10/08/2026
Em 10 de agosto de 1974, morria no exílio, na França, Frei Tito de Alencar Lima, frade dominicano brasileiro que se tornou símbolo das vítimas da tortura durante a ditadura militar.
Ligado à Juventude Estudantil Católica, Tito mudou-se para São Paulo e estudou Filosofia na USP. Em 1968, foi preso durante o Congresso da UNE, em Ibiúna. No ano seguinte, voltou a ser preso, acusado de colaborar com integrantes da resistência à ditadura.
Nas dependências do Dops e, posteriormente, da Operação Bandeirantes (Oban), Frei Tito foi submetido a brutais sessões de tortura. Sofreu espancamentos, choques elétricos, queimaduras e violência psicológica. Seus torturadores chegaram a aplicar choques em sua boca fazendo referência à Eucaristia.
Da prisão, Tito escreveu uma denúncia das torturas que atravessou as fronteiras brasileiras e ganhou repercussão internacional. Em um de seus textos, fez um apelo à Igreja:
“Onde houver um homem sofrendo, é o Mestre que sofre.”
E advertiu:
“Num momento como este o silêncio é omissão.”
Em dezembro de 1970, foi libertado juntamente com outros presos políticos em troca do embaixador suíço Giovanni Bucher e banido do Brasil. Passou pelo Chile e pela Itália até chegar à França, onde foi acolhido pelos dominicanos.
Mas a prisão havia terminado sem que a tortura terminasse dentro dele. Profundamente traumatizado, Frei Tito passou por tratamento psiquiátrico. Em 10 de agosto de 1974, aos 28 anos, morreu por suicídio nos arredores de Lyon.
Em 1983, seus restos mortais retornaram ao Brasil. Na celebração, diante de milhares de pessoas, Dom Paulo Evaristo Arns denunciou novamente a violência da tortura. Os paramentos eram vermelhos, cor litúrgica dos mártires.
A memória de Frei Tito permanece como denúncia contra a tortura e todo autoritarismo — e como chamado para que a Igreja jamais permaneça indiferente diante da violação da dignidade humana.
“Se falar é um risco, é muito mais um testemunho.” — Frei Tito
Que sua memória nos ajude a compreender que defender os direitos humanos é defender a vida.
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