12/10/2026
O número de processos envolvendo violência política de gênero no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) saltou de 15 para 177 entre 2022 e 2026, representando um crescimento de 11 vezes no período. O aumento dos registros coincide com o Mês da Luta contra a Violência à Mulher e com o período eleitoral do país.
Um levantamento realizado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global apontou que, durante a campanha até o primeiro turno, ocorreu um caso de violência política a cada nove horas. Do total de episódios direcionados a candidaturas, as mulheres foram vítimas em 58,8% dos casos, embora componham cerca de um terço do total de candidatos.
Mulheres negras são as principais vítimas
Dados da Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) contabilizaram 1.564 denúncias de violência política entre janeiro e agosto de 2026. Desse montante, mais de 53% das agressões foram direcionadas a mulheres pretas e pardas, seguidas por 37,7% contra mulheres brancas. As ocorrências incluem agressões verbais, físicas, vazamento de dados pessoais e ameaças de morte e violência sexual.
Entre os casos emblemáticos registrados no pleito de 2026 está o da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos. A parlamentar, que se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara e a deputada mais jovem já eleita no país, precisou recorrer a segurança armada após sofrer ameaças e ter seus dados expostos.
Canais para denúncia
A violência política contra a mulher pode ser denunciada por meio do Disque 180 (telefone, WhatsApp 61 9610-0180 ou e-mail [email protected]), na Procuradoria-Geral Eleitoral, nas delegacias da Polícia Federal e na Ouvidoria das Mulheres do CNMP. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo número 190.