O distrito de Olhos d’Água, fincado geograficamente no meio do caminho de Goiânia para Brasília, já serviu de ‘pouso’ para a Coluna Prestes e rendeu boas lembranças a Carlos Drummond de Andrade, que se encantou com seus doces caseiros. São histórias de luta, de persistência, de perseverança e de muita, muita, obstinação, como a da artesã Fatinha, que conseguiu mostrar para a comunidade que uma idé
ia simples, sustentada pela valorização do trabalho comunitário, poderia melhorar a vida de todos. Resgatando práticas tradicionais, como a tecelagem, o tingimento natural de tecidos, e a utilização de produtos típicos do cerrado como fonte de inspiração para o artesanato, Olhos d’Água prova que o desenvolvimento sustentável não é utópico, e pode ser tecido com as próprias mãos. Com os olhos cheios d'água
A comunidade de Olhos d’Água descobriu que a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. Unido pela maestria das mãos, um grupo de artesãos está conseguindo inverter a triste sina do êxodo rural, transformando o pacato local onde vive num próspero pólo de desenvolvimento sustentável. Sem erguer uma única chaminé, sem derrubar nenhuma árvore e nem mesmo sem construir um metro quadrado sequer de chão de fábrica, o grupo despertou na comunidade o espírito do cooperativismo, incentivou talentos tácitos e mostrou um novo rumo a seguir. E o resultado foi surpreendente, digno de virar notícia em todo o País...
Olhos d’Água
Carlos Drummond de Andrade e a Coluna Prestes guardam boas lembranças de Olhos d’Água, vilarejo que um dia já foi município (1959/61), mas hoje é novamente distrito de Alexânia (90km de Goiânia, 100km de Brasília). Drummond apreciava os doces caseiros e a Coluna fez ‘pouso’ por lá. Hoje, aproximadamente 20% de seus 1.600 moradores vivem diretamente do artesanato, tendo como pano de fundo a tecelagem. Do plantio, cultivo e colheita do algodão, passando pela produção dos fios (descaroçar, cardar, tingir, urdir e tecer), há sempre alguém em Olhos d’Água expert no assunto. Com o apoio do Sebrae, os artesãos de Olhos d’Água já participaram de rodadas de negócios em vários locais do País, e conseguiram entrar com suas peças no roteiro da Casa Cor, o templo da arquitetura brasileira. Noutra grande empreitada, o Sebrae também levou peças da comunidade para Milão, Itália, num dos principais eventos de design do mundo.