04/05/2026
Em sessão extraordinária ocorrida na última quinta-feira (30), a maioria dos vereadores de Imbituba aprovaram Projeto de Lei que passa a autorizar embarcação a motor elétrico na Lagoa de Ibiraquera, o que estava proibido desde 1995.
Esse debate merece uma análise cuidadosa sob a ótica ambiental, social e cultural.
O uso de embarcações motorizadas pode gerar uma sobrepesca, pois aumenta a capacidade dos pescadores que já exercem essa atividade. Além disso, o número de pescadores também tende a aumentar, pois o remo funciona como uma barreira natural. Ele exige esforço, tempo e experiência. Isso regula o acesso ao recurso pesqueiro e contribui para a sua sustentabilidade. Com o uso de motor essa barreira deixa de existir.
A lagoa de Ibiraquera é berçário e reprodução de diversas espécies. A retirada de pescado em uma taxa superior à capacidade de reposição natural afeta não só o equilíbrio da pesca, mas o equilíbrio desse importante ecossistema lagunar.
Os pescadores que não têm condições ou não querem adquirir embarcação a motor, ficarão em desvantagem. Além disso, as embarcações podem ser utilizadas para o esporte e para o lazer, aumentando o conflito de atividades na lagoa e intensificando o uso e a pressão sobre o espaço.
A baixa capacidade fiscalizatória presente na nossa realidade, somada a todos esses fatores, pode gerar um ambiente de desordem e caos, prejudicando a sadia qualidade de vida da lagoa e todos que com ela convivem.
Por todos esses motivos e outros, o Conselho Comunitário de Ibiraquera (CCI) e a Associação de Pescadores de Ibiraqiera (ASPECI)