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14/09/2026

Marquiel Melo CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO
O STF NÃO PODE MUDAR AS REGRAS DURANTE O JOGO
14 de setembro de 2026

Brasileiros,
Há momentos em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser omissão.
O que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal exige atenção, transparência e coragem para questionar até mesmo aqueles que ocupam os cargos mais elevados da República.
Nos últimos dias, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, adotou medidas extraordinárias em meio à crise envolvendo investigações relacionadas ao antigo Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro André Mendonça. Fachin abriu procedimentos, suspendeu decisões, retirou Moraes da condução do inquérito das fake news e determinou providências que interferem diretamente no ambiente em que André Mendonça conduz o caso Master. Mendonça, entretanto, permanece formalmente relator da Operação Compliance Zero no Supremo.
É justamente por isso que a pergunta precisa ser feita com clareza:
Até onde pode ir o presidente do STF para interferir em decisões, providências e procedimentos ligados a um processo regularmente distribuído a outro ministro?
Se André Mendonça cometeu irregularidades, que sejam demonstradas.
Se praticou abuso, que seja responsabilizado.
Se existe impedimento, suspeição ou desvio funcional, que sejam utilizados os instrumentos previstos na Constituição, nas leis e no Regimento.
Mas o que não pode parecer aceitável em uma República é que, justamente quando uma investigação alcança pessoas poderosas dentro do próprio sistema de Justiça, as regras de competência, distribuição e condução processual pareçam tornar-se flexíveis.
Isso causa indignação. Isso causa revolta.
Porque Justiça não é Justiça somente quando pune os pequenos, os adversários ou aqueles que não pertencem aos círculos de poder. Justiça precisa valer principalmente quando os fatos alcançam quem está sentado no topo da estrutura do Estado.
O princípio do juiz natural não é um detalhe burocrático. A distribuição de processos não existe para decorar o Regimento Interno. Ela existe justamente para impedir escolhas casuísticas, alterações de percurso e interferências que possam produzir a aparência de que o julgador, o investigador ou o procedimento muda conforme a conveniência do momento.
A Presidência do Supremo não pode se transformar em um supergabinete acima dos demais ministros.
Não podemos aceitar como normal que a expressão “crise institucional” funcione como justif**ativa genérica para medidas excepcionais. Cada interferência precisa estar amparada por competência clara, fundamento jurídico expresso e possibilidade de controle pelo colegiado.
Fachin tem o dever institucional de reagir a acusações graves envolvendo integrantes do Tribunal. Isso é compreensível e, em determinadas situações, necessário. Mas exatamente por ocupar a Presidência do STF, sua obrigação de demonstrar os limites jurídicos de cada ato é ainda maior.
O que precisa ser explicado ao Brasil é simples:
Qual dispositivo autoriza cada intervenção? Qual fato concreto justificou cada providência? Onde termina a função administrativa e institucional da Presidência e onde começa a competência do relator natural?
Essas respostas não pertencem a Fachin, a Mendonça, a Moraes ou a qualquer outro ministro. Pertencem ao povo brasileiro.
E aqui está o verdadeiro vitupério institucional: permitir que se instale na sociedade a impressão de que a regra vale enquanto não incomoda quem tem poder.
Uma Suprema Corte deveria ser o lugar onde essa dúvida jamais pudesse nascer.
Não defendo André Mendonça simplesmente porque se chama André Mendonça. Não condeno Edson Fachin simplesmente porque se chama Edson Fachin. Defendo algo infinitamente maior do que ambos: a regra impessoal.
Hoje uma competência pode ser relativizada porque o ambiente se tornou inconveniente. Amanhã poderá acontecer com outro ministro. Depois, com outro cidadão. Quando a exceção começa a substituir a regra, deixamos de ter segurança jurídica e passamos a depender da conveniência de quem ocupa o poder.
Esse caminho é perigosíssimo para qualquer democracia.
O ministro Fachin pode entender que está protegendo o Supremo de uma crise. Entretanto, proteger uma instituição não signif**a protegê-la da investigação, da exposição dos fatos ou do constrangimento público. Protege-se uma instituição submetendo-a às mesmas regras que ela exige de todos os demais brasileiros.
Se existem mensagens, documentos, suspeitas, relações impróprias ou possíveis crimes envolvendo qualquer autoridade, tudo deve ser apurado - seja ministro do STF, banqueiro, empresário, parlamentar, policial ou cidadão comum.
Sem proteção. Sem perseguição. Sem vazamento seletivo. Sem escolha conveniente de investigador. Sem esconder fatos favoráveis ou desfavoráveis. E, sobretudo, sem mudar as regras no meio do jogo.
Ministro Fachin, o Brasil não precisa que o Supremo seja protegido da verdade.
O Brasil precisa que o Supremo seja protegido pela verdade.
Não existe autoridade tão elevada que esteja acima da Constituição. Não existe toga que transforme um homem em infalível. Não existe Presidência de Tribunal que possa substituir a lei pela conveniência institucional.
E não existe democracia verdadeira quando o cidadão começa a desconfiar de que determinadas autoridades possuem regras próprias.
Por isso, minha indignação não é um ataque ao Supremo Tribunal Federal. É uma defesa do Supremo que o Brasil deveria possuir: forte porque é imparcial; respeitado porque é transparente; independente porque respeita seus próprios limites; e legítimo porque ninguém - absolutamente ninguém - está acima da lei.
Que o Plenário esclareça tudo. Que os documentos sejam conhecidos nos limites necessários à investigação. Que cada ministro explique seus atos. Que qualquer irregularidade seja investigada. E que o Brasil saiba se estamos diante da aplicação rigorosa do Regimento ou de uma intervenção excepcional que ultrapassou os limites que a própria Justiça deveria respeitar.
O povo brasileiro não pode ser tratado como espectador de uma disputa entre homens poderosos.
A Justiça pertence à República. A República pertence ao povo. E o povo tem o direito de saber a verdade.
Marquiel Melo
Carta de opinião

REFERÊNCIA FACTUAL
Texto de opinião elaborado a partir de atos e informações públicas divulgados pelo STF e pela Agência Brasil em setembro de 2026, incluindo: Nota à Imprensa do STF de 9/9/2026; notícias sobre o encaminhamento de acusações contra André Mendonça (3/9), a abertura de prazo para manifestações (4/9), a suspensão de decisões envolvendo a direção da Polícia Federal (9/9) e a determinação para retirada de sigilo de documentos da Operação Compliance Zero (11/9).

12/09/2026

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), intensificou seus protocolos de segurança pessoal após assumir a relatoria de processos envolvendo o Banco Master e desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre as medidas adotadas, o magistrado passou a utilizar colete à prova de balas e veículos blindados para deslocamentos. O reforço na proteção foi estendido também aos membros da família do ministro.

De acordo com interlocutores de Mendonça, a decisão de retirar o sigilo de um relatório — fato que ampliou a crise interna no STF — foi motivada pela gravidade das informações descobertas nas investigações e pelo temor de que o ministro pudesse sofrer um atentado.

Pessoas próximas ao magistrado relatam que a preocupação com uma possível “queima de arquivo” influenciou o endurecimento das medidas. Embora a equipe de segurança não forneça detalhes específicos sobre o esquema por questões estratégicas, a ampliação da proteção foi confirmada.

🇧🇷Marquiel Melo Será que os Generais e Coronéis estão cegos e surdos?Brasileiros:O que aconteceu no STF merece indignaçã...
12/09/2026

🇧🇷
Marquiel Melo
Será que os Generais e Coronéis estão cegos e surdos?

Brasileiros:

O que aconteceu no STF merece indignação.

O ministro André Mendonça afastou dirigentes da Polícia Federal diante de suspeitas gravíssimas envolvendo relatórios de inteligência e possível monitoramento irregular. Sua decisão não ficou simplesmente na vontade de um homem: foi submetida à Segunda Turma do STF e já havia formado maioria pela manutenção do afastamento quando o julgamento foi interrompido por pedido de vista.

E então veio Flávio Dino.

Antes de o próprio colegiado concluir o julgamento, Dino utilizou outro processo para produzir efeito contrário e determinar a volta dos dirigentes da Polícia Federal.

É exatamente aqui que minha indignação aumenta.

Que conceito de limite de poder é esse?

Os ministros do STF não possuem hierarquia entre si. Especialistas apontaram problemas de competência e classif**aram a decisão de Dino como juridicamente controversa.

Na minha avaliação, uma conduta assim é incompatível com a prudência, a ética institucional e a responsabilidade que se espera de um ministro da Suprema Corte.

Se Dino acreditava que Mendonça estava errado, por que não permitir que o colegiado terminasse de julgar?

Por que atravessar uma decisão que já estava sendo analisada por outros ministros?

Por que substituir o caminho institucional por outra canetada individual?

Isso me causa profunda indignação porque transmite ao cidadão a sensação de que a regra vale até o momento em que alguém suficientemente poderoso decide contorná-la.

E isso é perigosíssimo.

Não afirmo que Flávio Dino tenha cometido crime — isso exigiria apuração e julgamento. Mas considero legítimo questionar se sua atuação nesse episódio representou abuso no exercício do poder jurisdicional e grave quebra da prudência institucional.

Também considero eticamente preocupante agir para neutralizar uma decisão antes que o órgão colegiado competente termine de examiná-la.

E onde f**a a busca da verdade?

Existiam acusações gravíssimas envolvendo a Polícia Federal. O dever institucional deveria ser esclarecê-las completamente: houve ou não monitoramento irregular? Quem produziu os relatórios? Quem determinou? Qual era sua finalidade?

A verdade deveria estar acima de Mendonça, Dino, Fachin, da Polícia Federal e de qualquer interesse político.

Posteriormente, Edson Fachin suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Dino e manteve Andrei Rodrigues no comando da PF.

Formalmente, suspendeu os dois lados.

Na prática, porém, permaneceu justamente a situação que Dino havia buscado restabelecer.

Por isso essa história não pode terminar com discursos de “pacif**ação”.

Eu não quero pacif**ação construída sobre perguntas sem respostas.

Quero verdade.

Quero transparência.

Quero saber se houve abuso dentro da Polícia Federal.

Quero saber se houve abuso dentro do próprio STF.

E quero que Flávio Dino seja submetido ao mesmo rigor que qualquer outro ministro seria submetido.

Quanto maior o poder, maior deveria ser a obrigação ética de respeitar seus limites.

Porque quando um ministro da mais alta Corte parece capaz de atravessar o julgamento dos próprios colegas para produzir imediatamente o resultado que considera correto, o problema deixa de ser apenas jurídico.

Torna-se um problema de poder.

E poder sem limite, sem autocontenção, sem colegialidade e sem compromisso absoluto com a busca da verdade deveria indignar qualquer brasileiro — seja de direita, de esquerda ou de centro.

Não existe democracia verdadeira quando alguém se torna grande demais para ser questionado.

Ninguém está acima da lei.

Nem quem governa.

Nem quem investiga.

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