23/04/2026
Natural da Terra Indígena Ibirama Laklãnõ/Xokleng, em Santa Catarina, Walderes Coctá Priprá se tornou a primeira mulher indígena do país a conquistar o título de doutora na área de Arqueologia, após apresentar sua pesquisa pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).
Com a tese intitulada, “Os guardiões que contam a história: território, memória e história do povo Laklãnõ no Alto e Médio Vale do Itajaí (SC)”, foi aprovada no dia 17 de abril na UFSC. A defesa ocorreu em formato híbrido, com participação no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC e USP, reunindo momentos de forte emoção.
Mais do que uma produção acadêmica, a pesquisa destaca o papel das narrativas indígenas, da memória coletiva e da relação com o território como elementos centrais na construção da sua própria história. Ao colocar o povo Laklãnõ Xokleng como protagonista desse processo, o estudo reforça a importância de perspectivas originárias dentro da arqueologia.
A trajetória de Walderes Priprá também é construída fora da universidade. Atua como Professora em escolas indígenas no fortalecimento da cultura e da língua de seu povo. Sua experiência se estende ainda à Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da UFSC, onde também contribuiu na formação de novos educadores.
Além da atuação acadêmica e educacional, Walderes desenvolve trabalhos no audiovisual como cineasta e diretora, produzindo conteúdos que abordam o cotidiano e as lutas do povo Laklãnõ Xokleng, incluindo denúncias de violações históricas e atuais.
A conquista do doutorado ganha ainda mais relevância diante do contexto de disputa por territórios indígenas no Brasil. Nesse cenário, a arqueologia indígena se consolida como uma ferramenta importante na defesa de direitos, contribuindo para evidenciar a ocupação ancestral e fortalecer as reivindicações territoriais.
O título alcançado por Walderes, portanto, ultrapassa o campo individual e se insere em uma dimensão coletiva. Sua formação amplia a presença indígena na produção científica e reforça a luta pelo reconhecimento, pela memória e pelo direito territorial dos povos indígenas.