02/04/2025
Foi com imensa consternação que recebemos a notícia da prisão de Ricardo e Zeza Jones, no Rio Grande do Sul.
Como coletivo pioneiro em Alagoas na agenda da humanização da assistência ao parto, nós, do Roda Gestante, só temos agradecimento e reconhecimento a Ric Jones, que segue injustamente sob custódia, num flagrante ato de retaliação ao movimento de humanização à assistência ao parto. Neste sentido, acreditamos que esta prisão é contra o profissional e, ao mesmo tempo, contra um símbolo.
Aliás, como diversos movimentos que demandam direitos, neste caso os direitos reprodutivos, toda a mobilização por parto e nascimento adequados alcançou grandes avanços em termos de pesquisas, políticas públicas, mudanças de protocolos. No entanto, nem sempre a história é tão generosa com os que - como Ric Jones - se expõem na linha de frente dessa transformação.
A retaliação vem como trator e se manifesta em diversas reações em todo o país: em violências cotidianas nos corredores dos hospitais a quem ousar questionar um procedimento; em violências institucionais e estatais a quem ousa confrontar, desconstruir ou mesmo implementar o que já foi, ao menos na letra da lei, formalizado. Não podemos deixar de mencionar, ainda, a descredibilização permanente, o estímulo a uma desconfiança hostil contra os que rompem com os padrões tecnocráticos - ainda que sejam atores que atuam devidamente sob a cartilha da medicina baseada em evidências.
Ricardo Jones esteve aqui nas telas, antes de tudo, quando fizemos campanha para trazer o Renascimento do Parto para o cinema. Depois, esteve aqui presencialmente em duas oportunidades, quando realizamos seminários de humanização contando com centenas de profissionais, ativistas, e pessoas interessadas no debate.
Ricardo Jones também esteve e está presente nas citações e menções durante as rodas que realizamos, na fundamentação para os debates que participamos, na disponibilidade quando - desde a nossa terra - recorremos a ele e a todo seu acúmulo.