Histórico da criação do FOREEIA
O Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA) foi lançado oficialmente no dia 30 de abril de 2014, após um ano de discussão e construção da ideia, por 180 professores e lideranças indígenas, representando os 3.100 professores indígenas do Estado do Amazonas. Seu lançamento ocorreu por ocasião das comemorações de 25 anos de mobilização e luta do
s professores indígenas do Estado, conhecido na história por COPIAR - Comissão de Professores Indígenas do Amazonas e Roraima, que desencadeou no Brasil em 1989 a luta por uma educação escolar indígena específica, diferenciada, bilíngue e de qualidade, com importantes avanços e conquistas alcançados. Os 180 professores indígenas participantes do Seminário 25 Anos COPIAR, realizado em Manaus entre os dias 28 e 30 de abril de 2014, entenderam que o movimento, apesar de ter alcançado muitos avanços e conquistas, como os direitos na lei e nas normas, a ampliação da oferta em todos os níveis de ensino, ocupação de espaços nos sistemas de ensino e na gestão e docência nas escolas, continuavam com sérios problemas estruturais e educativos. Visando sanar tais problemas, foi então criado o Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas - FOREIA, que é um grande pacto de professores e lideranças, formando uma grande rede ou teia que se articula, que se mobiliza e desenvolve ações estratégicas, a partir de ideias, princípios, prioridades temáticas e metas. Objetivos:
Fomentar o debate e reunir periodicamente professores indígenas das diferentes regiões do Estado. Além disso, pretende trocar experiências, sugerir estratégias e assegurar articulação das reflexões sobre a educação escolar aos grandes desafios com os quais se defrontam os povos indígenas do Amazonas na atualidade, bem como, discutir e elaborar propostas de políticas públicas que visem garantir os direitos dos povos indígenas a uma educação diferenciada, específica e de qualidade. Para minimizar esta problemática, os membros do FOREEIA elegeram quatro grandes eixos prioritários para serem desenvolvidos no período de dois anos:
1. Combate a toda e qualquer forma de preconceito, discriminação e racismo contra os povos indígenas no Amazonas, mobilizando para isso, toda a rede de 3.100 professores indígenas dos 64 municípios do Estado, as lideranças de organizações indígenas locais e regionais e os advogados indígenas.
2. Fortalecimento do Fórum de educação Escolar Indígena do Amazonas como embrião de um futuro Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena.
3. Enfretamento das precariedades das estruturas físicas e de transportes nas escolas indígenas do Estado, onde 1/3 das 950 escolas indígenas não possuem prédio.
4. Lutar pela criação de recursos específicos para formação de indígenas em saúde, direitos, etnodesenvolvimento, gestão, engenharias e outros, bem como avançar na autonomia pedagógica com qualidade de ensino e de materiais didáticos específicos.
É importante salientar as razões de relevância do tema racismo e preconceito contra indígenas no Estado do Amazonas nesse momento. Em 2013, dois casos de racismo e preconceito foram gritantes na região com repercussão nacional e internacional: 1) As hostilidades e violência praticadas no município de Humaitá contra o povo Tenharim e outros povos da região; 2) A Portaria de um juiz da Comarca de Eirunepé, que proibiu a presença indígena na cidade. A ideia é enfrentar essa situação, preparando, capacitando e empoderando os prefessores, lideranças, estudantes indígenas, além de alertar e acionar os poderes públicos, principalmente o poder judiciário. A estratégia para alcançar essa meta é realizar Campanha de Autossustentação entre os associados, colaboradores solidários e colaboradores eventuais.