O Museu do Brinquedo de Fortaleza têm como proposta apresentar de oferecer um espaço de produção cultural e artística na perspectiva da cultura lúdica. O tripé museu-criança-brincar é não apenas possível, mas também desejável! E para desenvolver essa argumentação, tomo como fonte de inspiração as seis propostas de Ítalo Calvino para uma reflexão acerca da literatura para pensar a ação de brincar,
o espaço lúdico e a possibilidade de experiência infantil nos museus. São elas: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência. Utilizando o museu como um espaço educativo, formativo e de aprendizagem. O objetivo do Museu do Brinquedo de Fortaleza é preservar, divulgar, produzir, sistematizar e analisar o conhecimento transdisciplinar do patrimônio cultural lúdico da infância, e ainda gerando uma reflexão critica sobre a diversidade sociocultural. O Museu do Brinquedo de Fortaleza defende a ideia de campo museal, dando a conotação de espaço possível, onde o confronto de diferentes sujeitos num processo contínuo que opera por redes e sistemas que dialogam permanentemente com outras redes, eliminando de vez a tentativa de modelo único, abrindo leque para a diversidade e a inseparabilidade entre cultura material e imaterial. Nesta perspectiva, sempre que se contextualiza os objetos, eles são, ao mesmo tempo, materiais e imateriais. E museus são espaços de memória; de história; de descobertas sobre o mundo e sobre nosso papel nesse mundo. É essa dinâmica alteridade/identidade que a ajuda na construção de sua percepção de si como sujeito da cultura. Museus são pensados hoje como lócus de reflexão crítica sobre nossas diferentes histórias; locais que possibilitam uma ressignificação do presente à luz do passado, e vice versa. Portanto, os objetos colocados num museu estão ali para favorecer um olhar crítico sobre eles; uma oportunidade de vendo-os, vermo-nos neles e colocarmos em cheque verdades absolutas ou histórias uníssonas que só enaltecem os vencedores. Museus entendidos dessa forma constituem-se como espaços favorecedores de transformação social, de ampliação de olhares, de inclusão da pluralidade e aceitação da diversidade humana. O museu não é um lugar de ensinar cultura, mas, sim, lugar de cultura. Para nós o BRINCAR é uma herança cultural que pertence a TODOS, além disso, o espaço do museu assume um caráter múltiplo, pois permite guardar, olhar e também BRINCAR. Acreditamos ser fundamental formar novas gerações que percebam os espaços museológicos como lugares que garantem o direito à memória dos diferentes grupos sociais, das diversas expressões culturais e do nosso patrimônio histórico.