O coletivo Tribo Éthnos é um grupo artístico filosófico que surgiu em 06 de março de 1990 em João Pessoa, capital do estado da Paraíba, na região Nordeste do Brasil. Tem como expressões principais, a música e a dança e se utiliza de outras linguagens artísticas como artes gráficas, artes plásticas, literatura, fotografia, moda (indumentária) e quadrinhos, unindo as expressões da cultura local, anc
estral e regional com elementos de outras culturas valendo-se das linguagens tradicionais em consonância com os movimentos contemporâneos. É assim que desenvolve e apresenta seus trabalhos que são geralmente multi e interdisciplinares e, sobretudo, multiestéticos, privilegiando vários estilos musicais e diversas escolas artísticas. Da música às outras expressões, seu estilo pessoal e calcado na mistura, ‘mestiçagem’, sincretismo de múltiplas tendências de tempos, lugares e épocas diferentes. Tem como princípio ideológico a pratica da inclusão e como ideal filosófico, o encontro entre culturas e raças dentro de um contexto humanista. Folclore, arte e música indígena e afro-brasileira, Hip-Hop, Techno e cultura digital, Rock, música e arte nordestinas, MPB, Samba, ritmos caribenhos, Jazz, musica étnica, Wolrd Music, erudito e clássico, a Tribo Éthnos passeia um pouco por cada uma destas expressões e sonha com o dia que possa executar outras idéias e trabalhos com artistas de outras nações e povos do mundo. Passo que foi iniciado com os franceses, africanos e alemães em alguns de seus trabalhos e na atual formação do grupo e em seu novo empreendimento artístico, o mais recente projeto: “Triballo - O conselho das Tribos e dos Clãs”. Alguns dos trabalhos e proposições do grupo por ordem cronológica:
• Conflictdasmarées – Primeiro CD da Tribo Éthnos gravado em dezembro de 1993 e janeiro de 1994, em Campina Grande, na Paraíba. Este disco reúne as várias tendências musicais que cada um dos componentes cultivava na época: Rock, Rap, Blues, Soul e Funk, Raggamuffin e Reggae, Pop e New Age. As letras foram divididas em Português, Igbu e Inglês (línguas maternas do nigeriano Kingsley Émele Charles). O título do disco é um enfoque dos acontecimentos daquele período e de certa forma, uma alusão as condições adversas em que o grupo realizava seus trabalhos, um conflito de situações, um “conflito de marés”, e este trabalho já anunciava o ideário internacionalista e multi-racial que o grupo buscava para a consolidação de suas futuras obras.
• Musical UrbanusHip-Hópera – Feito com a intenção de unir elementos da Ópera com a linguagem “Guetocêntrica” da cultura Hip-Hop, este musical foi apresentado em 1994 nos teatros Paulo Pontes e Santa Roza sucessivamente. Com música e coreografia da Tribo Éthnos mais tarde (em 2001 e 2002) o musical seria retomado, só que com mais recursos expressões artísticas, com cenografia, figurino, dança e música inspirados em antigas tradições e culturas (principalmente, indígenas e africanas), elementos experimentais e acústicos, música eletrônica (respaldada pela performance do músico francês Didier Guigue) e a música africana de Guilherme Semmedo (proveniente de Guiné-Bissau). Nesta ocasião, o espetáculo tornou-se o musical “Urbanus”.
• Meddrooaavon – Segundo disco do grupo gravado em 1996 e 1997 em João Pessoa, na Paraíba. “Meddrooaavon” significa “Nova Ordem” lida ao contrário e modificada para passar o efeito ‘sígnico’ e ‘cabalístico’ da qual essencialmente se prestam as mensagens nos textos, imagens e letras contidos no álbum. É um disco proto-manifesto da Tribo Éthnos, pois já traz, de certa forma, os sonhos, idéias e o estilo “mestiçado” com o qual o grupo passa a desenvolver seus trabalhos a partir daquele momento.
• Criação da Association Tribo Éthnos France em 2002 por Charly Blier e Samuel Demolliens com o objetivo de difundir as idéias do Coletivo Tribo Éthnos na França e promover parcerias com artistas franceses. Uma das ações previstas que tal iniciativa promoveu foi o evento Tournée en France: Juin-Juillet 2003 com o objetivo de participar do Ano do Brasil na França com concertos em Festivais de Jazz, Música do Mundo e Música de Rua em cidades como Lyon e Paris e festivais como fête de la musique em Lyon. Apesar de estabelecerem vínculos com associações e receber convites de algumas delas o projeto em questão não logrou êxito por não terem conseguido o apoio para as passagens aéreas aqui no Brasil. No entanto tal experiência foi importante para consolidar os laços da Tribo com alguns artistas e estudantes de intercâmbio franceses que têm colaborado efetivamente com seus projetos aqui no Brasil e na França.
• Triballo - O conselho das Tribos e dos Clãs (“Triballo - A Dança dos Ciclos”) – Iniciado em 1998, este projeto é um tipo de laboratório sonoro-musical e um layout para o Dossiê “Triballo - A Dança dos Ciclos”. Neste caso, realizando gravações em estúdio caseiro como pré-produção para o mesmo e ao mesmo tempo uma espécie de preparação e treinamento para os prováveis desafios que tal empreendimento demanda. Nesta etapa do projeto, o grupo irá gravar três volumes (dois já estão prontos), do qual serão selecionadas algumas músicas e compiladas no “Dança dos Ciclos”, sendo este um livro com CD duplo, tendo músicas de compositores locais e de outras regiões e países com releitura da Tribo e arte desenvolvidas por artistas convidados de pelo grupo. Quadrinhos, fotografia, artes gráficas e música fazem parte do propósito do projeto que em suma é uma tentativa da Tribo Éthnos de contribuir para o mundo com esta mensagem de “Conexão Planetária” e como contraponto a Globalização desumanizante promovida e cultivada pelo Mercado Corporativo, a Indústria Cultural e a Política Internacional dos Países ditos de primeiro mundo.
• Ethnotron - Ghetto Experiment por Coletivo Tribo Éthnos 21 anos
O Projeto Ethnotron - Ghetto Experiment é resultado de um sonho do Coletivo Tribo Éthnos de integrar técnicas e referências de vários estilos de dança (dança de rua, danças étnicas, danças populares, balé, etc.), artes marciais, Yôga numa abordagem contemporânea e algumas descobertas e conexões que há vinte e um anos fazem parte do universo criativo e pesquisas do grupo. Esta experiência começou a ser montada no fim de 2009 no Centro Cultural Piolin como laboratório de dança e estudos coreográficos, se estendeu até a escola Fazendo Arte durante 2010 e no presente momento o grupo continua seus experimentos e ensaios no Mezanino 1 da Fundação Espaço Cultural.
“Ethnotron – Ghetto Experiment” são experimentos coreográficos que referendam nossa trajetória e contatos com várias técnicas, dando ênfase especial a dança de rua (danças urbanas) e a partir disso elaborar metodologias e vocabulários para os próximos trabalhos do grupo.