13/09/2026
Fecharam a Sofia aos carros — eis o crime!
Já ouço o resmungão, de Sé a Sé,
jurar que a cidade perde o seu porquê
sem o motor que ronca e que a redime.
Diz que o comércio esmorece e definha,
que o turista foge à rua sem café à porta,
e sonha, no fundo, com uma outra sorte:
abrir também a Borges e a Luz à guia.
Mas quem sobe devagar, sem pressa e sem buzina,
ouve a tuna ao longe, o rio a correr,
sente a cidade respirar, enfim, sem freio.
A Sofia não fechou — abriu-se, sã e fina,
ao passo de quem sabe o que é viver:
resmungue o resmungão, Coimbra segue o seu enredo.