22/03/2016
OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS*
VISITAR OS PRESOS
“Lembrem—se dos presos como se vocês estivessem na prisão com eles” (Hb 13,3)
Aos encarcerados, além do cumprimento de sua pena, associa-se uma pesada discriminação. O preconceito produz um total isolamento dos detentos e um absoluto desconhecimento da sua realidade por parte da sociedade. Não raras vezes, reduz-se a compreensão de justiça por vingança, não dando as mínimas condições de uma possível recuperação, porque não se crê nessa possibilidade: apenas devem pagar pelo mal que fizeram!
Essa forma de pensar e agir é o oposto do que nos ensinou Jesus Cristo. Ele foi ao encontro dos pecadores e se fez próximo deles, manifestando-lhes a misericórdia do coração do Pai. Por isso, ter a coragem de ultrapassar os portões dos presídios é ter os mesmos sentimentos e atitudes daquele que ultrapassou as barreiras dos preconceitos.
Por isso, ao visitar um prisioneiro, nós reconhecemos que, antes de ser um criminoso, ele também é um pecador pelo qual Cristo deu sua vida. Com nossa visita, sem preconceitos e julgamentos, somos portadores da misericórdia de Deus que não o abandona no desespero e na escuridão. Nossa vida poderá ser ocasião de conforto em suas angústias, gerando em seu coração a paciência e a esperança. Também a nossa solidariedade aos seus familiares servirá de apoio e incentivo para que os mesmo possam suportar esta situação com esperança e deem aos seus prisioneiros a devida assistência.
Por meio da prática desta obra de misericórdia teremos a oportunidade de contemplar o rosto da misericórdia revelado em Jesus crucificado. No olhar de Cristo, todos, nós e os prisioneiros, temos espaço, pois só Deus penetra o íntimo do coração, conhece o justo e pode justificar o pecador. Nele podemos colocar nossas feridas, nossas dores e nossos pecados.
*(Texto extraído das Obras de Misericórdia da Arquidiocese de Campinas, por ocasião do JUBILEU DA MISERICÓRDIA)