Academia Escadense De Letras

Academia Escadense De Letras A Academia Escadense de Letras é uma instituição cultural, artística e científica que foi fundada em 24 de maio de 2010. (3) Passemos à origem da nossa cidade.

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(1) Comecemos por parafrasear uma pergunta que dá título, a um dos livros do escritor e crítico literário Afonso Romano de Sant’Anna; pergunta esta, feita quando do Romantismo Brasileiro, por José de Alencar, e mais tarde, por Machado de Assis, já no Realismo; e por fim, por um jovem ícone da música popular brasileira, Renato Russo, no séc. XX, precisamente nos anos 80 – “QUE PAÍS

É ESTE?” – nossa paráfrase é: “QUE DIA É ESTE?”
E para falar deste dia desejamos traduzi-lo em três palavras – Este é o dia Magnânimo, Memorável e Magnífico; Magnânimo – porque é grandioso em seu ideal, e expressa a grandeza de alma de seus Acadêmicos; Memorável – porque ficará na memória dos que aqui chegaram, e será escrito nos anais desta cidade que hoje renasce; e Magnífico – porque esplende em beleza, em suntuosidade e em excelência daquilo que é bom, para enaltecer e dignificar o homem; O dia da Fundação da Academia Escadense de Letras. (2) Mas, alguns perguntarão: “O que é e a que se propõe uma Academia de Letras?”

Uma Academia de Letras fomenta em seu reduto a expressão de uma cultura voltada para o aprimoramento do saber e da palavra enquanto Arte; abriga poetas, escritores, ensaístas, cientistas, filósofos, juristas; somos então uma sociedade de caráter literário, científico, artístico, e filosófico; temos o compromisso de esclarecer as mentes, alimentar idéias, leituras seletivas, ajudar na produção da palavra artística; sem deixar de proclamar as inquietações sociais próprias de um novo século, no campo político, social, religioso e, também estético. Data de 1589 as primeiras aldeias indígenas aqui existentes. Os jesuítas tinham a missão de catequizar os índios encontrados, que eram conhecidos à época como: Mariquitos, Tabajaras e Potiguares. A denominação do nome “Escada” surge quando um jesuíta resolve erguer no alto do morro, um nicho para uma imagem de Maria, e escavou numa das encostas uma escadaria no barro, daí o nome “Nossa Senhora D’Apresentação da Escada”. Com o desaparecimento dos índios da aldeia de Escada, e com o crescimento da população nos arredores da missão, formou-se o povoado, e no local, onde outrora fora erigido o nicho, formou-se uma Capela sob o mesmo nome, a qual serviu de Igreja Matriz, por um longo tempo, até que em seu lugar fosse edificado o atual templo em 1874. Vieram os Engenhos e as Usinas de cana-de-açúcar; os Engenhos, entre eles: Alegria, Campestre, Canto Escuro, Conceição, Firmeza, Refresco, Sapucaji e outros. Também as Usinas que surgiram, no início da República, após o fracasso dos engenhos centrais, como: Barão de Suassuna, Liberdade, Massauassu. Data de 24 de maio de 1873, a sua elevação à comarca e cidade, e hoje, completa 137 anos, de sua emancipação política. (segundo o livro Escada – Riqueza de Pernambuco, do Acadêmico, hoje empossado o Dr. Luís Minduca, é dele o poema: Escada). Escada tem a perífrase de: “Princesinha dos Canaviais”; quem aqui nasceu ou nela viveu sua infância, lembra dos banhos no rio Ipojuca; do barco atrelado à margem do quintal para os passeios vespertinos, das corridas de bicicleta da ladeira do comércio até à estação de trem, dos bois bravos que fugiam do matadouro velho, às sextas feiras, e eram a diversão da criançada; quem não lembra das Minas d’água, das caças em uma fauna e uma flora exuberantes?; dos araçás, das pitangas, azeitonas, e dos jabuzeiros que rodeavam a prefeitura. Ah! O Ginásio Nossa Senhora da Escada; quem não lembra da Madre Eucaristia? Das irmãs Leônia e dos Anjos, e até do esqueleto das aulas de ciência, que chamávamos Carlito? Dos primeiros mestres – do professor Cláudio, matemático, filósofo e poeta, que nos inspirava a todos; do professor Lôbo, que nos ensinava inglês, história, educação física e filosofia, estudioso pertinaz do idioma russo; autor do livro “Catende e Eu” e patrono da Cadeira nº04, meu pai! Da professora Vanilda Lôbo; mestra incansável, que aqui chegou em 1956, fincou raízes, e dedicou 45 anos de sua vida profissional a esta cidade, e que (acaba de receber o título de cidadã escadense) escreveu sua história por entre as ladeiras desta cidade, e agora... pediria um salva de palmas para ela, minha mãe! Hoje, Escada cresceu; segundo o último censo do IBGE, tem 54.000 habitantes, mas já somos estimados em 70.000 habitantes. (4) Passemos à Casa Tobias Barreto. A escolha do patrono da Cadeira nº01, Tobias Barreto, devemos à historiadora, Mariinha Leão, que cultiva um terno respeito, à pessoa do filósofo, crítico, poeta e jurista brasileiro; fundador do condoreirismo e patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras. Nascido a 7 de junho de 1839 em Vila de Campos do Rio Real, Sergipe, em 1861 chega à Bahia; de 1854 a 1865, o jovem Tobias, para sobreviver deu aulas particulares. Em 1867, vence em concurso à vaga de professor de Filosofia, mas é substituído por outro; publica nessa época “Os Enigmas do Universo” e “As Maravilhas da Vida”. No campo das produções poéticas, competia com o poeta baiano Antônio de Castro Alves;

Por ser mestiço, teve sua vida amorosa conturbada, numa época cheia de preconceitos conforme o crítico Sílvio Romero;

Na oratória Tobias se revelava um mestre, qualquer que fosse o tema escolhido;

Antes de concluir o curso de direito casou-se com a filha de um coronel do interior, proprietário de engenhos no município de Escada;
A residência em Escada durou cerca de 10 anos, nos quais, dedicou-se a aprofundar-se no estudo do Alemão;
Publicou os estudos filosóficos “Tomás de Aquino” e “Teologia e Teodicéia não são Ciências”, e ainda “Jules Simon”. Foi em alemão que Tobias redigiu o “Deustscher Kampfer” (O lutador alemão). Mais tarde, saíram de sua pena os “Estudos Alemães”. Em 1889, uma semana antes de morrer, escreveu uma carta ao amigo e ensaísta Silvio Romero solicitando ajuda, mas faleceu 7 dias depois, hospedado em casa de um amigo. A obra de Tobias é de significante valor, e Hermes de Lima, ao comentar o refúgio dele em Escada, esclareceu: “Em Escada, além de publicar o “Fundamento do Direto de Punir”, é onde elabora sua posição filosófica, que traça as coordenadas da revolução espiritual que viria a deflagrar-se no país”. Hoje, em sua homenagem, a Faculdade de Direito de Recife é carinhosamente chamada de “A Casa de Tobias”. Um dos anseios de Tobias era fundar o Clube Popular Escadense (1877), cujo objetivo era aguçar o intelecto da pequena Vila de Escada. Apresenta nos veículos de comunicação, como crítico, 3 perfis:

- O de jornalista – pelo cuidado em levar informações verdadeiras ao leitor;

- O de curador – pela luta incansável contra as injustiças aos órfãos, razão de protesto e de luta;
- O de intelectual – criando e difundindo um clube, a fim de solucionar os problemas da comunidade escadense. Enfim, a luta pelo direito do povo foi mais forte que a de sua própria profissão. Sua presença em Escada, foi marcada pela obstinação, na luta contra as autoridades e ricos da cidade. Ficou-nos a sua imagem de quem tentou passar a limpo este País, a partir de uma pequena cidade do interior de Pernambuco. Esta Academia Escadense de Letras, presta-lhe hoje, mais uma homenagem, a de imortalizá-lo como patrono da Cadeira nº01 – da historiadora Mariinha Leão, e ao mesmo tempo, honrá-lo nomeando esta Academia, como: “Casa Tobias Barreto” → a ele nossa imensurável gratidão. (5) Desejo agora, falar um pouco acerca de nós, Acadêmicos empossados − num tempo não muito distante dos anos que ora correm, um grupo de pessoas decidiram criar uma Academia de Letras para abrigar as vozes personalíssimas, de timbre inconfundível, e que sozinhas definem seu espaço e seu universo, independente do tempo em que vivem. Eram 5, juntei-me a eles; um médico, um advogado, um cordelista, um jurista e duas professoras:



- O médico → jovem pertinaz em alcançar seus ideais, perseguiu este sonho, e sem intimidar-se com os desanimistas, correu ainda mais atrás do sonho e contagiou os outros − O Dr. Luís Minduca.


- O advogado → que mesmo trabalhando entre pilhas de processos, em seu escritório em Recife, nunca esqueceu sua terra, e para ela desejou um “cenáculo do saber” − O Dr. Sebastião Araújo.

- Um cordelista → aquele sempre presente nos eventos, nas escolas, na Faculdade, que a todos encantava com seu martelo cadenciado, com que atacava a inércia dos escadense − O poeta Valdecí Leocádio, que trouxe consigo a descendente indígena sua esposa.

- Um jurista → que por amor à Literatura, estava sempre em contato com eles, estimulando, orientando e perguntando “Quando faremos a Academia de Letras?” − O Dr. Juiz de Direito, Arnaldo Spera.

- Duas professoras → uma, historiadora nata, outra ficcionista, que partiu para longe, mas nunca esqueceu a infância das ladeiras, e o desejo de criar uma casa literária, onde a cultura tivesse livre curso − Mariinha Leão e Sevatil Lôbo; e vieram os outros, juntaram-se a nós! E portanto, para todos nos acadêmicos, é muito mais que o sonho concretizado, e por isso, determinamo-nos a seguir em frente, côncios de que “Escrever é comunicar aos outros que eles não estão sós.”

(6) Nosso brasão → Traz em seus símbolos a história passada e a por vir. Nele estão representados a antiga opressão aos índios aqui encontrados, sendo suas lanças fincadas na Escada, com as pontas para baixo e para cima, como a gritar, que hoje não é mais tempo de opressão. A escada simboliza a nossa própria cidade, que tendo seus degraus calcados nas correntes, fala dos negros aqui oprimidos nos engenhos de cana-de-açúcar, que foram decantados pelos poetas do abolicionismo; a cana-de-açúcar, fala dos engenhos, das usinas, da cultura açucareira, antes a principal; o livro e a pena, são as letras de idéias eternas, pelas quais os homens lutaram ontem, lutam hoje, e lutarão amanhã. No contorno, estão as palmas da sabedoria acadêmica. (7) Nosso lema traduz um verso, do poeta Carlos Drummond de Andrade; ‘LUTAR COM PALAVRAS’; gostaria, neste momento, de encontrar a metáfora mais linda, que pudesse descrever a realeza e importância deste lema, pois que o imaginário filosófico e literário que envolve sua profundidade é indizível. O que pedimos aos escadenses? Lutem com palavras! Afinal, lutar com palavras:



1 – É abolir a ignorância!

2 – É quebrar os grilhões!
3 – É vencer os obstáculos!
4 – É dar asas para a Liberdade!
5 – É transformar vidas!
6 – É alimentar sonhos!
7 – É defender um ideal!
8 – É suavizar realidades tristes!
9 – É abrir olhos a cegos!
10 – É fazer crer no impossível!
11 – É vencer o vencedor!
12– É também, ser poeta, escritor, cientista, filósofo, historiador, é ser alguém que sabe, que o mundo seria escuro e frio, sem a Palavra! Enfim, ... lutar com palavras ... é contentar, deleitar, encantar, alimentar e alegrar a alma dos homens! (8) Dificuldades – surgiram inúmeras; daqueles que defendem até hoje, tendo suas almas ainda na escuridão, o lema oposto: “nada em Escada vai pra frente”. Hoje amigos! Cai por terra esse pensamento tacanho! Escada − tem agora, uma Academia de Letras! (9) Agradecimentos – “Que são os grandes impérios sem a justiça?” Advertia-nos Santo Agostinho – “Apenas imensos latrocínios!” E a justiça mais justa é a divina. Queremos agradecer a Deus, “...Em quem estão escondidos os tesouros da Sabedoria e da Ciência”. Ele, que um dia ao ser inquirido por Jô, perguntou “Onde estavas tu quando eu fundava a Terra? Faze-mo saber, se tens inteligência? Quem encerrou o mar com portas e ferrolhos e lhe disse: Até aqui virás, e aqui se quebrarão as tuas ondas enpoladas? Onde está o caminho da morada da luz? E quanto às trevas, onde está o seu lugar? Decerto, tu o sabes”. A Ele, o nosso Criador, razão maior de nossas vidas – horas, glórias e louvor! (10) F**a uma mensagem final, desta Academia; que se encontra nos versos de Castro Alves, no poema “O Século”:

“Que os fracos recuem cheios de horror. A vós, herdeiros dos Gracos,
Traz a desgraça – valor! Lutai... Há uma lei sublime!..Marchai. Obrigado a todos!!! Escada, 24 de maio de 2010

Endereço

Escada, PE
55500000

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