A criação do Instituto abarca e direciona as ações como as do Museu do Cinema Carlos Scalla, em que as atividades que envolvem a Instituição, voltadas ao Social, a preservação e difusão da memória e do conhecimento coletivo. CARLOS SCALLA
Biografia
A coleção de equipamentos do Cinesta Carlos Scalla, teve inicio no ano de 1968, quando da aquisição do conjunto Keystone 16mm modelo A7 para produçã
o de seus filmes, até o ano de 2017, foram inúmeras etapas para que fosse possível a aquisição, restauração e exposição de mais de 250 peças cinematográficas, dentre elas: projetores, câmeras, moviolas, filmes e dezenas de objetos que, contextualizados, contribuem para narrar a história da arte cinematográfica regional, nacional e mundial. Por iniciativa do filho Bruno Scalla com o intuito de homenagear o pai e dar continuidade à coleção e ao legado conquistados por ele, sempre com o propósito de ajudar a contar a história de uma arte que encanta gerações e resiste ao tempo, no ano 2000, os equipamentos, até então, oriundos de produções cinematográficas e de uma simbólica coleção, se incorporaram e passaram a ser oficialmente pertencentes ao museu do Cinema Carlos Scalla. Mais do que expor equipamentos, o Museu do Cinema Carlos Scalla propõem uma reflexão sobre o fazer, conservar, preservar e difundir a memória coletiva. Abaixo, a biografia deste profissional que, além de meu pai, é uma referência para aqueles que acreditam no poder transformador da preservação, convicto, que através desta ação, elementos de hoje, podem promover reflexões e quem sabe transformar o futuro. Nascido em vinte e um de janeiro de mil novecentos e cinquenta e quatro, no bairro Dornelas, na cidade de Muriaé, Zona da Mata mineira, o cineasta Carlos Roberto Scalla Pereira, mais conhecido como Carlos Scalla, despertou e demonstrou, muito cedo, sua paixão pelo cinema. Em seguida passou por diversas outras, como o grupo escolar Engenheiro Orlando Flores, o Ginásio Santo Antônio, o Colégio São Paulo e a Escola Estadual Professor Orlando de Lima Faria, onde concluiu o 2º Grau (hoje, Ensino Médio). Carlos Scalla dedicou sua vida inteira à sétima arte, influenciado pelas produções norte-americanas de bang-bang. Com apenas quatorze anos de idade, trocou sua bicicleta por um conjunto americano Keystone 16 mm, composto por uma filmadora e um projetor. Este foi o primeiro passo para possibilitar a materialização do sonho do jovem garoto, realizando, dessa forma, o seu primeiro curta-metragem, “Lei Sangrenta”, no ano de 1968, em preto e branco. Por não haver a mínima estrutura para que este projeto se concretizasse, formou seu primeiro elenco com amigos, parentes e vizinhos, que colaboraram, ainda, na participação artística e financeira da produção. O cenário escolhido constituía-se das matas próximas ao bairro onde residia, como rios e morros, e, por esse motivo, tanto no roteiro quanto nas filmagens, a natureza sempre se fazia presente contracenando com o protagonista. Empolgado com a primeira produção, que além de dirigir foi ator coadjuvante, e com seu sonho juvenil se tornando realidade, Carlos Scalla produziu no ano seguinte outro filme, intitulado “O Homem da Selva”. Porém, ainda com poucos recursos, o cineasta improvisou e retratou nessa história sua preocupação com a natureza, cujo enredo se baseava em um homem, criado na selva, que ajudava um índio a proteger suas reservas da destruição dos brancos. Já no ano de 1970, aquele garoto já mais experiente, com dezesseis anos, produziu mais dois filmes, no mesmo estilo dos anteriores, ou seja, em 16 mm e em preto e branco, os quais receberam o título de “O Assalto Frustrado” e “O Vingador Mascarado”. Estas produções foram realizadas através da Scalla Filmes. Em 1974, Carlos Scalla associou-se ao amigo Sílvio Gomes, pianista do Loid brasileiro, fundando a Muriaé Filmes Ltda. Este empreendimento, que visava acompanhar a evolução do tempo, proporcionou a Carlos Scalla uma vasta experiência em produções cinematográficas. Realizou, através do Jornal Cine-Fatos, centenas de documentários, os quais foram exibidos por cerca de dez anos no Cine Vila Rica em Muriaé e em cinemas de cidades vizinhas. Carlos Scalla viajava semanalmente para o Rio de Janeiro, onde revelava seus filmes, criando um ciclo de amizade com grandes atores e diretores consagrados, tais como: Augusto Cézar Vannuci, Wilton Franco, Paulo Porto, Olney Cazarré, Antônio Fagundes, Sandra Bréa, José Augusto Branco, Ângela Leal, entre outros. Em 1979, o cineasta conheceu um dos maiores nomes do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro, com quem conviveu na intimidade, tendo a oportunidade de conhecer detalhes da vida profissional e participando de diversas passagens importantes do amigo. O contato frequente entre eles só foi rompido com o falecimento de Humberto. Em 1987, quando as produções cinematográficas nacionais entraram em decadência, consequentemente, contra vontade própria, Carlos Scalla foi aos poucos sendo obrigado a paralisar as atividades da Muriaé Filmes. Mas seu fascínio pela imagem, sua perseverança e o surgimento de novas mídias o ajudaram a produzir, ao longo destes difíceis anos, documentários, filmes institucionais, comercias e videoclipes que, até hoje, com a retomada das produções nacionais, desenvolve com o mesmo entusiasmo de um garoto suas produções em cinema pela Scalla Filmes. Carlos Scalla, faleceu em 29 de Maio de 2023 e seu filho Bruno Scalla que sempre esteve na ativa com junto com seu pai, resolveu transformar o que foi um ideal estímulo de vida, resolveu institucionalizar as ações promovida, fazendo com que, as ações antes desenvolvidas, pudessem se potencializar expandindo de forma a beneficiar crianças, jovens e adultos através da arte, da cultura, da preservação e do entretenimento, por meio do cinema. Bruno Scalla, como fundador e representante legal da instituição está na ativa na realização e direção de projetos, documentários, filmes, videoclipes e ações sociais. É mantenedor de um Museu, onde desenvolvem iniciativas de valorização e preservação do cinema por meio de exposições, palestras e visitações para aqueles que buscam neste local uma forma de conhecimento e enriquecimento cultural. Além disso, se tornaram referência na guarda e conservação de filmes históricos, regionais e nacionais. Sonho, ímpeto e perseverança, norteiam e mantem acesa a chama do “garoto prodígio” que fez do sonho uma profissão e um estímulo de vida.