A História do Larus
O objetivo é levar ao grande público, as imagens e as informações necessárias para construir uma consciência ambiental na população, enfatizando a grande biodiversidade existente no Brasil e o valor que isso representa. Tudo começou na década de 1970, num dia em que Alcides presenciou diversas pessoas fascinadas com um documentário, onde peixes coloridos, corais e esponjas esb
anjavam formas e cores, impressionando a plateia. Qual não foi o impacto, quando um dos espectadores comentou enfaticamente:
- Que maravilha, é uma pena que aqui em nosso mar não tenha nada disso! Alcides tentou explicar que tem sim, ele mesmo já tinha visto aqueles animais várias vezes, o que faltava é alguém que filmasse para mostrar. Em vão, ninguém acreditou, afinal parecia que era apenas mais um garoto tentando se vangloriar de suas travessuras. A indignação ficou guardada. Tempos depois, quando Alcides viu nos livros da universidade, que muitos dos animais estudados eram de outros continentes, outros oceanos e outra realidade, ficaram inda mais indignados e isto foi a gota d’água. Idealizaram uma forma de usar suas habilidades de mergulho, mesclaram com outra vocação de Alcides, que já trabalhava em comunicação desde os 14 anos de idade, e criaram um projeto na UFSC. O objetivo era levar ao grande público, as imagens e as informações necessárias para construir uma consciência ambiental na população, enfatizando a grande biodiversidade e o valor que isso representa. Mas o projeto precisava de um nome, por isso Alcides pegou uma lista dos animais que ocorrem na fauna catarinense, com o propósito de escolher um animal iconográfico, que representasse a relação das pessoas com a natureza e que, além disso, contribuísse para a existência das outras espécies. Depois de muita hesitação, chegou a uma conclusão, uma candidata preenchia estes critérios e era linda: a gaivota. Presente em todas as praias de SC, as gaivotas encantam as pessoas. Além disso, elas devoram os peixes mortos da praia, evitando a propagação de doenças e transformam este alimento num adubo precioso, riquíssimo em nutrientes, que contribui para a floração do fitoplâncton, a base cadeia alimentar no mar. Um símbolo havia sido criado, só faltava o título. Mas olhando o nome científico da ave, a busca acabou, é da espécie Larus dominicanus e o projeto que seria criado, se chamaria Projeto Larus. A esta altura Alcides já estava finalizando seu primeiro filme de TV, e decidiu convencionar que o dia da fundação do projeto, seria o mesmo da estreia na TV. E assim foi feito. No dia 12 de junho de 1982, a TV Catarinense canal 12, hoje RBS-TV de Florianópolis, exibia “O Fascinante Mundo das Ilhas Costeiras”, com as primeiras imagens submarinas realizadas no sul do Brasil. Estava oficialmente criado o Projeto Larus. Numa das cenas deste filme, os autores sugerem pela primeira vez a criação de uma unidade de conservação ambiental para proteger as ilhas do Arvoredo e Deserta. Isso aconteceu nove anos antes da criação da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. Mas tudo isto só foi possível, graças à sensibilidade dos dirigentes da UFSC, com destaque para os diretores do Centro de Ciências biológicas Carlos Aramis e Calisto Golin. O sucesso do filme foi tão grande que a TV Catarinense recebeu milhares de cartas e telegramas, algumas elogiavam o trabalho, mas a grande maioria pedia reprise. Como uma forma de atender aos apelos de tanta gente, a direção da TV anunciou a reprise do “Fascinante Mundo das Ilhas Costeiras”, como presente de natal aos seus telespectadores. E assim foi feito, no dia 25 de dezembro de 1982, ao meio dia, a TV Catarinense (RBS-TV) retirou do ar o seu principal programa local, o Jornal do Almoço, para ceder espaço ao filme do Larus. Na direção da UFSC, esta nova onda de atenções levou O Reitor Ernani Bayer e o Pró-reitor Hamilton Savi a se interessarem pelo Projeto Larus, e após terer sido aprovado num concurso público, Alcides Dutra passou a, além de aluno, ser membro da UFSC. Sua missão foi se dedicar ao Projeto Larus. No ano seguinte -1983 - mais um filme: “Os seres do Mar” encheu os olhos da população com as cores vibrantes dos invertebrados do fundo marinho, e com as primeiras imagens submarinas de tubarões filmadas no sul do Brasil. Além disso uma espécie de ouriço gigante (Astropyga magnifica) foi citada pela primeira vez em seu limite austral no atlântico sul ocidental. Desde então vários trabalhos foram feitos pelo Larus, não só em filme: O Larus participou da criação do parque da Lagoa do Peri, da conservação da floresta atlântica, dos rios, lagoas, restingas e manguezais, e se empenhou em muitas ações em defesa da natureza. Era um período crítico em relação ao uso do mar. O público acompanhava fascinado o trabalho dos mergulhadores do Larus pela TV, e isso induzia as pessoas a mergulhar. Porém não havia na época nenhuma estrutura para apoiar atividades recreativas de mergulho, as únicas que haviam eram o Corpo de Bombeiros e o Projeto Larus. Logo algumas operadores se lançaram para suprir este nicho de mercado, surgindo assim em SC, a atividade do turismo do mergulho contemplativo. Com o objetivo de instituir uma política de qualidade e segurança, o Larus criou a sua própria escola de mergulho. Ela servia como referencia para o mercado, pois as operadoras privadas só podiam competir se tivessem um produto com qualidade e preço tão bom quanto os do Projeto Larus. Esta escola se manteve por anos, formou centenas de mergulhadores e foi desativada no momento em que se comprovou a boa qualidade do ensino praticado pelas escolas privadas, tornando desnecessário manter uma estrutura pública de regulação. Na TV, o Projeto Larus criou duas séries de sucesso: Explorando o Mar, com 8 episódios exibidos aos sábados pela RBS-TV em 1984, e Minuto ecológico, exibido de 1989 a 1990. A série minuto ecológico foi um marco na TV brasileira, pela primeira vez a fauna, flora, biomas e ecossistemas estavam sendo exibidos na TV, em programetes de um minuto. Para isso era usado o espaço dedicado aos comerciais, em horário nobre e a série foi patrocinada pelo Grupo Amauri, que tinha uma concessão de revenda de automóveis. O resultado da campanha foi maravilhoso, as felicitações e o reconhecimento chegavam o tempo todo, a série Minuto Ecológico foi inserida no case escolhido pela ADVB como o melhor do ano, concedendo ao Larus e seu patrocinador o troféu “Top de Marketing 1990”. Em 1993 nascia o Instituto Larus, uma alternativa às pessoas com desejo de se dedicar ao Larus, mas que não pertenciam aos quadros da UFSC. Projeto e Instituto conviveram por um tempo, até que algumas funções que exigem agilidade na execução e que podiam serem mantidas com recursos próprios foram destinadas apenas ao Instituto, de forma dar mais dinamismo e a continuar o trabalho sem precisar de recursos públicos. O Projeto Larus, como todo projeto é transitório, e tem como meta gerar alguma coisa. O Larus não é exceção, deu origem a uma instituição respeitada em todo o Brasil, um dos pioneiros da educação ambiental e que vem contribuindo até hoje com a conservação da biodiversidade e da natureza. Hoje o Instituto Larus orgulha-se da sua origem, e tem a responsabilidade de fazer o melhor. E tem conseguido:
Implou o primeiro programa estadual de Educação Ambiental do Brasil, a primeira RPPN de Florianópolis, teve dois projetos entre as referencias mundiais da ONU, crious a série de TV “Redescobrindo o Mar” e o projeto que colocou os filmes do Larus em todas as escolas estaduais de Santa Catarina. Mas isto é só o começo, pretendemos fazer muito mais. Se você quiser participar da construção desta história, venha nos ajudar. Você poderá contribuir para um mundo melhor aos seus filhos, para isso mande uma mensagem para nós, aqui mesmo no Facebook, ou acesse www.larus.com.br e solicite um contato.