16/06/2026
Quando falamos sobre o enfrentamento à LGBTQIA+fobia, é impossível não olhar para dentro das nossas próprias casas. Afinal, antes de enfrentar o preconceito nas ruas, na escola, no trabalho ou nas instituições, muitas pessoas LGBTQIAPN+ precisam enfrentar a dor da incompreensão dentro da própria família.
É uma realidade difícil de admitir, mas necessária de reconhecer: a família pode ser tanto o primeiro espaço de proteção quanto o primeiro lugar de violência. E essa violência nem sempre se manifesta através de agressões físicas. Ela aparece na rejeição, no silêncio, nas tentativas de negar identidades, na falta de acolhimento e no abandono afetivo.
Por isso, discutir o papel das famílias no enfrentamento à LGBTQIA+fobia é discutir a própria possibilidade de vida digna para milhares de pessoas. O acolhimento familiar reduz sofrimentos, fortalece a autoestima, protege a saúde mental e salva vidas. Amar não deveria ser um ato de coragem, mas infelizmente, em uma sociedade marcada pelo preconceito, muitas famílias ainda precisam aprender a transformar o amor em atitude, em defesa e em compromisso.
Nós, Mães da Resistência, sabemos que esse caminho é possível. Muitas de nós chegamos até aqui carregando dúvidas, medos e até preconceitos construídos ao longo de uma vida. Mas escolhemos ouvir nossos filhos e filhas. Escolhemos aprender. Escolhemos caminhar ao lado deles. E foi nesse processo que descobrimos que o amor verdadeiro não exige que alguém deixe de ser quem é para ser aceito.
É uma honra reunir nesta conversa pessoas que dedicam suas vidas à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Contamos com a presença de Toni Reis , referência na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, e de Regiani , que simboliza a força e o poder transformador do acolhimento familiar.
Enfrentar a LGBTQIA+fobia nas famílias é promover respeito, romper ciclos de violência e garantir que ninguém precise escolher entre sua identidade e o amor de sua família.
Que este seja um espaço de reflexão e fortalecimento, lembrando que cada gesto de acolhimento transforma vidas, e que famílias que acolhem ajudam a transformar toda a sociedade.