meu amigo jeannis
Em 2006 fui formalmente apresentado a Jeannis Michail
Platon, quando eu era o Delegado da Capitania dos Portos em
São Sebastião, mas, na verdade, o conheci no início da década
de 1980. Naquela época ingressei à Marinha do Brasil e, logo
após o concurso para a Escola Naval, como prêmio, passei as
férias do verão de 1981 acampado em Ilhabela. Nas suas águas
iniciei práticas de merg
ulho, pesca, aquarismo marinho e interesse
pela arqueologia submarina, paixões que me acompanham
até hoje. Durante um dos passeios na Vila, nas tardes que seguiam
os dias passados na praia, adquiri um livreto que contava
mistérios e lendas do local. Ao voltar ao camping devorei, em poucas horas, o livrinho
com histórias dos caiçaras e de exploradores, sobre os diversos
acontecimentos que ocorreram no entorno da ilha. No decorrer
do tempo passei a ler e colecionar artigos, textos e tudo mais
relacionado a Ilhabela, principalmente sobre o mergulho nos
inúmeros naufrágios. Assim, conheci Jeannis Platon, o famoso
Grego que também apareceu em um programa de TV, mergulhando
num antigo Avião T-6 que caiu ao mar próximo à Ilha da
Vitória. Jeannis é aquele tipo de aventureiro que povoou os sonhos de
muitos mergulhadores. Ainda jovem arrematou, em um leilão da
Marinha, o Caça-Minas Piranha e o transformou em navio de
apoio ao mergulho, aparelhado para transportar, com todo conforto,
os aficionados por essa atividade. Rebatizado como
Hipocampo, foi um ícone do Litoral Norte de São Paulo por vá-
rios anos. Entre as temporadas de mergulho com turistas, estava
Jeannis sempre envolvido em algum outro trabalho de resgate ou
pesquisa, tornando-se um expert sobre o fundo do mar na região. Essa história pessoal só encontra um paralelo no mundo: Jacques
Costeau e o famoso Calypso, que também foi um Caça-Minas da
Marinha Francesa, muito semelhante ao Hipocampo.Cerca de 25 anos depois daquelas férias, retornei ao Litoral
Norte de São Paulo para trabalhar em São Sebastião e passei a
residir em Ilhabela, bem próximo daquele local onde acampei na
juventude. Já tinha na bagagem a minha própria história de aventuras
quando fui levado a conhecer, pessoalmente, meu ídolo. Na
época (2006), Jeannis lançara seu primeiro livro, Ilhabela Seus
Enigmas. Daquele dia em diante formamos uma dupla de mergulho
que tem ido fundo em diversas outras histórias. Entretanto,
o meu amigo tem preferência especial por um assunto no qual
se tornou especialista e carinhosamente chama de O Astúrias. Nova viagem
Neste novo livro, o autor e mergulhador nos mostra que a
aventura não acabou. Com novas informações, fruto de suas
recentes pesquisas, ele vai desvendar mais um capítulo dos
intrigantes mistérios que envolveram o naufrágio do paquete
Espanhol Príncipe de Astúrias. Podemos admitir que Jeannis seja um dos maiores conhecedores
deste caso no mundo, com vantagem muito peculiar
diante dos outros estudiosos do tema: o navio naufragado está
bem aqui no seu quintal, repousando há quase um século na
costa da Ilha de São Sebastião (Ilhabela), ao lado da Ponta da
Pirabura cuja laje submersa cortou seu casco na madrugada
de 5 março de 1916. Como mergulhador, Jeannis teve a oportunidade de estudar,
tecnicamente, o caso in loco, durante os vários anos que
reside na região. Da sua interação com descendentes de testemunhas,
além de pesquisa documental, vemos que essa formid
ável história sempre o acompanhou. Agora, como pesquisador
e escritor, ele une novos detalhes que contribuirão para
deixar um registro acerca daquele antigo viés humano que sempre
assombra os casos de naufrágios: por que aconteceu? Mais uma vez seu espírito de descobridor incansável deixa
um bom legado às futuras gerações. Jeannis viveu essa grande
aventura e agora vai nos contar como foi.Este livro chega no momento de celebrar, em 2016, o centen
ário de um dos acidentes marítimos mais importantes da hist
ória, devido à magnitude e quantidade de vítimas. O mundo
ainda não havia se esquecido do Titanic e um fato semelhante
se repete, aqui bem perto, em Ilhabela. Cumprimento meu amigo
escritor e mergulhador por sua perseverança no fomento da
mentalidade marítima e pela importância em estudar e guardar
a nossa história. Em 2014 ano do Centenário da Força de
Submarinos da Marinha do Brasil tive a honra de participar
da cerimônia que o agraciou como Submarinista Honorário. Até hoje ele e eu apenas mergulhamos - juntos - nos livros e
pesquisas. Espero que nosso batismo no mar ainda aconteça,
em breve, e que seja lá no Astúrias! (Cláudio Viola)
Príncipe de Astúrias
O Comandante Viola é Capitão-de-Mar-e-Guerra da Reserva. Serviu à
Marinha por 33 anos, de 1982 a 2015. Aperfeiçoado em Submarinos, foi
Delegado da Capitania dos Portos em São Sebastião de 2006 a 2007...