12/05/2026
Faz uns dias presenciei um acidente quando voltava do trabalho, a poucas centenas de metros da minha casa. Um motociclista de meia idade, pilotando uma custom desgastada, foi atingido por um carro e arremessado por uns 20 metros. Eu só vi uma bagunça bem à minha frente e o homem rolando no chão.
Apeei da moto e fui o primeiro a ter com ele, que, confuso tentava se levantar sem ter ainda se dado conta que tinha fraturas expostas nas duas pernas à altura das canelas... Fiquei ali, explicando e tentando acalmá-lo e convencê-lo a não se mexer, pois eu não podia fazer muito mais.
Na sequência chegaram outras pessoas e colocamos um carro para proteger o acidentado do trânsito, enquanto chamávamos o socorro que logo veio.
Meu filho que vinha de moto poucos minutos atrás de mim, logo passou pelo local e ficou assustado ao ver minha moto parada ali e o motociclista caído, mas suspirou mais aliviado ao parar e me ver bem...
Nós, motociclistas nem percebemos, mas diferente dos motoristas, vamo-nos acostumando com a possibilidade de um acidente, eu mesmo já passei por alguns, que de repente pode mudar nossos planos e nosso futuro. De repente a gente está caído no asfalto, impotente e confuso, a mente tentando processar, avaliar os danos, recalcular os próximos atos, tentando enfim reassumir o controle, que às vezes é impossível.
Convivemos com essa possibilidade em cada ultrapassagem, em cada freada e até a cada descuido do motorista mais próximo. E com o passar dos anos de pilotagem, parece que esse sentimento de imprevisibilidade se torna mais presente e menos assustador... quase um amigo a nos manter mais alertas.
Talvez seja por isso que muitos de nós, velhos e experientes motociclistas, ainda insistimos em acenar ou buzinar quando passamos por outro que de alguma forma, num breve momento reconhecemos como um do nosso bando...
Motociclistas acima das motos