13/04/2025
O Cordel da Ovelhinha Perdida
Num sertão bem verdejante,
Lá pros lados do nascente,
Caminhava um bom pastor,
Com um coração contente.
Tinha cem em seu rebanho,
Todas mansas, obedientes.
Mas num dia de calmaria,
Enquanto lia seu caderno,
Notou que uma sumira
No silêncio mais moderno.
Sem pensar, partiu na trilha,
Coração sincero e terno.
Deixou noventa e nove,
No campo bem protegido,
E entrou na mata fechada,
Com olhar agradecido.
“Se uma se foi, eu sigo,
Pois nenhuma tem perdido!”
Na vereda encontrou um guri,
Com alma boa e destemida,
Disse: “Moço, vi pegadas,
De uma ovelha comovida!”
E os dois, como cavaleiros,
Foram rumo à flor da vida.
O sol já se despedia,
Colorindo o céu de ouro,
E no meio da floresta,
Ouviram um fraco estouro.
Era a ovelha, assustada,
Mas viva, sem grande choro.
O menino a abraçou,
O pastor sorriu com calma,
Segurando com ternura,
A ovelhinha sobre a palma.
Naquele instante sagrado,
Havia paz dentro da alma.
“Assim é o Reino dos Céus,”
O pastor então falou,
“Que se alegra com o perdido,
Mais que o rebanho que ficou.
Pois buscar quem se desgarrra
É o que Cristo ensinou.”
E voltaram os três juntos,
Entre riso, flor e trilha,
O guri com olhos d’água,
O pastor com sua filha...
Digo, com sua ovelhinha,
De alma doce e maravilha!
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