O Centro de Desenvolvimento Comunitário das Timbaúbas (CDCT) é uma associação que já totaliza dezessete anos de existência. Inicialmente era chamada ASMIPESAL – Associação de micro e pequenos empreendedores do Salesiano. A constituição primeira dessa associação desfez-se dando lugar para novos integrantes, totalizando-se atualmente em um número de onze pessoas . Esta nova constituição de associado
s recebeu da prefeitura de Juazeiro do Norte no Ceará, um terreno no bairro das Timbaúbas, onde passaram a construir em regime de mutirão a sede da associação aos finais de semana e feriados. A sede dispõe de treze boxes para o comércio individual de cada associado que participou da construção do seu espaço, além de um espaço interno voltado para o uso comunitário. Neste espaço pretende-se construir uma pequena escola, também para o uso da comunidade local. Das onze pessoas que atualmente integram a associação, nove são moradoras do bairro onde o referido terreno f**a localizado. Devido a necessidade de direcionar o trabalho da associação voltando-o diretamente para o bairro em questão, enxergou-se a necessidade de se buscar parcerias. Juraci Barbosa, integrante e fundador da ASMIPESAL buscou o auxílio da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares e Solidários (ITEPS) na UFC – Campus Cariri. Desde então a incubadora tem auxiliado a atuação da associação no bairro das Timbaúbas, e tem proporcionado outras parcerias com atuação mais indiretas, todas estão voltadas para a promoção do desenvolvimento local segundo as vias da Economia Solidaria (ES). Tal economia atua na perspectiva de desenvolvimento local segundo os princípios de sustentabilidade, cooperativismo, solidariedade e autogestão, através da criação de instrumentos de fomento ao consumo, produção e geração de renda dentro da localidade em que se desenvolve. Deste modo a associação passou a chamar-se Centro de Desenvolvimento Comunitário das Timbaúbas (CDCT). O Centro passou por diversas capacitações abordando temas sobre associativismo, cooperativismos, gestão social, finanças solidárias, dentre muitas outras, e tem promovido continuamente momentos de aproximação com a comunidade, através de reuniões, capacitações e seminários, além de eventos como bingos, bazares e festejos de datas comemorativas, onde sempre se faz o proveito de disseminar o ideal de desenvolvimento local segundo os termos da ES. O CDCT estabeleceu três fases para atingir este ideal: 1. Estruturação, capacitação e mobilização da comunidade; 2- Implantação de um banco comunitário de desenvolvimento e 3- estruturação de uma rede de Economia Solidária. Atualmente o trabalho desenvolvido pelo CDCT em sua parceria com a ITEPS encontra-se na execução da segunda fase. Através da atuação do banco já existe um número relevante de pessoas que têm se esquivado da fome e algumas tem podido criar alguma pequena atividade produtiva, pois é disponibilizado pelo banco crédito para consumo e produção. A atuação do banco auxilia a renda mensal das pessoas que estão à margem da sociedade, além de apropriar estas pessoas acerca de sua realidade, através do Timba, a moeda social criada para circular exclusivamente no bairro. Esta moeda é lastreada em real e tem forte valor simbólico nas realidades em que é inserida. Entretanto, no que se refere à atuação destes empreendimentos solidários, ainda existem muitas dificuldades, das quais duas são mais recorrentes: 1. Falta de recursos para serem investidos em ações de caráter mais urgente como a finalização da estrutura física do espaço do CDCT e BCDT, que encontram-se com relação às condições de segurança e de estética, muito precárias; e 2. A dificuldade quanto à criação do vínculo de confiança e credibilidade entre moradores e banco. Possivelmente a primeira dificuldade citada pode ter alguma contribuição no que se refere à segunda.