29/03/2026
📢 ASSEMBLEIA DA DEMANDA ESTRUTURAL – OCUPAÇÃO ERICSON JOHN DUARTE
Aconteceu neste sábado uma importante Assembleia da Demanda Estrutural na Ocupação Ericson John Duarte, com a presença de representantes da UEPG, Prefeitura Municipal, Secretaria da Família, Superintendência de Habitação, Tribunal de Justiça do Paraná, Ministério Público, Associação Ericson John Duarte e, principalmente, das famílias da comunidade.
Durante a assembleia, a Prefeitura apresentou em que pé se encontra o projeto. Foi informado que os R$ 15 milhões do PAC Periferia ainda não foram empenhados, mas que deverão ser destinados à infraestrutura. Também foi confirmado que ainda não há recursos garantidos para a construção das casas, o que gerou grande preocupação entre as famílias.
Foram apresentadas três possibilidades:
➡️ Proposta 1: Regularizar 98 lotes conforme previsão anterior, utilizando a infraestrutura já existente.
➡️ Proposta 2: Aplicar os R$ 15 milhões para realizar infraestrutura completa (asfalto, galeria de esgoto, água e luz) em 228 lotes.
➡️ Proposta 3: Aguardar até 15 de maio para verificar a possibilidade de recursos para, além da infraestrutura, construir 228 casas.
Além disso, foi levantado um ponto que gerou grande angústia e insegurança entre as famílias. A Prefeitura argumentou que, para realizar a infraestrutura com os R$ 15 milhões, seria necessário retirar todas as famílias da ocupação ao mesmo tempo, encaminhando-as para o aluguel social por um período estimado de um a dois anos, até que possam retornar para suas moradias.
Essa proposta causou profunda preocupação. As famílias questionaram como ficaria a situação das crianças, das escolas, do vínculo comunitário e, principalmente, o temor de que, ao sair, não haja garantia concreta de retorno. Há grande insegurança sobre se esse processo realmente dará certo.
O movimento MPL e a Associação Ericson John Duarte vêm defendendo uma alternativa mais segura e organizada: que o processo seja feito de forma gradual, com a reorganização de 30 a 50 famílias por etapa, que seriam realocadas temporariamente, enquanto as demais permanecem na área. Após a conclusão da etapa, essas famílias retornariam, e assim sucessivamente. Essa proposta evita a desestruturação total da comunidade e reduz os riscos sociais.
No entanto, infelizmente, até o momento, a Prefeitura tem se mostrado inflexível quanto à retirada total das famílias, o que vem gerando ainda mais indignação.
Após a apresentação, as famílias fizeram uso da palavra e relataram a dura realidade vivida diariamente, marcada por descaso, preconceito e humilhações. Foi denunciado, por exemplo, que o Colégio Estadual Glória, após a militarização, deixou de aceitar o comprovante de endereço da ocupação, evidenciando discriminação contra os moradores. Outros órgãos também têm dificultado o reconhecimento do endereço da comunidade.
A moradora Letícia fez uma fala forte que emocionou a assembleia:
“Acabando aqui, todos vão para suas casas. Nós vamos continuar morando aqui, com muita dificuldade, com muito preconceito, tratados como mendigos. Nós queremos nossos direitos, queremos que as coisas saiam do papel.”
Ao final, o coordenador da ocupação, Leandro, convocou nova assembleia interna para terça-feira, às 19h30, para avaliar os encaminhamentos e definir os próximos passos da luta.
Infelizmente, em pleno mês da Campanha da Fraternidade, observamos uma profunda falta de priorização da moradia digna. Querem que as coisas avancem, mas sem empenhar recursos, sem garantir orçamento. Seja no âmbito municipal, estadual ou federal, o que vemos ainda é muito pouco diante da urgência das famílias.
F**a registrado nossa mais profunda indignação com a falta de respeito. As famílias não suportam mais essa situação. Vamos intensificar as mobilizações até que haja o anúncio definitivo da construção das casas e a garantia da moradia digna.
✊🏽 Moradia digna é direito, não favor!
Coordenação – MPL (Movimento Popular de Luta)
Ponta Grossa, 29 de março de 2026.