Uma das formas de assegurar o direito a convivência familiar e comunitária garantida pelo Estatuto da Criança e Adolescente – ECA é compreender como os espaços sociais influenciam a dinâmica do desenvolvimento das crianças e adolescentes. Por esta razão acompanhar o desenvolvimento de crianças e adolescentes em seus contextos e desenvolver atividades que fortaleçam suas relações familiares e comu
nitárias tem sido um dos campos de atuação do psicólogo social. Uma das formas de mapear e compreender essa relação é pensar sobre o uso que, tanto crianças quanto adolescentes, fazem do espaço público onde vivem bem como, as histórias que tecem e são tecidas sobre ambos, criança e comunidade, nos lugares em que se encontram, uma vez que, conforme AMADO (2013) “nossos modos de jogar, as nossas novas ideias e os objetos com que jogamos refletem as condições econômicas das nossas próprias culturas e os valores e as atitudes destas” (p.26). Neste sentido, os contextos de interação entre pares, de modo especial as brincadeiras de rua em geral, são atividades que tanto podem ajudar o profissional de psicologia a mapear as relações desse publico com seus núcleos familiares, comunitários quanto favorecer o desenvolvimento integral da criança, contribuindo ainda com a construção de suas identidades individuais e coletivas. Além disso, considerando que na atualidade as crianças passam boa parte do dia assistindo televisão ou fazendo uso de jogos eletrônicos e da internet, as brincadeiras de rua podem ajudar a resgatar outras possibilidades de lazer estimulando o desenvolvimento físico, mental e socioambiental das crianças através do movimento, da convivência entre pares, da aproximação e educação ambiental e da construção de diferentes histórias que as brincadeiras podem revelar sobre os lugares e os modos de viver. Como afirma AMADO (2013), recorrer ao “patrimônio cultural infantil” é uma forma de promover, junto das crianças e adolescentes “traços de memória auditiva e cinestésica; do sentido rítmico de gestos e de movimentos; da coordenação motora geral e do equilíbrio; da reprodução de gestos e movimentos; da capacidade de cantar; das interações verbais, de fortalecimento do vocabulário da língua materna” (p.25). Com o objetivo de mapear a relação das crianças e adolescentes com os locais onde vivem e resgatar o uso dos espaços públicos como locais de lazer, este trabalho de intervenção em psicologia social comunitária, vem, desde 2014, sendo desenvolvido em 3 diferentes bairros da cidade de Niteroi-RJ. As oficinas tem sido desenvolvidas em duas ONGs que atendem crianças e adolescentes nos bairros de Charitas e Maceió, e em uma comunidade tradicional de pescadores, localizada em Itaipu, Niterói. Além disso, o trabalho vem tecendo discussões importantes sobre a atuação do psicólogo social em comunidades, bem como, mapeando e registrando, através da confecção de cartilhas produzidas com desenhos e histórias das crianças e adolescentes, as brincadeiras de rua de cada bairro, os modos de brincar e o que elas revelam sobre a cultura dessas comunidades e seus moradores. Em 2016, estamos com o projeto"historias de vida, (en) cantos da rua" que tem por objetivo pensar os processos de subjetivação nos arranjos urbanos. As oficinas "historias de vida, (en) cantos da rua, também vem tecendo reflexões teóricas sobre a contação e produção de histórias individuais e coletivas como dispositivo psicossociais. Atualmente as oficinas vem acontecendo na Universidade Salgado de Oliveira-Niterói, são gratuitas e abertas ao publico. Além disso, o projeto esta aberto a novas parcerias e as oficinas podem ser realizadas em diferentes espaços públicos e privados da cidade de Niterói. A equipe Pé no Chão é composta por alunos do nono e décimo períodos do curso de psicologia da Universidade Salgado de Oliveira e supervisionado pela professora doutora em Psicologia Social Marli Lopes da Costa.