Histórico do Assentamento Chico Mendes
A historia do Assentamento Chico Mendes, teve inicio em meados do mês de fevereiro de 2002, onde neste período os trabalhadores e trabalhadoras rurais, militantes e dirigentes do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, apoiados pelo acampamento Bom Lugar, começaram a se articular em busca de terra, melhores condição de vida e de trabalho. Em conse
quência desta articulação, aos 14 de abril de 2002, as 03:30 horas da manhã, chegam ao sitio denominado Cipó, no Distrito de Cruzeirinho, Município de Icó – CE, cerca de aproximadamente 160 familias de vário municípios do estado do Ceará (Senador Pompeu, Quixeramobim, Pedra Branca, Acopiara, Iguatú, Orós, Jaguaribe e Icó) e do vizinho estado da Paraíba (Uiraúna)
Essas famílias chegaram num caminhão, um ônibus e um pelotão de 9 motos que liderava o grupo, grupo este formado pelo STTR de Icó e Orós, CPT e o MST. Quando amanheceu o dia foi hasteada bandeira e entoado, pela primeira vez naquele solo, o Hino do MST. Depois disso, começaram distribuir as tarefas práticas do dia, como a construção dos barracos de lona preta e a divisão do acampamento em cinco grupos de famílias. Feito isso os dirigentes do MST iniciaram os estudos de conscientização dos acampados. Foi formada a coordenação do acampamento, onde todos os trabalhos eram planejados e organizados por esta coordenação. A coordenação do acampamento era composta por um coordenador e um vice-coordenador de cada grupo, uma coordenação de trabalho, uma coordenação de disciplina, sendo um de cada grupo, e um coordenador geral do acampamento. Essa coordenação elaborou as normas e o regimento interno do acampamento que foi apreciado depois pela assembleia. O nome escolhido para o acampamento foi Chico Mendes, para que jamais a memoria de um lutador do povo fosse esquecida. Esse nome foi aprovado em assembleia geral por todos os acampados. Desse momento em diante os acampados travavam uma luta de resistência e de sobrevivência, para conseguirem definitivamente o direito de morar, trabalhar e produzir no sonhado assentamento. Muitos companheiros não acreditavam, outros não outros perderam a esperança e deixaram sobre os verdadeiros lutadores, todo o peso de levar o sonho adiante. Foram oito meses de lutas, trabalho, conscientização e superação. Tudo isso foi necessário para que os acampados respeitassem as pessoas, mas fossem respeitados também. Durante todo esse período, tivemos várias visitas de entidades que vieram prestar todo o seu apoio e sua solidariedade. Tivemos também doações de roupas, calçados e principalmente de alimentos. Nesses oito meses tivemos que dar um passo fora do terreno e nesse momento a nossa historia ganha um personagem muito importante, o senhor José Gonçalo Vitorino, que nos cedeu um pedaço de terra para que nós pudéssemos transferir o acampamento e não sofre a ordem de despejo por parte da justiça, selando assim nossa resistência. E desta forma aos 13 de dezembro de 2002, as 09:00 horas da manhã, os acampados seguiram em direção a sede da fazenda Cachoeira, homens mulheres e crianças para receber a emissão de posse, o tão sonhado documento que dá o direito de posse ao precioso bem que é a terra.