Redes do Bem

Redes do Bem O Redes do Bem é um projeto de extensão da UFPB e amigos interessados em ajudar a humanidade a f**ar mais coerente. Veja as fotos e saiba mais...

A missão do Redes do Bem é atuar com base no equilíbrio, na ética e na sustentabilidade, com ações sociais nos campos da educação, saúde, cidadania, cultura e lazer, valorizando o vegetarianismo, o voluntariado e a espiritualidade.

11/06/2026

Existe um motivo pelo qual a ideia de “cara-metade” nos encanta tanto.

Ela promete que, em algum lugar do mundo, existe alguém capaz de resolver nossa solidão, nossas inseguranças e até nossa sensação de incompletude.

É uma narrativa bonita. Mas também pode colocar um peso impossível sobre qualquer relacionamento.

Quando esperamos que o outro nos faça sentir inteiros, transformamos o amor em uma busca constante por validação. E toda frustração passa a parecer uma prova de que “não era a pessoa certa”.

A tradição do Vedanta propõe uma mudança de perspectiva.

Ela ensina que a nossa capacidade de amar não depende de encontrar alguém perfeito, mas de desenvolver uma consciência mais profunda sobre quem somos. Quanto mais cultivamos essa maturidade interior, mais conseguimos construir relações baseadas em presença, serviço, cuidado e responsabilidade compartilhada.

O relacionamento mais transformador não é aquele em que duas metades finalmente se encontram.

É aquele em que duas pessoas inteiras escolhem, todos os dias, crescer juntas.

Era uma vez dois peixes que nadavam juntos quando passaram por um velho conhecido. O velho peixe acenou e disse “Bom dia...
09/06/2026

Era uma vez dois peixes que nadavam juntos quando passaram por um velho conhecido. O velho peixe acenou e disse “Bom dia! Como está a água para vocês hoje?” e seguiu adiante. Os dois jovens se entreolharam e disseram: “o que é água?”. Essa é uma metáfora signif**ativa com a qual o escritor David F. Wallace abriu seu discurso de formatura.

Nós, assim como os jovens peixes, temos grande dificuldade em perceber as influências ao redor. E, em uma sociedade em que a manipulação dos nossos desejos e pensamentos é uma ferramenta de manobra econômica, política e social, perceber isso é essencial. Quanto mais acreditamos estar livres delas e pensamos ser os únicos donos do que se passa em nossa mente, mais fácil é sermos enganados. No filme A Origem, a personagem de Leonardo DiCaprio defende que uma ideia que a pessoa acredita ter vindo da sua própria mente resiste e define quem ela é, muito mais do que algo que ela acredita ter vindo de fora.

Pensamos que escolhemos nossas ideias quando, muitas vezes, como dizia Jung, são elas que nos escolhem. Nossa pretensa escolha é fortemente inspirada pelo Zeitgeist, o espírito da época, a atmosfera psíquica que nos rodeia. Isso traz benefícios, pois facilita nossa convivência social e a absorção das evoluções e conquistas do nosso tempo. Mas também é uma armadilha. Sem consciência da força dessas influências, o indivíduo tem uma falsa sensação de autonomia que o impede de desenvolver uma individualidade verdadeira saudável, com o ego se vangloriando de uma originalidade que, de fato, não tem.

Além disso, f**a fácil perder o senso crítico e cair vítima de trends, mesmo que sejam danosas a nós ou aos outros. Ainda pior, podemos aceitar comportamentos e ideias erradas que sejam aceitos pela sociedade. Tantas atrocidades já ocorreram que, na época, eram consideradas normais, como a escravidão. CONTINUA NOS COMENTÁRIOS

Difundida nas teorias psicológicas e filosofias holísticas do século XX, a autorrealização referia-se à um processo de a...
06/06/2026

Difundida nas teorias psicológicas e filosofias holísticas do século XX, a autorrealização referia-se à um processo de autossatisfação diante de uma hierarquia de necessidades psicossociais, rumo à plenitude humana. No século XXI, porém, a autorrealização parece um rosto diante de um espelho empoeirado.

Hoje, mal utilizada por coaches ou mentores do mundo corporativo, a autorrealização confunde-se com uma performance egocêntrica, na qual as pessoas reduzem suas vidas à melhora do rendimento e da produtividade econômica. É comum a autorrealização alienar-se à pressa, às metas e às visualizações e curtidas em redes sociais.

Uma cultura de performance também engana espiritualistas. Quantos não se iludem pela vaidade e poder, ansiando por serem adorados e obterem muitos seguidores?

Quando somos reféns das demandas materiais, há algum espaço para vivermos a presença profunda e espiritual da alma? Nosso ser se reduz a uma boa e lucrativa performance?

Na filosofia Bhakti Vedanta, a autorrealização é espiritual, signif**a agir sob o princípio nirāśīr nirmamo, sem desejo de lucros, sem sentido de propriedade. A autorrealização é a superação do egocentrismo e do desejo de posse. E não uma autoperformance.

Na autoperformance, os sujeitos competem para chegar ao topo do sucesso, para g***r de uma satisfação narcísica, explorando a natureza, os outros e a si mesmo numa exaustão sem fim.

Na autorrealização faz-se uma caminhada meditativa, não isenta de obstáculos e esforços pessoais; ganha-se serenidade e alegria ao longo do caminho. Trata-se de uma introspecção pelo mundo da alma, uma cultura de presença real consigo mesmo.

O praticante maduro de Bhakti Yoga, não se confunde com seu papel social e não se apega aos lucros de suas ações, mas o realiza com perícia e virtude, gozando com dignidade os frutos de seu trabalho.

Em autorrealização espiritual busca-se uma presença amorosa, menos egoísta, movida por uma ética de serviço ao outro e ao Senhor Krishna. Com essa prática, gradativamente limpa-se o espelho do coração e um verdadeiro semblante espiritual aparece.

Escrito por Rafael Gregório, professor do IFPA, doutorando em educação, docente da UniBV

03/06/2026

Toda tradição espiritual possui símbolos.

Mas algumas tradições vão além: afirmam que certos símbolos não são apenas representações do sagrado, mas meios pelos quais uma realidade espiritual se torna presente e acessível à experiência humana.

A dificuldade que muitos de nós temos em compreender isso vem de um hábito profundamente moderno: separar matéria e signif**ado.

Passamos a enxergar o mundo como um conjunto de objetos. Coisas que podem ser medidas, pesadas, analisadas e classif**adas.

Mas a experiência humana nunca funcionou assim.

Uma fotografia pode valer mais do que o papel em que foi impressa.
Um lugar pode nos emocionar não pelo espaço físico, mas pela história que habita ali.

A consciência humana sempre reconheceu que existe uma diferença entre valor material e signif**ado.

A questão espiritual é apenas um passo além:
e se a realidade for mais profunda do que aquilo que nossos sentidos captam?

Tanto as tradições cristãs quanto as védicas, cada uma à sua maneira, desafiam a ideia de que a matéria é algo fechado em si mesma.

Elas sugerem que o mundo pode ser mais permeável ao transcendente do que costumamos imaginar.

Talvez por isso a pergunta mais interessante não seja onde o sagrado está.

Mas se ainda desenvolvemos a sensibilidade necessária para percebê-lo.

Aqui o autor comenta o verso 25 do capítulo 1 da Bhagavad-gītā que lhe despertou emoções marcantes durante a leitura. É ...
02/06/2026

Aqui o autor comenta o verso 25 do capítulo 1 da Bhagavad-gītā que lhe despertou emoções marcantes durante a leitura.

É quando Krishna conduz a carruagem até o centro do campo de batalha, posicionando Arjuna de frente para os dois exércitos inimigos e, então, diz:
Na presença de Bhīṣma, de Droṇa e de todos os outros comandantes do mundo, o Senhor disse:
“Simplesmente observe, Pārtha, todos os Kurus aqui reunidos”.

Coloque-se no lugar de Arjuna nesse exato momento. Que mar revolto de emoções — angústia, medo, dúvida, compaixão, culpa, confusão — estaria prestes a inundar sua mente, ameaçando sua determinação e abalando as bases de sua identidade?

Apenas para este verso, imaginei como essa cena poderia ter acontecido. O que narro a seguir, foi gerado por uma IA e me surpreendeu bela beleza.

Cena Solene no Campo de Kurukṣetra

Entre as névoas douradas do amanhecer, ergue-se um silêncio sagrado sobre Kurukṣetra. A carruagem de ouro, puxada por cavalos brancos, detém-se no vazio que separa dois oceanos de soldados.

Ali, no limiar entre a vida e a eternidade, Krishna, o Senhor de todos os mundos, ajusta as rédeas com mãos divinas. Seus olhos, profundos como o céu à meia-noite, refletem a serenidade do Infinito.

Arjuna, o arqueiro sem igual, treme. Não pelo fragor da batalha, mas pelo peso da ilusão que irá se desfazer como teia ao vento.

Os exércitos, antes rugidores, calam-se. Até os cavalos imobilizam-se, como se o tempo se curvasse diante da Divina Presença que enche o espaço entre o céu e a terra.

Nesse momento, Krishna não é apenas o cocheiro, mas o sārathi (guia) da alma perdida. Seu discurso não começará com estratégias, mas com a Verdade que dissolve sombras, como expresso no verso 2.12:

"Nunca houve um tempo em que Eu não existisse, nem tu..."

E assim, entre o silêncio dos exércitos e o pulsar do sanātana-dharma, inicia-se o canto imortal que libertaria não apenas Arjuna, mas toda a humanidade — verso após verso, pérolas da sabedoria colhidas no oceano do amor divino.

Escrito por José Carlos Becceneri, Doutor em Ciências pelo ITA, atualmente aluno do curso Bhakti Vedanta da ISKCON.

Tenho pensado muito numa palavra que carrega um peso enorme — e que muita gente se afasta sem nem explorar direito: Devo...
30/05/2026

Tenho pensado muito numa palavra que carrega um peso enorme — e que muita gente se afasta sem nem explorar direito: Devoção.

Parece coisa de ritual, de religião cega. Mas quanto mais eu estudo e quanto mais eu vivo, mais eu percebo que a devoção pode ser uma das forças mais transformadoras que existem — independente da sua crença e do seu estágio nela.

Como a devoção pode mudar tudo?

Vamos responder explicando 4 pontos:

1. Como uma consciência com devoção pode te ajudar no dia a dia.
2. Ser devotado à que ? Precisa ser um Deus ?
3. Como estabelecer a devoção na consciência
4. Como manter uma mentalidade com devoção

É gratuito, é ao vivo e eu tenho certeza que vai mexer com a forma como você enxerga sua própria vida. 🪷

📅 Domingo, 31 de maio
⏰ 16h

No YouTube da Universidade Bhakti Vedanta

29/05/2026

A modernidade transformou a felicidade no grande objetivo da existência.

Mas existe um problema nisso:
felicidade é estado.
E estados passam.

Nenhum ser humano consegue permanecer continuamente satisfeito, motivado ou em paz.
A vida se move entre perdas, desejos, rupturas, construções e impermanências.

Talvez por isso tantas tradições antigas jamais tenham colocado a felicidade como centro da vida humana.

Aristóteles falava em florescimento humano.
Frankl falava em sentido de vida.
A Bhagavad Gita fala em dharma.

Existe algo em comum entre todos eles:
a ideia de que a vida humana amadurece quando encontra uma direção que transcende o próprio prazer.

Porque uma existência guiada apenas pela busca de sensações agradáveis se torna frágil diante do sofrimento.
Mas uma existência orientada por sentido consegue atravessar até o caos sem perder completamente o eixo.

O que dá profundidade, direção e plenitude à experiência humana é o sentido.
Porque uma vida só se torna verdadeiramente inteira quando encontra um porquê.

Grande parte do que chamamos de personalidade pode ser apenas memória se repetindo.Mas muitas vezes, o que sentimos dian...
27/05/2026

Grande parte do que chamamos de personalidade pode ser apenas memória se repetindo.

Mas muitas vezes, o que sentimos diante de alguém, de uma situação ou de uma palavra… já estava sendo preparado há muito tempo.

A mente humana não funciona apenas através da lógica consciente. Ela opera também por registros emocionais, memórias implícitas, associações automáticas e padrões repetidos ao longo da vida.

Na Psicologia Védica, essas tendências são chamadas de vasanas e samskaras: impressões que permanecem ativas e influenciam a forma como percebemos a realidade.

A Neurociência moderna começa a descrever o mesmo fenômeno por outros nomes:
hábitos neurais, memória implícita, condicionamento, esquemas mentais.

Talvez por isso mudar seja tão difícil.
Porque não basta trocar o ambiente enquanto a mente continua interpretando o presente pelos arquivos do passado.

Mas existe algo profundamente transformador nisso tudo:
o ser humano também possui a capacidade de observar os próprios padrões.

E é justamente nesse espaço de observação que nasce a liberdade.

Quando você percebe o mecanismo, deixa de ser completamente conduzido por ele.

A Inveja Nossa de Cada DiaA inveja é uma emoção perniciosa, alimentada pela incapacidade de alguém se satisfazer com sua...
26/05/2026

A Inveja Nossa de Cada Dia

A inveja é uma emoção perniciosa, alimentada pela incapacidade de alguém se satisfazer com suas próprias conquistas enquanto se compara constantemente aos outros. Ela gera sentimentos de inferioridade e, com frequência, leva à desvalorização do próximo como forma de compensação — uma tentativa de se sentir superior ao rebaixar o outro.

O analista junguiano Rafael López-Pedraza identif**a três formas principais de inveja: a da beleza, a entre irmãos e a profissional. Em nossa sociedade cada vez mais competitiva, atrelada à busca por prestígio, poder e sucesso, ela também se manifesta na cobiça por bens materiais, cargos e reconhecimento. Surge assim outro sentido para a palavra: a incapacidade de vibrar genuinamente com o sucesso e as realizações alheias.

Os Vedas, antigos textos da sabedoria milenar indiana, propõem dois caminhos para lidar com ela.

O primeiro é a atitude de serviço diante de quem nos inveja. Aqui, serviço não signif**a submissão, mas uma abertura genuína ao outro — buscar conhecê-lo, tratá-lo com consideração, oferecer um sorriso sincero, uma escuta atenta ou um gesto de gentileza no dia a dia. Pode parecer estranho aproximar-se de quem nos hostiliza, mas esses pequenos atos funcionam como uma trégua: comunicam ao outro que não há razão para rivalidade e abrem espaço para uma relação, pautada por outros valores.

O segundo caminho é a prática da apreciação — o hábito de reconhecer as qualidades das pessoas ao redor. Em vez de buscar defeitos nos outros antes de examinar os próprios, podemos desenvolver o que os Vedas chamam de "consciência da abelha": assim como ela busca o néctar em cada flor, aprendemos a enxergar o que há de bom em cada pessoa, tomando os bons exemplos como inspiração para o nosso crescimento pessoal.

No fim, a inveja revela pobreza de espírito e prende quem a sente numa rede interminável de comparação. O verdadeiro adversário não está lá fora. Superá-los, dia após dia, é o único combate que realmente vale a pena.

Escrito pelo prof. Hermano Trineto, Psicólogo, com especializações na Psicologia Analítica, autor de três livros na interface entre saúde mental e a filosofia Bhakti Vedanta.

23/05/2026

Muitas vezes pensamos que estamos enxergando a realidade de forma objetiva.

Mas a mente raramente encontra o presente sem intermediários. Ela compara, associa, projeta, interpreta. Tudo passa por registros emocionais acumulados ao longo da vida.

Na tradição védica, essas marcas internas são chamadas de samskaras, e as tendências que surgem delas recebem o nome de vasanas: impulsos sutis que influenciam percepções, desejos, medos e padrões de comportamento quase automaticamente.

A psicologia contemporânea descreve algo semelhante através dos esquemas mentais e circuitos automáticos formados pela repetição.

Por isso, mudar apenas o cenário externo nem sempre transforma a experiência interna. Você pode mudar de cidade, relação ou rotina… e ainda assim continuar encontrando versões diferentes do mesmo padrão.

O ponto central não é eliminar completamente as marcas do passado.
É desenvolver consciência suficiente para não obedecer a todas elas.

Existe uma diferença entre sentir um impulso e ser conduzido por ele sem perceber.

E talvez uma das formas mais profundas de liberdade seja justamente essa:
criar espaço entre aquilo que você sente e aquilo que decide alimentar.

Endereço

João Pessoa, PB

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