22/09/2025
Justiça
Você chegou quietinho, há cerca de dez dias. Não pediu nada, não incomodou ninguém. Procurou abrigo com humildade, encontrando refúgio próximo ao quartel. Dormia em silêncio, comia quando podia, sequer latia. Seu único gesto era levantar-se para se alimentar — como quem agradece à vida por mais um dia.
Era apenas um ser em busca de paz. Um animal abandonado, invisível aos olhos apressados, mas visível ao coração de quem ainda sente. E hoje, no município de Chalé, sua jornada foi interrompida por mãos cruéis. Envenenado. Silenciado de forma covarde.
Mas há algo que não pode ser silenciado: a consciência.
A justiça dos homens pode falhar, pode tardar, pode se esconder atrás de desculpas. Mas a justiça divina não falha. Ela vê o que os olhos fingem não ver. Ela escuta o que o mundo ignora. E ela age — no tempo certo, com a força certa.
Que sua partida não seja em vão. Que seu silêncio ecoe como um grito por compaixão, por responsabilidade, por humanidade. Que Chalé — e todos os lugares — despertem para o respeito à vida, seja ela qual for.
Porque quem é capaz de ferir um inocente, é capaz de ferir o mundo.