As origens do Centro de Apoio à Família (CAF) remontam ao mês de maio do ano de 2006, período em que era comum ver , pelo Centro de Manhuaçu, uma grande quantidade de crianças e adolescentes brincando e discutindo entre si e, por vezes, pedindo alimentos ou dinheiro às pessoas que por ali transitavam. Pertencentes à comunidade São Francisco de Assis (antigo Campo de Avião) sem ter o que fazer no l
ocal onde residiam e desgostosas do cenário ao qual haviam sido passivamente confinadas, essas crianças desciam de seu bairro até o Centro para brincar na praça e conseguir algo para comer, visto que seus pais, na maior parte dos casos, encontravam-se trabalhando fora. Incomodados com essa situação, muitos comerciantes da localidade entravam em contato com a Polícia Militar, solicitando que as crianças fossem retiradas do local. Tal situação chamou a atenção de um grupo de pessoas pertencentes à Casa Espírita Boa Nova de Manhuaçu, atual Centro Espírita Manoel Henrique. Com a intenção de oferecer melhores perspectivas para tais crianças, essas pessoas passaram a frequentar a comunidade São Francisco de Assis promovendo atividades recreativas, por meio das quais eram ensinados valores como respeitar o próximo, compartilhar coisas e ouvir o outro. Além dessas atividades também eram realizados bazares com doações arrecadadas na forma de roupas, brinquedos e outras coisas. Todo esse movimento era realizado em uma casinha de sapê, cedida pela Associação de Moradores circundada por uma área aberta, de chão batido, área esta que constantemente era compartilhada com animais, principalmente cavalos. Em épocas de chuva ou de muito sol era difícil realizar essas atividades, sendo que, por muitas vezes, era impossível realizar uma simples brincadeira, mesmo que dentro da cabana improvisada. No início destas atividades, esse grupo encontrou muita resistência por parte da comunidade local, pois era visto como intruso, enquanto que a maior parte da sociedade de Manhuaçu alimentava um forte estigma contra os moradores da comunidade São Francisco de Assis, considerando aquele local um local de práticas ilícitas. Os bairros vizinhos também rejeitavam a comunidade, incluindo o bairro N. Com apoio da Pastoral da Criança da Igreja Católica, o cenário começou a ser transformado e, com o tempo, a localidade conquistou o nome que é utilizado até hoje, abandonando o anterior. Contudo, o cenário com o qual os membros da Casa Espírita se depararam ao chegar àquela localidade, apenas fortificou o desejo de justiça social que eles nutriam. A comunidade não possuía linha de ônibus, as ruas não eram completamente asfaltadas, o lixo acumulava-se em diversos pontos e animais de todo o tipo reviravam os resíduos depositados por todos os cantos. Após três anos neste cenário, determinados a expandir suas ações, o grupo de voluntários da Casa Espírita teve a idéia de construir uma sede para realizar suas atividades. Em um acordo realizado com a Fundação Manhuaçuense de Promoção Humana (FUMAPH) essas pessoas conseguiram uma área total de 2.000m², em regime de comodato, para a construção do espaço que viria a se tornar o Centro de Apoio à Família (CAF). Com apoio da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Manhuaçu e da Promotoria de Manhuaçu, os materiais de construção foram adquiridos e, rapidamente, um galpão foi erguido. Alguns moradores da comunidade também ajudaram de diversas formas como, por exemplo, oferecendo água para preparar a massa de concreto. A sede do CAF foi erguida no ano de 2008, mas mesmo assim, alguns membros da comunidade local ainda demonstravam hostilidade para com a iniciativa. Muitas foram as vezes em que o telhado e janelas da instituição foram apedrejados, causando danos ao patrimônio. Tais atos provocavam o desânimo nos voluntários, mas estes não se deram por vencidos, sendo incentivados por outras pessoas da comunidade que se envolviam com as suas atividades. No ano de 2013, surgiu a possibilidade de contratar pessoas para trabalharem na entidade. O processo de remuneração desses profissionais foi intermediado pela FUMAPH e, assim, oficineiros qualificados passaram a ali atuar. Os esforços continuaram de forma ininterrupta até que, num final de semana, um compressor do consultório odontológico do CAF foi roubado. Aproveitando o ocorrido, a direção do CAF suspendeu as atividades por 15 dias, até que a comunidade se manifestasse insatisfeita com o ato criminoso praticado e avaliasse se o trabalho da entidade tinha algum valor para a vida local. Como a conclusão foi positiva, em um diálogo entre a diretoria, coordenadoras técnicas e pessoas da comunidade, beneficiárias dos diversos projetos, a direção da entidade afirmou a necessidade de uma parceria efetiva entre as duas instâncias, nela incluída a proteção e cuidado com o prédio e seus equipamentos. Depois deste incidente, tratado de forma pedagógica, o CAF retornou às suas atividades e os ataques à sua sede diminuíram consideravelmente. Atividades como o Chá da Fraternidade foram realizados para captar recursos e, ao mesmo tempo, apresentar o trabalho do CAF para a sociedade de Manhuaçu, com o objetivo de mostrar qual era a realidade da comunidade e quebrar os preconceitos existentes. O CAF mantém boas relações com a Prefeitura de Manhuaçu, através da Secretaria de Assistência Social, tendo intercedido pela comunidade São Francisco de Assis por diversas vezes, visando melhorias nas políticas públicas, como asfaltamento e coleta de lixo, contando com o apoio de vários parceiros. Atualmente, o bairro São Francisco de Assis encontra-se mais autônoma e em uma situação muito mais humana do que estava quando os primeiros voluntários surgiram. Mediante a esse novo cenário, o CAF inicia um processo de remodelagem de suas atuações frente a novos desafios.