09/06/2026
Você sabe qual a importância do trabalho com os alimentos para a pessoa com transtorno do espectro do autismo?????
A saúde do CER II da APAE te conta....
Para uma criança com TEA, o mundo pode ser terapeuticamente desafiador ou sensorialmente cansativo.
A cozinha experimental surge como um espaço lúdico para trabalhar dores e potências como a dessensibilização sensorial gradativa.
A seletividade alimentar no TEA muitas vezes está ligada à hipersensibilidade para texturas, cheiros, cores.
Na cozinha, a criança toca no alimento sem a obrigação de comer. Ela esmaga, cheira, mistura e observa a transformação. O contato com o alimento começa nas mãos, passa pelo nariz e, no tempo de cada um, chega à boca.
1. Desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas: segurar uma colher, rasgar folhas de alface, despejar líquidos e modelar massas trabalham a coordenação motora fina e grossa. Além disso, seguir uma receita estimula o sequenciamento lógico e a função executiva.
2. Estímulo à autonomia e autoeficácia: ver um ingrediente bruto se transformar em um bolo ou biscoito traz um senso de realização gigante. A criança se sente capaz, o que eleva sua autoestima.
3. Socialização e comunicação: dividir tarefas, esperar a vez de usar o batedor e expressar o que está sentindo (se gostou do cheiro ou não) são treinos de habilidades sociais.
O primeiro objetivo é que a criança consiga permanecer no ambiente e tolerar a presença de novos estímulos.
A cozinha é um espaço de brincadeira séria. Esperamos que elas brinquem com as cores, façam "arte" com a farinha e descubram que o alimento não é um inimigo. O brincar diminui a ansiedade que a hora da refeição costuma trazer.
Esperamos que elas absorvam conceitos de higiene (lavar as mãos), segurança (entender o que é quente/frio) e paciência (esperar o tempo do forno). Cada pequena regra aprendida é uma vitória para a rotina diária da família.
A longo prazo, a meta é que a familiaridade com o alimento reduza a neofobia (medo do novo).
Cozinhar com crianças com TEA é nutrir a alma, a autonomia e a relação com a comida. Na nossa cozinha experimental, a receita principal nunca é o bolo que sai do forno, mas sim a evolução, o sorriso e o orgulho de cada criança ao dizer: "Fui eu que fiz!".
Matéria elaborada por Priscila Cristina Albino - nutricionista do CER II da APAE (CRN 44382).