origem no RHF Law Firm, escritório especializado em litígios empresariais, direito eleitoral, ética pública e compras governamentais. Perez também declarou remuneração como advogado da Doctors HealthCare Plans, operadora privada especializada em planos de saúde.

Seu salário como presidente da Câmara da Flórida representou menos de 4% da renda anual declarada. Como parte do processo de confirmação para a embaixada, Perez assinou um compromisso ético informando que deixará o RHF Law Firm, encerrará a representação de clientes privados e se comprometerá a não participar, por pelo menos um ano, de decisões diplomáticas diretamente relacionadas a antigos clientes.

Doadores ligados a empresas com atuação no Brasil

Registros públicos de financiamento eleitoral que consultei mostram que Perez recebeu contribuições de grandes empresas e entidades empresariais americanas durante sua carreira política.

Entre os principais financiadores estão a Comcast, gigante dos setores de telecomunicações e mídia; a Disney, conglomerado de entretenimento e dona da ESPN; a Duke Energy, uma das maiores companhias de energia dos Estados Unidos; a Cemex, multinacional da indústria de cimento e materiais de construção; e a United States Sugar Corporation, uma das maiores produtoras de açúcar do país.

Embora não haja evidências públicas de que essas empresas tenham sido clientes de Perez ou do RHF Law Firm, parte delas possui operações relevantes ou interesses econômicos no Brasil, especialmente nos setores de mídia, energia, infraestrutura e entretenimento.

Os representantes de Washington em Brasília

Filho de imigrantes cubanos e eleito pela primeira vez para a Câmara da Flórida em 2017, Perez construiu sua carreira como uma liderança republicana tradicional, distante do perfil diplomático normalmente associado ao cargo que deverá ocupar. Não há nenhum registro público de experiência profissional ligada ao Brasil ou à diplomacia. Durante o processo de indicação, em audiência no Senado, evitou responder ao Miami Herald se fala português.

Há poucos meses, ainda no Intercept Brasil, escrevi sobre Darren Beattie, o ideólogo trumpista escolhido para supervisionar a política dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Naquele momento, o foco do que escrevi era a evidente afinidade ideológica entre setores da administração Trump e a extrema direita brasileira. O caso de Daniel Perez acrescenta uma nova camada a essa história.

Se Beattie simboliza a guerra cultural e política, Perez representa também a dimensão econômica dessa estratégia. Sua trajetória mostra que o homem escolhido para chefiar a Embaixada em Brasília não chega apenas cercado por vínculos com o trumpismo, mas também por relações profissionais com empresas que possuem interesses concretos em temas hoje debatidos no Brasil.

Talvez seja justamente aí que esteja o principal risco desta eleição. A questão não é apenas a possibilidade de um governo brasileiro politicamente alinhado a Washington. O problema é a perspectiva de um governo economicamente arreganhado aos interesses de Washington. Um governo pronto para abrir mão de sua autonomia para acomodar interesses econômicos de uma potência estrangeira.

Um último pedido…

Esta edição foi uma exceção. Diante da gravidade dos acontecimentos, decidi adiar a investigação que inauguraria a newsletter Noites Húngaras para publicar este texto. As próximas reportagens serão diferentes: fruto de semanas ou meses de apuração, documentos inéditos e cruzamento de informações. É esse jornalismo que quero construir aqui.

Se você acredita nesse projeto, considere assiná-lo, compartilhar esta edição com amigos e recomendá-la nas redes sociais. É esse apoio que permitirá que as próximas investigações sejam ainda mais profundas, ambiciosas e relevantes.

Obrigado por ler e até a próxima."
(Paulo Motoryn, 5 de agosto/2026)

04/08/2026

Vaga de estacionamento exclusivo para advogado em PG é um desrespeito aos demais profissionais que atuam na Cidade: privilégio?

Estudo do Instituto Vladimir Herzog denuncia a polícia que mata, de forma 'seletiva' e planejada com dinheiro público, n...
29/07/2026

Estudo do Instituto Vladimir Herzog denuncia a polícia que mata, de forma 'seletiva' e planejada com dinheiro público, no estado de São Paulo. Os dados são de operações policiais na Baixada Santista em 2023 e 2024. Tristes tempos!
Fonte: CNN Brasil, 28/07/2026.

28/07/2026

Deputada argentina escreve carta histórica a Lula e pede desculpas em nome de quem representa

Buenos Aires, 26 de julho de 2026
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente
da República Federativa do Brasil
Senhor Luiz Inácio Lula da Silva
Palácio do Planalto — Brasília, D.F.

"Senhor Presidente:

Escrevo-lhe na minha condição de Deputada da Nação Argentina, isto é, como integrante de um dos três poderes do Estado que, em nosso sistema republicano, expressa de maneira direta e imediata a vontade do povo. Não falo em nome do Estado argentino: a condução das relações exteriores cabe ao Poder Executivo, e não pretendo usurpar qualquer competência. Falo em nome da parcela do povo argentino que me confiou sua representação e atrevo-me a dizer, em nome de uma maioria silenciosa que viu com vergonha e dor a forma como, nos últimos tempos, foi tratada a nação amiga que o senhor preside.

Venho lhe pedir desculpas.

Faço isso com o desconforto de quem pede desculpas por algo que não cometeu, mas com a convicção de que há silêncios que acabam se tornando consentimento. Um país que se cala diante da ofensa feita em seu nome torna-se, com o tempo, autor dessa ofensa. Não é o meu caso, e não quero que seja o da Argentina.

I. A distinção que nossos povos sempre souberam fazer

Permita-me começar pelo essencial. Um Estado não é um governo, e um governo não é um homem. As nações são entidades históricas: duram mais que os mandatos, mais que as conjunturas e, certamente, mais que os destemperos.

O que foi dito não representa a República Argentina. Não representa a sua tradição diplomática, uma das mais antigas e respeitadas do continente. Não representa a sua Chancelaria, seu Congresso, suas províncias de fronteira, seus industriais, suas universidades nem as suas famílias. Representa um homem em um determinado momento. É lamentável — digo isso sem rodeios — o papel institucional que o Presidente da Nação Argentina desempenhou nesse episódio, porque a investidura não é propriedade de quem a exerce: é um empréstimo que o povo faz e que exige moderação.

Mas também sei, Senhor Presidente, que o senhor conhece essa distinção melhor do que ninguém. O senhor foi operário antes de ser presidente; conheceu a fome antes dos palácios; conheceu a prisão e dela saiu sem rancor para governar para todos. Percorreu o mundo e a história em medida suficiente para não confundir uma ofensa pessoal com uma política de Estado.

II. Da rivalidade à fraternidade: duzentos anos de aprendizado

Nossa amizade não foi um presente da geografia. Foi uma construção trabalhosa e, justamente por isso, tem valor.

Nascemos em lados opostos. Fomos as fronteiras móveis de dois impérios que disputaram durante séculos a foz do Prata: desde Tordesilhas até a fundação da Colônia do Sacramento, desde o Tratado de Madri até as campanhas na Banda Oriental. Fomos, depois da independência, adversários em uma guerra que terminou, em 1828, com a criação de um Estado-tampão entre ambos. E também compartilhamos a memória incômoda de uma aliança bélica sobre a qual a história americana tem sido severa — e com razão.

Entrado o século XX, a rivalidade assumiu a forma de uma corrida naval: o Brasil lançou seus encouraçados, e a Argentina respondeu com os seus. Dois países pobres, com povos que careciam de escolas e hospitais, gastando fortunas em blindagens destinadas a apontar umas para as outras. É a imagem mais eloquente do que acontece quando duas nações irmãs escolhem a desconfiança.

E então começamos a aprender.

Aprendemos em 1979, quando a disputa pelo aproveitamento do rio Paraná — Itaipu e Corpus —, que durante anos pareceu insolúvel, encontrou seu caminho no Acordo Tripartite. Dois países que discutiam a água descobriram que a energia compartilhada rendia mais do que o litígio.

Aprendemos em 1982, e nós, argentinos, não esquecemos nem esqueceremos jamais. Quando a Argentina rompeu relações com o Reino Unido, foi a República Federativa do Brasil que assumiu a representação dos interesses argentinos em Londres. Na hora mais sombria da nossa história contemporânea, quando enterrávamos nossos filhos no Atlântico Sul, o Brasil esteve ao nosso lado. Não com declarações: com fatos. Há dívidas que um país nunca quita, e essa é uma delas. Eu a reconheço hoje, em nome dos que a lembram e dos que a ignoram.

Aprendemos, sobretudo, em 1985. Quando ambas as nações recuperaram as suas democracias, Raúl Alfonsín e José Sarney encontraram-se em Foz do Iguaçu, sobre a ponte que leva o nome de Tancredo Neves, e assinaram a Declaração que deu início à integração. Aquilo não foi um acordo comercial: foi uma decisão civilizatória. Dois países que haviam passado um século e meio medindo forças decidiram que a sua segurança nunca mais dependeria da fraqueza do outro.

Dali surgiu o Programa de Integração e Cooperação Econômica de 1986, o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento de 1988 e uma obra que o mundo inteiro estuda e que nenhum outro par de nações conseguiu realizar: a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC). Dois Estados com programas nucleares avançados renunciaram voluntariamente à desconfiança mútua e se abriram à inspeção recíproca. Ninguém nos impôs isso. Nós decidimos. Em um planeta que hoje volta a falar a linguagem da proliferação e da ameaça, a ABACC continua sendo o melhor argumento moral que a América do Sul pode apresentar ao mundo.

E dali surgiu, em 1991, o Tratado de Assunção. O Mercosul, com todas as suas imperfeições — que são muitas e que, como legisladora, não me cabe dissimular —, é a tradução institucional de uma ideia simples: o destino dos nossos povos se decide junto, ou não se decide.

Esse é o patrimônio, Senhor Presidente. Duzentos anos para passar dos encouraçados às inspeções recíprocas. Nenhuma frase pronunciada no calor de um momento pode ter autoridade para dilapidá-lo.

IV. E por que, além disso, somos irmãos

Mas seria mesquinho reduzir tudo isso a um balanço comercial. Há algo que vem antes dos números.

Há famílias argentinas com sobrenomes brasileiros e famílias brasileiras com sobrenomes argentinos. Há médicos formados em nossas universidades atendendo no Brasil e estudantes brasileiros que se graduam em Buenos Aires, Córdoba e La Plata. Há uma fronteira de mais de mil quilômetros onde a nacionalidade se dilui no cotidiano, onde o chimarrão cruza em uma direção e o café na outra. Há uma música que atravessou o rio sem pedir licença a ninguém. Há uma rivalidade futebolística que é, na verdade, a forma mais honesta e mais alegre que dois povos encontraram para dizer que precisam um do outro.

Não há dois países no mundo que compitam com tanta paixão e, ao mesmo tempo, se queiram com tanta naturalidade.

V. O pedido

Por isso, Senhor Presidente, este é o coração da minha carta.

Peço-lhe desculpas em nome dos argentinos e das argentinas que não se reconhecem nessas palavras, e que são muito mais numerosos do que se imagina.

E peço-lhe algo mais, apelando à sua experiência, à sua trajetória e à visão geopolítica que o mundo lhe reconhece: deixe isso passar.

Sei o que estou pedindo. Peço magnanimidade, que é a mais difícil das virtudes políticas, porque exige que quem tem razão renuncie a cobrá-la. Mas também sei que a magnanimidade é exatamente aquilo que distingue um estadista de um governante. Os governantes administram agravos; os estadistas administram séculos.

As ofensas de um homem não devem transformar-se na política de um Estado. O agravo de um único dia não deve determinar o rumo de duas nações que levam…

…duzentos anos aprendendo a gostar um do outro. Se isso se cristalizar, não pagará quem o provocou: pagarão o operário da fábrica de autopeças, o produtor das missões fronteiriças, o estudante, o caminhoneiro que cruza a ponte ao amanhecer, o pequeno empresário de ambos os lados do rio. Pagarão pessoas que jamais disseram uma palavra ofensiva contra ninguém.

Nossos povos fizeram bem o seu trabalho. Construíram confiança onde havia desconfiança, integração onde havia fronteira armada, inspeção recíproca onde havia suspeita nuclear. Não permitamos que a imperícia de uma conjuntura desfaça a obra de gerações.

VI. Compromisso

Não venho apenas pedir. Comprometo-me, no âmbito que me corresponde, a trabalhar pela reconstrução do vínculo: na Câmara dos Deputados da Nação, no diálogo interparlamentar, na agenda do Parlasul e em cada instância onde a diplomacia legislativa possa reparar o que a diplomacia presidencial danificou. Os parlamentos existem, entre outras coisas, para isso: para sustentar os povos quando os governos os descuidam.

A Argentina continuará existindo depois deste governo, assim como o Brasil continuará existindo depois do seu. É a essa Argentina permanente — a de Foz do Iguaçu, a da ABACC, a que não esquece quem a representou em Londres em 1982 — que pertenço e em cujo nome lhe escrevo.

VII. Palavras finais

Há quarenta anos, dois presidentes apertaram as mãos sobre uma ponte. Nenhum dos dois está mais vivo. Mas a ponte continua ali, e todos os dias por ela passam caminhões carregados de trabalho, ônibus cheios de estudantes, famílias que vão conhecer seus netos do outro lado. Essa ponte é mais forte do que qualquer insulto, porque não foi construída por um governo: foi construída por dois povos que decidiram deixar de temer um ao outro.

Eu acredito, Senhor Presidente, que as nações se conhecem de verdade nas horas difíceis. O Brasil conheceu a Argentina em 1982 e não lhe soltou a mão. Peço que também não a solte agora, quando a ofensa veio, dolorosamente, da nossa própria casa. Os povos nem sempre escolhem os governos que merecem, mas sempre merecem algo melhor do que pagar por seus erros.

Algum dia este episódio será uma nota de rodapé na grande história de nossos dois países. Depende do senhor, em boa medida, que seja apenas isso: uma nota de rodapé. E depende de nós, argentinos que não nos resignamos, demonstrar-lhe que do outro lado do rio continua vivendo o povo irmão de sempre, aquele que chora suas derrotas futebolísticas, celebra seus carnavais e jamais esquece quem o acompanhou quando estava sozinho.

Que Deus guarde o povo brasileiro. Que a história nos encontre, como em Foz do Iguaçu, do mesmo lado da ponte.

Receba, Senhor Presidente, juntamente com minhas desculpas, o testemunho da minha mais alta consideração e do sincero afeto que o povo argentino dedica ao povo brasileiro."

MARCELA MARINA PAGANO
Deputada da Nação Argentina
Bloco Coerência — Honrável Câmara dos Deputados da Nação

Endereço

Ponta Grossa, PR
84030-900

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