28/04/2026
MEDIUNIDADE
(À Luz do Espiritismo)
A mediunidade, conhecida por esse nome há 164 anos, com as revelações trazidas por Allan Kardec, sempre existiu entre os homens, porém, sua prática era dificultada pela falta de conhecimento, levando diversas pessoas à loucura, ao suicídio e ao prejulgamento. Sempre existiram os médiuns, pessoas capazes de se comunicar com o mundo espiritual através de dons, que lhes vieram com grandes responsabilidades e utilidades, porém, o aperfeiçoamento da mediunidade iniciou-se no momento correto, quando o homem já possuía preparo maior para compreendê-la e compreender, também, seus mecanismos.
Nesses anos, diversos médiuns desenvolveram sua mediunidade e aprimoraram o contato com o mundo espiritual. Hoje, o grau de conhecimento que possuem é proporcional à responsabilidade de exercer esse dom de forma séria, verdadeira e honesta, uma vez que essa aptidão é prova da existência de Deus e nenhum aparato disponibilizado por Ele deverá gerar retorno financeiro ou de ego, servindo apenas para o desenvolvimento do espírito através da prática da caridade e do amor.
Portanto, médiuns, fazei por merecer o conhecimento que vos foi dado; nós, da espiritualidade maior, esperamos que possais agir de maneira responsável, digna e condizente com o propósito sob o qual viestes a este planeta. Não permitais que vossas tendências e intenções materiais prevaleçam sobre o real sentido desse instrumento de amor, não vos preocupeis em animizar, mas, sim, em instruir-vos, para que esse animismo seja somatório, e não destruidor. Haverá um dia em que a mediunidade não será mais necessária, e entendereis que, por serdes espíritos, possuís a capacidade de aconselhar, consolar e instruir vossos irmãos de menor preparo, mas, até que esse instante chegue, sejais ferramentas construtoras da grande seara do Pai. Que assim seja!
284. O que é mediunidade?
— A mediunidade é um instrumento que todos os encarnados possuem, em intensidades e formas diferentes, e que lhes permite mediar: serem intermediadores entre os planos carnal e espiritual.
Nota: Mediunidade é uma ferramenta que Deus nos concedeu para ser exercida de modo despretensioso, em benefício dos necessitados. É inerente ao ser humano, apresentando-se em alguns com maior ostensividade. Independentemente da religião ou doutrina professada, sua prática deverá ser exercida dentro dos princípios da moral cristã.
Bendita luz que veio para confortar os que sofrem – sobretudo os próprios médiuns, que, utilizando-se desse recurso, terão grandes oportunidades no exercício da caridade. É necessário estudá-la e entendê-la para não se cair em armadilhas, criadas, muitas vezes, pelo egocentrismo ou pelo fanatismo.
Ela não é mística nem sobrenatural, muito menos uma enfermidade; não deverá trazer retornos financeiros, e sim, ser fundamentada no amor, na caridade e na fé baseada na razão.
A mediunidade, que deverá ser estudada e compreendida para a sua prática, é um dos alicerces dos estudos da Doutrina Espírita e está contida com mais clareza em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.
285. Como explicar a mediunidade de forma objetiva?
— Faculdade que precisa de mediadores: instrumentos que necessitam de aprimoramento constante para conectar os dois planos.
Nota: Sendo uma faculdade própria da espécie humana e que existe desde as épocas remotas, a mediunidade não é privilégio exclusivo de ninguém e não torna especial quem a pratica, mas responsável. Ainda assim, sua manifestação é peculiar a cada indivíduo, um processo de descoberta espiritual individual e único. É necessária a busca pelo conhecimento intelectual e moral, em conjunto com as reformas íntimas, para que sua prática seja salutar e despretensiosa e seus objetivos sejam o amor e a caridade.
286. A mediunidade é prova, expiação ou missão?
— Pode ser todas as opções ou apenas uma, dependendo de cada caso.
A. Como podemos enfrentá-la?
— Não precisais enfrentá-la, basta o aprendizado de conviver com ela, por meio das vossas reformas íntimas, da vossa vibração e da busca pela instrução.
B. Em sendo uma missão, por que ocorre?
— Alguns espíritos evoluídos escolhem reencarnar com a mediunidade, com a finalidade de auxiliar outros irmãos.
287. A mediunidade é intrínseca ao indivíduo?
— Sim, de formas diferentes; ainda assim, nem todos têm a necessidade de praticá-la.
Nota: É de vosso conhecimento que todos sois médiuns, porém, existem diversos tipos de mediunidade que não despertam ostensividade, mas que, através de vossas intuições, vos conduzem para o caminho correto. Nem todos os médiuns nascem precisando praticar sua mediunidade, contudo, todos os encarnados nascem com a carência de entender o contato com algo maior, para, assim, poderem praticar a caridade com maior efeito.
Outras religiões a denominam de modos diferentes, no entanto, todas comungam que há o toque de Deus na vida dos médiuns. Não importa o nome dado a ela: a mediunidade é uma grande oportunidade de evoluir e auxiliar na evolução do próximo.
288. Pode-se aflorar a mediunidade através dos estudos?
— Sim, se houver a utilidade e se estiver nos planos de Deus.
Através dos estudos, dá-se o meio mais adequado e ideal para se desenvolver a mediunidade, sendo totalmente aconselhável que assim procedais. Caso ela não venha a ser revelada por vós não a possuirdes ostensivamente, outros importantes valores vos serão despertados, que também auxiliarão na vossa evolução.
289. Por que algumas pessoas querem ser médiuns ostensivos?
— Por pensarem ter importância ou utilidade apenas ao possuírem essa faculdade, porém, enganam-se profundamente. A mediunidade é uma prova e traz consigo imensas responsabilidades e renúncias. Existem infinitas formas de as pessoas serem úteis e ajudarem o próximo com o mesmo valor.
Nota: Caros irmãos, a mediunidade é um tipo de prova, expiação ou missão que permite que vos comuniqueis com o plano espiritual de diversas maneiras, com a finalidade de auxiliar vossos irmãos e a vós mesmos, por consequência.
O médium vem com grande responsabilidade, em especial, para consigo mesmo. A prática mediúnica torna-se limpa e verdadeira na proporcionalidade das reformas íntimas, portanto, seu compromisso em tornar-se uma pessoa melhor é inevitável e imprescindível, para não ser levado à loucura ou à insanidade. Conforme mencionado no primeiro livro, simpatizareis com espíritos de mesma vibração que a vossa , por isso, permanecer em boas sintonias é o primeiro passo para vos conectardes com o bem.
A mediunidade ostensiva acontece por diversos meios, e, quando ela ocorre, não há dúvida: o médium consegue discernir e entender que aquela mensagem não lhe pertence, sabendo, assim, que ela provém de outro amado irmão. A ostensividade jamais vem de forma pretensiosa, tendenciosa ou apenas para suprir desejos familiares ou dar as respostas que tanto se espera; surge de modo imparcial, não possui fronteiras, classes sociais, nem mesmo religião.
É importante o despertar da verdade dentro de vós e a consequente paz de espírito. A vossa consciência fala convosco: sempre sabereis se o que praticais é embasado na verdade ou apenas em vossas fantasias e tentativas de suprir vosso ego e orgulho. Não brinqueis com algo tão sério, permiti que outros irmãos tenham a mesma oportunidade pela qual um dia vós suplicastes enquanto permanecíeis na erraticidade e que sejam ajudados por aqueles que possuem essa prova. Buscai outras formas de tratar vosso psicológico sem a necessidade de vos utilizar de uma ferramenta que não possuís de verdade.
Quanto maior for o conhecimento, mais profundo o estudo. Quanto mais aprimoramento, mais próximos estareis do discernimento entre o que é vosso e o que nunca foi.
Se chegardes à conclusão de que não possuís a “tão esperada” mediunidade, senti-vos merecedores de não possuí-la e, ao mesmo tempo, buscais tantos outros jeitos que existem de ajudar e amar o próximo.
290. Quais as responsabilidades de um médium?
— Ser o mais fiel e transparente instrumento para o benefício de seus irmãos, buscando a instrução, as reformas íntimas e a melhoria constante, tanto moral quanto intelectual.
Nota: O médium precisa compreender que não possui responsabilidade apenas para consigo mesmo, mas também para com seus irmãos, encarnados e desencarnados, que confiam em sua veracidade e transparência.
Iludir seus irmãos para beneficiar-se materialmente ou sustentar o próprio ego é uma falta grave. Que jamais falte verdade em seus atos. O bom médium não é aquele que é bom comunicador, e sim, aquele que é fiel à assistência recebida do plano espiritual, ao mesmo tempo em que converte os ensinamentos recebidos para sua própria vida.
291. A mediunidade será diferente no futuro?
— No futuro, ela não será mais necessária, todos os indivíduos serão capazes de realizar suas próprias conexões de forma direta e objetiva, mas, para isso, será fundamental o desenvolvimento de algumas faculdades.
Livro Dos Espíritos, A Obra Interminável, cap. IV INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO Ítem I