23/07/2020
NOTA DE REPÚDIO DOS CENTROS ACADÊMICOS DA UEM CONTRA O EPISÓDIO HOMOFÓBICO NA REUNIÃO DO CEP DO DIA 22 DE JULHO DE 2020
Viemos manifestar nosso repúdio à fala homofóbica de uma professora contra um aluno da Universidade Estadual de Maringá – UEM que ocorreu hoje, dia 22 de julho de 2020, durante a reunião do CEP (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão). Enquanto o aluno argumentava sobre as manifestações dos discentes na reunião, a professora disse, cortando a sua fala: “ai, essa b***a, vou te contar!”. Quando foi pedida a retratação, a docente justificou seu ato homofóbico afirmando estar “exausta”.
“Estar exausto” não é justificativa, sobretudo para algo injustificável. Não se justifica a lgbtqfobia. Não se justifica o racismo. Não se justifica o machismo. Além de injustificável, de acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada no dia 13 de junho de 2019, a discriminação por identidade de gênero e orientação sexual é considerada crime, punida pela Lei de Racismo (7716/89). Não se justifica a violência, institucionalizada e estrutural, que nós sofremos nesses ambientes em que a disputa de poder é abrupta e pouco são levados em consideração aqueles que não são representados.
Nós, discentes da UEM, não admitimos que atos como esse continuem acontecendo. A Universidade no Brasil é elitista e, justamente por isso, carregada de racismo, lgbtqfobia, misoginia e tantos outros preconceitos e discriminações contra aquilo que subverte a lógica branca, masculina e heteronormativa. É contra isso que precisamos lutar. Precisamos nos manifestar sempre que nos depararmos com a injustiça e com a opressão. É necessário lutarmos por uma Universidade plural, popular e pública, que garanta a democratização do conhecimento sem que se faça distinção de gênero, orientação sexual, raça e classe. Precisamos reivindicar uma instituição de ensino que promova a liberdade e não que mantenha a opressão do status quo. Só assim conseguiremos acabar com a opressão na nossa sociedade.