25/07/2026
Autistas têm afeto. Autistas brincam. O que precisa mudar é o nosso olhar.
Um dos mitos mais persistentes sobre o autismo é a ideia de que pessoas autistas não sentem afeto ou não brincam. Essa afirmação é falsa e reforça estigmas que, por muitos anos, invisibilizaram suas formas singulares de existir.
Pessoas autistas amam, criam vínculos, sentem saudades, demonstram alegria, tristeza, medo e carinho. O afeto pode não ser expresso da maneira que a sociedade espera, mas isso não significa ausência de sentimentos. Um abraço pode ser desconfortável para alguns, enquanto um olhar, um objeto compartilhado, uma rotina construída em conjunto ou a simples presença podem representar profundas demonstrações de amor e confiança.
Da mesma forma, autistas brincam. O brincar pode acontecer de maneiras diferentes: repetindo movimentos, explorando texturas, organizando objetos, criando histórias, mergulhando em interesses específicos ou interagindo com outras crianças e adultos. Não existe uma única forma "certa" de brincar. O brincar é expressão, descoberta, aprendizado e prazer.
O problema nunca foi a falta de afeto ou de brincadeira. O problema está em uma sociedade que insiste em medir todas as pessoas pela mesma régua, ignorando a diversidade das formas de sentir, comunicar e se relacionar.
Quando compreendemos que o autismo não é ausência de humanidade, mas uma maneira diferente de vivenciar o mundo, abrimos espaço para relações mais respeitosas, inclusivas e acolhedoras.
Toda pessoa merece ser reconhecida por aquilo que é, e não pelos mitos que a cercam. O afeto existe. O brincar existe. O que precisamos é aprender a enxergá-los para além dos nossos próprios padrões.
Com Mariano Nunes. Autista nível 3 de suporte.