10/04/2025
CAPELA DE ATAPUZ E SÃO BENEDITO
De acordo com um documento publicado pela Fundação de Informação para o Desenvolvimento de Pernambuco (FIDEPE, 1981, p. 69), a Capela de São Benedito na comunidade litorânea de Atapuz é do século XIX e a considera com um estilo arquitetônico não definido. A capela é pequenina, de nave única, com porta principal, duas portas laterais, e três nichos com imagens: no principal, do altar, a imagem de São Benedito, e nos laterais, imagens marianas, me recordo que em um deles havia uma Nossa Senhora de Fátima. A Capela em 1950 passou por um processo de reforma financiado pelo senhor Faustino Heckel Machado, e dona Maria da Assunção da Silva.
Mário Melo, em Toponimia Pernambucana explica que “Atapuz – pontal entre a foz do Tejucupapo e o canal de Itamaracá. De atã-pu, ressoar, soar. É nome de uma buzina de jangadeiros” (Silva; Rodrigues, 1972, p. 369). A praia de Atapuz foi local de desembarque clandestino de escravizados, a exemplo, do Camilo, uma criança de 07 anos de idade, proveniente do Congo, que ali desembarcou em uma noite da década de 1840 com cerca de 90 africanos.
No processo de colonização, a Igreja Católica e os “proprietários” de escravizados apresentaram aos cativos, para sua identificação, santos e santas de pele escura, para melhor doutrinar e impor comportamentos. No livro “Lá Vem Meu Parente: as irmandades de pretos e pardos no Rio de Janeiro e em Pernambuco – século XVIII” (2002), a pesquisadora Antônia Aparecida Quintão, retrata essa situação, onde os escravizados reconhecem os santos e santas negros/as enquanto parentes. Nesse contexto, em toda a América Portuguesa surgiram igrejas e capelas destinadas para os negros com devoções das irmandades/confrarias constituídas em louvor a Nossa Senhora do Rosário (que era pintada de preto com carvão), São Benedito, Santa Efigênia, Santo Antônio de Catageró, Santo Elesbão, e outros.
A devoção local (Atapuz) pode ter surgido a partir de escravizados oriundos do tráfico negreiro, pois, “as primeiras notícias da devoção a ele em Angola datam do final do século XVII” (Reginaldo, 2016, p. 94). A pesquisadora Luciene Reginaldo explica que
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