A Maçonaria Carbonária existe no Brasil desde cerca de 1800, por influência sobretudo francesa e portuguesa. Perseguida a partir da promulgação da bula condenatória do Papa Pio VII (1821), em todos os países onde funcionava e ativa estava, teve, como alguns de seus introdutores em nosso país, Joaquim do Lêdo e José Bonifácio de Andrada, simpatizante da Maçonaria Florestal se não ele próprio maçom e primeiro Grão Mestre da Maçonaria Brasileira, em que pese terem vivido em destacadas rivalidades, segundo alguns historiadores maçons da época. Contudo também foi vítima, tal qual a ordem da pedra, da excomunhão da Igreja Católica [...].
A Carbonária manteve-se até hoje como corpo maçônico regularmente constituído e representativo da Maçonaria Carbonária Universal, embora tenha permanecido por um longo período sob o manto de inúmeros maçons carbonários, oculta e operante nas Lojas e Obediências diversas; contudo, seu espírito, herança e brio, não se apagaram jamais. Existiram, claro está, cisões e divisões como por toda a parte e, em especial, as ocorridas dentro do Grande Oriente e Grandes Lojas, como também em outras tantas e sucessivas obediências, mas o seu espírito e esperança prevaleceram, sendo sempre possível restaurar a unidade interrompida. [...]
Para tanto, os princípios essenciais defendidos hoje pela Grande Loja Carbonária do Brasil, para a existência de uma Loja justa e perfeita, podem resumir-se nos sete pontos seguintes:
1. que seja formada por, pelo menos, 7 mestres maçons;
2. que seja dirigida por 3, iluminada por 5 e tornada justa e perfeita por 7;
3. que trabalhe segundo um ritual que utilize os símbolos da construção;
4. que tenha as suas sessões num local fechado e coberto onde se encontrem as colunas J e B, as três grandes luzes entre as quais o esquadro, o compasso, e o canivete, instrumentos do grau e o pavimento em mosaico;
5. que pratique os graus de Aprendiz, Companheiro Fendedor e Mestre da Madeira;
6. que a iniciação no grau de Aprendiz, a efetuar sob o sinal do triângulo, compreenda a câmara de reflexões, as provas e a passagem das trevas à luz; que a elevação ao grau de Companheiro Fendedor tenha lugar à luz da estrela flamejante; que a exaltação ao grau de Mestre da Madeira incluam a comunicação da lenda de Hiram e Osiris; que a cada grau corresponda um compromisso solene;
7. que se considere maçom carbonário todo aquele que tenha sido formalmente iniciado numa Venda maçônica carbonária justa, perfeita e Iluminada; [...]
20. que a terceira das três grandes luzes indicadas no ponto 4 dos princípios essenciais seja o Livro da Lei, representado pela Bíblia Sagrada;
21. que todos os maçons carbonários sejam iguais dentro da Venda onde trabalham, independentemente das suas diferenças na sociedade pagã;
22. que os conhecimentos adquiridos por iniciação nos vários graus sejam mantidos secretos e só comunicados a outros Bons Primos;
23. que se aceitem os ensinamentos simbólicos da Maçonaria em geral como ciência especulativa com profundo objetivo moral.
Assim, a Alta Venda Carbonária Universal - Grande Loja Carbonária do Brasil atém-se na sua quase totalidade aos 25 landmarks tradicionais da lista compilada pelo maçom norte-americano Albert G. Mackey, pondo apenas restrições aos nºs (processos de reconhecimento), 18 (só no que respeita à proscrição absoluta das mulheres). Quanto ao 25º e último landmark (inalterabilidade dos próprios landmarks), considera-o um absurdo histórico e filosófico de raiz dogmática, já que a mudança dos tempos tudo obriga a rever, corrigir e alterar.
A Grande Loja Carbonária do Brasil conta hoje com Vendas e triângulos (Choças), distribuídas e em organização por grande parte do território brasileiro.
Todas as Vendas da G.'.L.'.C.'.B.'. trabalham presentemente no Rito Florestal baseado nos de 1807, 1818 e 1822, então praticados em Itália, França, Portugal e Brasil, mas nada impede que outros ritos possam vir a ser introduzidos se as Lojas assim o entenderem.
A Grande Loja Carbonária do Brasil rege-se pela Constituição de 1983, explicitada por um Regulamento Geral.
À frente da Grande Loja Carbonária do Brasil, encontra-se o Grão Mestre Geral, eleito por um período de três anos por sufrágio direto dos BB/PPr.'. decorados com o grau de Mestre da Madeira. Substituem-no nos seus impedimentos e coadjuvam-no um Grão-Mestre Adjunto e o Grande Orador, eleitos por igual período de tempo e pela mesma forma. Completa o executivo um Conselho dos Antigos, Ordem de membros eleitos no triênio formados também pelos Past Masters, formando assim a Alta Venda Carbonária. Este conselho reúne-se periodicamente e trata de todos os assuntos de caráter administrativo e executivo.
Com poderes sobretudo legislativos, existe portanto a Alta Venda, constituída pelos Veneráveis e todas as lojas (Vendas), e por representantes de cada loja (Venda), eleitos anualmente por todos os IIr.'. que a compõem.
A Justiça Carbonária é exercida, em primeira instância, dentro das próprias Vendas. Em segunda instância, funciona um Grande Tribunal, composto por cinco juízes, eleitos pela Alta Venda Carbonária.
A sede da Grande Loja Carbonária do Brasil é em Curitiba, Estado do Paraná, no chamado Castelo dos Carvoeiros da Floresta Negra, localizado na Rua dos Carbonários, s/n. Bairro São Pedro (próximo à ponte do Rio Passaúna – Divisa de Campo Magro. Trata-se de uma Venda Carbonária que funciona nos moldes da Carbonária Antiga, em meio a uma Floresta [...]
O Rito Florestal Carbonário foi introduzido em Portugal pela França e Itália, antes mesmo de 1800, sendo sabido que José Bonifácio de Andrada, Joaquim do Lêdo, Alm. Tamandaré e tantos outros, iniciaram-se na Maçonaria Florestal como o faziam os cientistas e naturalistas da época. Não dispõe de um Supremo Conselho do Grau 33, todavia, com ajuda de vários Maçons investidos no Gr.'. 33, hoje Bons Primos, preparam a sua introdução nos estudos dos graus filosóficos do 4. ao 33 do REAA, adaptado.
É certo e tradicional o ramo andrógino da Carbonária, composto de um corpo feminino, totalmente subordinado à A.'.V.'.C.'.B.'., todavia, de atividade livre e independente, praticando o mesmo Rito Florestal, a exemplo da R.'.V.'.M.'.C.'.F.'. Anita Garibaldi, nº 3 na Floresta de Curitiba-Pr. [...]
A abolição da escravatura no Brasil teve a indeclinável e decidida participação das Lojas Maçônicas Carbonárias do passado, inclusive a ativa participação da Carbonária Italiana e Portuguesa na luta pela independência do Rio Grande do Sul, contra o despotismo e monarquia feudal experimentada pelo Brasil, nos idos de 1835 a 1845, já que Dom Pedro II não era Maçom Carbonário, como o foi Dom Pedro I. [...]
São solenidade dos Francos Carbonários:
Os dias 04 de Julho, aniversário da Independência dos Estados Unidos da América, de 1776 (sob liderança do Carbonário General Lafayette); dia 24 de Agosto, aniversário da Revolução Portuguesa de 1820; 07 de Setembro, aniversário da Independência do Brasil, de 1822; 20 de Setembro, aniversário da Revolução Farroupilha de 1835; 24 de Fevereiro, aniversário da Revolução Francesa de 1848; 05 de Outubro, aniversário da República Portuguesa de 1910.
Dado e traçado em algum lugar do Templo de Jerusalém, aos Vinte e Nove Sóis, da Segunda Lua, do ano da Graça de N.'. B.'.Pr.'. Jesus Cristo, de 2020 e sob os auspícios de N.'.P.'. São Teobaldo - E.'.C.'. na Gr.'. Flor.'. da Maç.'. Flor.'. Brasileira.
Saúde e Fraternidade!
Vantagem! Vantagem!! Vantagem!!!
Triple Abbraccio.'.