16/05/2026
AH, SE FOSSE COMIGO!
“Ah, se fosse comigo”! Esta é a frase preferida de muitos teóricos de poltrona, que se acham especialistas em tudo, apresentando soluções simplórias para problemas complexos, no entanto, essa manifestação apenas demonstra o quanto quem a utiliza é desconhecedor do assunto.
Enquanto não sentimos na pele a força de um grande problema, costumamos julgá-lo de fácil solução, mas nem sempre é tão simples assim. Somente quando o desafio bate à nossa porta é que de fato sabemos o quão desafiador ele é. Enquanto não vivenciamos o problema é fácil minimizar seu potencial, difícil é nos colocarmos, de fato, no lugar do outro.
Achar, muita gente acha muita coisa, mas ter certeza é para poucos. Toda orientação fundamentada em “achismos” não se sustenta como uma base concreta e segura de informação. Por isso, devemos receber com cautela todas as sugestões e receitas fundamentadas em hipóteses não confirmadas, apresentadas por pessoas que não dominam o assunto, que não vivenciaram o problema e que possui uma ideia raso sobre o tema.
A partir do momento em que experienciamos o drama mudamos radicalmente a maneira como o enxergávamos. Nesse momento, muitos preconceitos caem por terra, muitos pré-julgamentos se desfazem.
“Ah, se fosse comigo”! Reproduzir essa fala é olhar para nós mesmos e nos julgar perfeitos, donos da verdade e conhecedores da receita, ao mesmo tempo em que olhamos para o outro como se ele fosse incapaz.
“Ah, se fosse comigo! Se fosse consigo talvez não diria isso, porque saberia o quão complexo e desafiador é lidar com um problema de alta complexidade. Mas, se por acaso for contigo, não tenha medo de buscar a ajuda adequada, com a certeza de que todo grande problema vem sempre acompanhado de grandes aprendizados.
Celso Garrefa