07/08/2026
Dizer que "o pai é a principal rede de apoio da mãe" parece uma frase bonita e moderna, mas ela esconde uma distorção perigosa, especialmente na paternidade atípica.
Rede de apoio é quem vem de fora. É a avó, a tia, a rede de saúde, o Estado, a amiga que chega para segurar a barra e dar um respiro. O pai? O pai faz parte da estrutura principal.
Quando a sociedade aplaude um pai atípico só porque ele vai às terapias, divide as noites em claro, estuda o diagnóstico ou assume o cuidado diário do filho — tratando isso como se fosse um favor extraordinário ou uma "grande ajuda à mãe" —, ela comete um erro grave: transmite a ideia de que a obrigação paterna é um ato de heroísmo.
Para o pai atípico, estar na linha de frente não é ser "apoio". É ser pai.
Elogiar o básico e chamar o pai de "rede de apoio" é dar um passe livre para a ausência de tantos outros homens.
O pai atípico não precisa de palmas por fazer o que é sua obrigação. Ele precisa estar presente de verdade, dividir as responsabilidades por igual e ser cobrado com a mesma seriedade com que a sociedade cobra as mães.
Ele destaca que a mãe atípica vira uma leoa e o pai atípico mais ainda pra proteger o seu filho.
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